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Obras da Nova Revelação

Recebidas pela Voz Interna

por

Antonia Grossheim

Max Seltmann

AS SETE PALAVRAS DE JESUS NA CRUZ

O Ressurrecto

Judas Iscariotes

Tradução de Yolanda H. Linau

Revisão de Jaine M. Murbock

RIO DE JANEIRO

1987

ANTONIA GROSSHEIM

Antonia Grossheim uma responsável dona de casa em Graz, conhecia Jakob Lorber muito bem. Como esse vivia desprovido de bens materiais porque todo dedicado à sai vocação espiritual, ela lhe prestava muitas vezes uma ajuda. Não raramente estava também presente, juntamente com outros amigos, quando Lorber recebia seus ditados pela voz interna. Mas como não era crédulo, examinou, no início, várias vezes sua mesa e armário para ver se ele de fato não usava nenhum livro como fonte das revelações recebidas. Mas, não encontrando nada além da Bíblia, teve de convencer-se de sua origem puramente espiritual, tornando-se fiel partidária e prestando testemunho de suas observações ao cronista da vida de Lorber, Karl Gottfried Ritter Von Leitner.

No ano de 1863, Antonia Grossheim recebeu, pela voz interna, “As sete Palavras de Jesus na Cruz”, aqui apresentadas em português. Lemos no Evangelho de João, 14, 21: “Aquele que tem os Meus Mandamentos e os guarda, esse é o que Me ama, e aquele que Me ama, será amado por mim Pai, e Eu também o amarei e Me manifestarei a ele


AS SETE PALAVRAS DE JESUS NA CRUZ

– I –

INTRODUÇÃO

Minha filha:

Deves escrever um livro para testemunho de que para Mim é indiferente o instrumento que Eu escolho para portador de minha Palavra. Porque não serão os grandes e intelectuais que irão saber o que dizer ser um instrumento do Senhor.

Ademais, Eu te digo que ainda há de sofrer e suportar muita coisa. Mas não te preocupes, porque estarei sempre ao teu lado.

– II –

Transmissão do Senhor para os Seus filhos

Vós, que sois atados pelo pecado e sonhais no sono do mundanismo, ouvi Minhas Palavras que – como Único Senhor do Infinito – vos transmitirei através da boca desta Minha serva escolhida.

A época da predição dos profetas do Antigo Testamento, como tudo que os videntes prediziam a Meu respeito, se cumpriu com a minha Vinda anterior sobre a vossa Terra. E agora novamente chegou o tempo que Eu predisse durante a Minha Vida terrena, quando falei: “Haverá um tempo na Terra em que até os Meus escolhidos Me abandonariam, se Eu permitisse!” Mas há um cuidado para que isto não aconteça com Meus filhos.

Aliás aqueles que tudo tentam pesquisar sobre o vosso destino, procurando adquirir os meios para esta conquista, como Pai e suas alegrias passageiros e dirigi-los a Mim, em palavra e ação, enquanto ainda é tempo! Pois não levará muito tempo e Minha Paciência se esgotará e então caireis no julgamento de Minha Ira! Sabeis, pela Escritura, que é horrível criar-se nas Mãos de Deus Vivo: Acrescento: Em verdade vos digo: Céus e Terra passarão: Minhas Palavras, jamais!

Quando caminhei Fisicamente em vosso meio nesta Terra, Me cerquei de pescadores e publicanos que eram considerados naquele tempo o povo mais detestável. Por isso, Eu era desprezado pelos grandes e importantes, e odiado de tal modo a ser oculto. Eu, porém, não vim à Terra por causa dos justos, mas pelos doentes em espírito e pelos pecadores, aos quais entreguei Minha Vida e Meu Sangue.

No momento de Minha Crucificação estava rodeado pelos meus amigos fies, bem como de uma grande quantidade de pessoas do povo que Me desprezava e gritava com escárnio: “Antigamente ele ajudava os outros! Agora não pode se ajuda a si mesmo!” Isto confirmava os Meus inimigos em sua fé de que Eu não era Deus, mas sim um criminoso abandonado por Ele.

No momento de minhas aflições físicas falei – lá de cima da cruz aos que Me rodeavam – sete Palavras em hebraico antigo, sobre as quais até o dia de hoje não existe uma verdadeira explicação. Por isto, minha Graça Me leva a repetir as Mesmas novamente, e isto com a mais perfeita explicação do seu sentido para a época futura (atual) e assim revelar o sentido às pessoas de boa vontade.

Quando, após muito sofrer pela maldade dos soldados, havia chegado o momento em que os sacerdotes viram que Eu estava chegando ao fim de Minha Vida – antes que eles tivessem realizado a sua vingança e maldade – eles procuram conseguir rapidamente a sentença de morte do juiz romano, podendo então ter a alegria de Me ver morrer padecendo horrivelmente. Quando então veio a notícia da condenação à morte em que Eu devia ser crucificado, elas se regozijaram em altos brados e trataram de realizar a sua obra.

Quando finalmente realizou-se a execução, chegaram os Meus inimigos que haviam escondido entre o povo, e aproximaram-se da cruz para Me consolar e fortificar. Mas os maldosos trataram à Minha Mãe e a João – o Meu apóstolo – com mais algumas outras amigas, chegaram até ao pé da cruz, presenciando portanto a Minha morte física.

– III –

As sete Palavras pronunciadas na cruz

Como a corja maldosa havia Me despido e assim Me amarraram Pés e Mãos, e ainda os perturbaram com pregos sem ponta, aconteceu que Eu, na Minha Carne tão massacrada, gemi e falei: “Senhor, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem!”

Eia a primeira Palavra que eu pronunciei, considerando os pecados da Humanidade daquele tempo, como do futuro.

Após eu Me encontrar na cruz erguida, Meu Corpo cheio de Sangue e pó estava tão miserável que até os inimigos que me rodeavam se sentiam tocados no coração. Eu, porém, vi que aquilo era apenas uma sensação passageira e a piedade não era movida por Minha causa, mas pelo quadro pavoroso que chocava seus sentidos. Por isto falei: “Estou com sede!” Mas os soldados não entendiam o que Eu queria dizer, que Eu estava de fato com sede pela salvação de tantas almas que estavam assistindo ao seu próprio julgamento. Portanto, a fim de Me ferirem ainda mais, Me deram fel e vinagre para beber, o que naturalmente Eu recusei.

Em seguida, toda a Natureza começou a estremecer e os elementos saíram fora de sua ordem. O sol, como símbolo da Lua Eterna, perdeu seu brilho, como prova que os homens em sua cegueira espiritual não viam que a Divindade Se retraia debaixo da Veste mortal do Meu Corpo, entregue-O á morte material;por isto falei: “meu Deus, Meu Deus porque Me abandonaste?!”.

Não clamei a outro Deus além de mim, mas sim à Divindade em Mim, ao Espírito de Deus e a Onipotência em Sua Força total. Somente o Meu Corpo físico era idêntico ao dos homens da Terra, e Este precisava estar submisso a qualquer dor e à morte. Por isto, a matéria procurava socorro em seu abandono, como prova de que todo homem deve procurar socorro somente junto a Deus.

Aproximava-se o momento em que, sentindo-Me cada vez mais fraco, a Alma Se entrega ao Pai Celeste. Então vi debaixo da cruz Minha Mãe tão querida e fiel – Maria – junto ao meu apóstolo João, que também havia sido Meu escritor oculto, ambos magoados até a morte e lhes disse as Palavras importantes: “Maria, eis teu filho!” – e para João: “Eis tua Mãe!”.

Com estas palavras apontava o Meu Testamento espiritual, entregando os filhos do mundo ao Espírito de Deus, e chamando Maria para ser Mãe das almas fracas e doentes na carne.

Quando pelo calculo judaico, havia chegado a terceira hora, aproximou-se o momento de Minha morte e Meu Corpo tremia no pavor mortal. Neste momento vi no Meu lado o criminoso que também havia sido amarrado à cruz – Dimas – que dirigia seus olhos com piedade a Mim. Olhei-o com Misericórdia e lhe prometi que ainda hoje ele estaria Comigo no paraíso.

Após minha Ascensão, esta Palavra até o dia de hoje deu motivo para muitas explicações. A única verdadeira é esta, de que toda alma humana após a morte física alcança uma grau inferior ou superior de luz – de acordo com seu aperfeiçoamento – e, mesmo aqueles que já haviam expiado tudo que era mundano pelas, só chegariam primeiro ao paraíso, ou seja, ao grau inferior de bem-aventurança. Pois nenhuma alma pode atingir a máxima felicidade no Céu do Amor, antes de ser totalmente purificada. Assim, também Dimas, através do amor e da confiança em Mim, havia alcançado o primeiro grau e Me foi possível prometer-lhe o paraíso.

Já Me encontrava nos últimos estertores da morte quando pronunciei as Palavras “Pai, entrego em tuas Mãos o Meu Espírito!”

Eis uma frase que poucos entendem. Como poderia Eu – Deus Mesmo – entregar nas Mãos de um outro Deus o Meu Espírito?! Então haveria dois deuses?! Mas tal não se dava. E ninguém deve se deixar levar a um engano por esta expressão. Pelo contrario: Todos devem entender que somente o invólucro externo (alma) do Meu Espírito Divino interno estava pronunciando estas Palavras. E como falei durante a Minha Vida: “Eu – o Filho do homem – vos digo isto ou aquilo” – assim também na cruz a força psíquica do Meu Corpo pronunciou as Palavras: “Pai, entrego Meu Espírito em Tuas Mãos!”

Como a Alma me pressione a abandonar o Corpo, Eu Me tornava cada vez mais fraco, e o povo ao redor gritava e Me ridicularizava. Mas Eu era obrigado a tomar o cálice até o fim, e previ que a corja ficaria insensível diante de Minha dor e agonia. Por isto, quando tinha chegado o último momento de Minha Vida terrena, falei a última Palavra na Terra: “Está tudo consumado!”

Ó criaturas! Se fosseis capazes de entender esta única Palavra, do fundo de sua razão! Se fosseis compreender o que quer dizer que o Filho de Deus tinha concluído a grande Obra de Salvação de todo o gênero humano – nenhuma alma haveria de sucumbir! Porém, o pecado veio ao mundo através de Adão, e por isto o pecado e a morte material serão parte integrante dos filhos da Terra, enquanto a matéria é o caminho da carne pela vida terrena. E a força do mal e de Satanás na matéria só foi quebrantada, mas não totalmente eliminada pelo Filho de Deus e Sua Missão mediadora.

Toda alma deve seguir pela fé e pelo amor o caminho aberto pelo Mediador, com humildade e energia. Deste modo, a Obra da Salvação também será concluída para ti, ó homem!

– IV –

Final e Descida da Cruz

Após esta Minha última Palavra Eu morri, ou melhor, Minha Alma saiu da matéria e Se uniu com o Meu Espírito Original – o Espírito Santo Eterno de Deus.

Então desci aquele lugar onde se encontram as almas dos patriarcas às espera da hora da salvação, pois ninguém poderia entrar na Paz do Céu antes que a Justiça de Deus Se tivesse apaziguado, através da grande Obra de Amor e de Salvação.

Libertei portanto novamente o caminho que fora originalmente a todos os seres livremente, e pela queda dos anjos fora partido.

Adão deveria ter reerguido este caminho e a matéria estarrecida que até então envolvia toda a vida espiritual, a fim de reconduzi-la à sua origem, para o que sua vontade era livre. Mas ele perdeu a liberdade pelo pecado da desobediência e caiu, com todos os descendentes, cada vez mais profundamente no julgamento da morte, da qual não se podia esperar a salvação. Então se colocou no meio a Imensa Misericórdia e Amor do Eterno Deus, envolto no Filho do homem em matéria, para libertar Suas criaturas e reconduzi-las ao seu destino primário e eteno.

Após ter passado o tempo prescrito na cruz, segundo a lei judaica, chegara a hora em que os três criminosos – entre os quais Eu Me contava – deviam descer do seu suplício. Era dia de preparo para o s[abado, em que ninguém podia permanecer em tal local.

Eis que se aproximaram Meus amigos, na maioria romanos e gregos, - entre eles alguns judeus como seguidores ocultos de Minha Doutrina – querendo Me prestar o último serviço de amor.

Eles haviam comprado do Prefeito o Meu Corpo, a fim de poder colocá-lo numa tumba. Assim, pois, Eu terei retirado da cruz pelos Meus poucos amigos fiéis, sob o escárnio do povo judaico. E Minha Mãe, entristecida até a morte, caiu no solo e, ao ver o Seu Filho ensangüentado e morto diante de si, tomou a Minha Cabeça em seu colo, debaixo de muito choro e lamentações.

Tu Me perguntas sobre a ferida lateral que Eu teria esquecido, pois não fiz menção dela. Mas não perguntes por isto, pois esta ferida dói efetuada quando Eu já havia falecido e se tratava da ação espontânea de um soldado misericordioso que julgava que Eu talvez estivesse só aparentemente morto. Ele queria que Eu fosse liberto por este meio mais rapidamente do Meu sofrimento – e recebeu a Graça de, no momento em que sua lança transpassou Meu Coração, sentir no seu uma indizível dor, reconhecendo assim de Quem ele havia transpassado o Coração.

- V -

Enterro e Ressurreição

Daí em diante Meu Corpo foi elevado à tumba que estava a uma longa distancia, fora da cidade de Jerusalém, pertencendo ao sumo-sacerdote Nicodemus. Depois que Meu Corpo, pelo hábito oriental, tinha sido tratado com ungüentos, envolto em linhos brancos e deitado na tumba, Meus amigos Me rodeavam chorosos e lastimosos. Já foi feita menção sobre a dor que passava por suas almas quando, pela sua opinião, Me viam pela ultima vez sobre a Terra, tendo a mais triste despedida deste laço sofredor.

Nesta pequena Obra só será feita menção de Minha morte e do cumprimento breve das perdições simbolizadas pelas Sete Palavras, que não foram compreendidas por parte do povo cego. Porque agora chegou o tempo em que Eu quero transformar as Palavras em Ação.

Após ter sido depositado dois dias na tumba, para cumprir a Escritura, havia chegado o tempo da Minha Transfiguração, ou seja, da Minha Ressurreição.

Quando surgiu a manhã do terceiro dia, Eu Me libertei dos laços da morte, unindo Minha Alma com o Corpo Espiritualizado, elevando-Me para Meu Pai Celeste – ou seja, o Espírito Original – e em Glória ressuscitei como Vencedor da morte e de Satanás.

As primeiras horas da manhã surgiu Maria Madalena que, em sua dor incrível, Me viu, ao querer visitar o Meu Corpo. Louca de alegria ao Me ver, e desfeita em lágrimas de amor, caiu aos Meus Pés e não era possível acalmá-la. Quão benéfico e abençoado é tal amor!

Apareci neste mesmo dia a alguns discípulos, bem como à Minha Mãe, Maria. Havia chegado finalmente o tempo – após a conclusão da Minha Imolação determinada pelo Meu Pai Celeste – em que Eu podia ainda Me comunicar com Meus amigos e lhes explicar o valor e a importância deste sofrimento e morte dolorosos. O que Eu falei então até Minha Ascensão aos Meus discípulos ainda não veio à luz em parte alguma do mundo até esta hora; só nas Epístolas de Paulo dirigidas aos Efésios é mencionado algo que iguala às Minhas palavras durante Minha permanência na Terra, em Corpo Espiritual.

Quando vi que Meus discípulos Me reconheceram e novamente Me seguiram, Eu os reuni num abrigo distante da cidade e Me referi à minha morte, à Minha Ressurreição e à Minha breve Ascensão ao Pai. Eles ficaram muito entristecidos ao ouvirem que Eu haveria de abandoná-los para sempre. Mas Eu os consolei e prometi enviar um Consolador que haveria de fortificá-los e conduzi-los a toda a Verdade. Então finalmente se conformaram.

Em seguida, porém, ainda relatei ao Meu amado João todos os acontecimentos que em longos tempos no futuro haveriam de atingir os povos. Além disto, Eu lhe disse que ele deveria anotar tudo o que Eu lhe faria saber em relação ao futuro. E assim aconteceu. Porém, guerras posteriores e conquistas dos povos fizeram com que todos esses escritos se perdessem.

Então ouve e escreve o que eu tenho a te dizer!

– VI –

Explicação das Palavras ditas na cruz

Se bem que tenha sido dado por Deus a cada homem o livre arbítrio de praticar o bem ou o mal, conquistando a bem-aventurança ou a condenação, Deus – sendo Onisciente – vê e controla tanto as ocorrências de erros de anos como o espaço de um segundo. Por isto a ocorrência a Divindade já previu no início, na queda do primeiro casal, a desgraça que o pecado haveria de trazer e que no futuro no decorrer dos tempos, os descendentes haveriam de enfrentar guerras, moléstias e incontáveis outros males como conseqüência.

Então nada mais restou ao Amor Misericordioso da Divindade senão libertar, pela Encarnação de Jesus, estes filhos da Terra dos laços da morte. Com isto, porém, os males temporários não foram suspensos, pois o pecado atrai o castigo incondicionalmente – e em que mares de pecados e vícios os homens sucumbiram entrementes!

Quando Eu – o Salvador – Me encontrava sangrando e morrendo na cruz, prevendo a totalidade de sua culpa e suas conseqüências, pronunciei as Sete Palavras tão importantes, que agora novamente pretendo esclarecer aos homens.

A Primeira Palavra: “Senhor, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem!” – não se referia tanto aos judeus ignorantes, mas muito mais aqueles descendentes que, após a aceitação da Minha Doutrina, mantém o Meu Nome e em tempos posteriores mandaram construir templos. Essas pessoas se polarizaram tanto com a matéria terrestre – não obstante Minha Doutrina de que o Meu Reino não é deste mundo - que a expressão dirigida ao filho rico: “em verdade te digo: é a mais fácil a um camelo passar pelo fundo se aplica inteiramente a elas.

Minha Doutrina fala da humildade, meiguice e paciência com as fraquezas do próximo. Mas quão pouco se segue este ensinamento! Justamente os que deveriam ser os Meus apóstolos e que carregam o Meu Nome são hoje em dia cheios de ódio contra as fraquezas dos irmãos faltosos.

Eu orei para que todos os homens se tratassem como irmãos. Deveriam se ajudar; mas quão poucos seguem este Meu Desejo! Assassínios, roubos, brigas, homicídios – pela não consideração de Minha Doutrina Celeste – são evidentes e são abertamente aplicados como desobediência própria ou geral até pelas pessoas de destaque.

A Segunda Palavra: “Sinto sede! – e que sede... – e ainda a sinto por tantas almas que sucumbem em seus devaneios e atualmente procuram sua salvação nos prazeres do mundo e pouco se impressionam com Deus, nem coma Eternidade.

Mas, aí de tais mundanos! Cairá sobre eles um julgamento terrível porque a medida de seus pecados está plena e lhes resta somente um tempo curto. E se este tempo também passar sem ação, eles serão riscados do livro dos vivos!

Em pensamento tu Me perguntas: Como é possível que Eu sempre ameace e no entanto não determino a época exata desse julgamento? Então digo a ti e a todos que tem ouvidos para ouvir: Justamente por ser vosso Pai e Eterno Juiz de cada alma, quero lhes oferecer um tempo e oportunidades suficientes para conquistarem a sua eterna salvação; porque não existe alma que no dia do julgamento desculpar-se e justificar-se como se ela tivesse sido prejudicada.

Minha Terceira Palavra: “Meu Deus, Meu Deus, por que Me abandonaste?!” – até mesmo Meus amigos tomaram tal pronunciamento como uma fraqueza humana, pois eles mesmos caíram em dúvida. Como era possível que Eu antigamente Me apresentasse como Deus e agora estava em pavores mortais, como se Deus me tivesse abandonado!

Ó filhos mortais de pouca visão! Não percebeis que somente o Espírito em Mim era Deus, mas o invólucro ou a carne consistia de matéria fraca e, como os vossos corpos, também teve de passar pela dor e submisso ao sofrimento?! Qual teria sido o mérito caso Eu – neste invólucro humano fraco – não tivesse aceito a grande culpa dos homens, tendo a matéria em mim que ser obediente até a morte na cruz?

Assim como eu na Minha Terceira Palavra, hão de exclamar no dia do grande Juízo aqueles que em vida nunca ou muito pouco se interessaram por Mim e Meu Verbo. Porém quando tiver passado o tempo de Graça, nenhuma súplica pela Graça e Misericórdia poderá ajudar, por mais que seja pronunciada. Olha em torno de ti e verás como o mundo avança na trilha das ciências mundanas, artes e novas e novas descobertas; os hímens pesquisam as forças mais ocultas da Natureza e Eu permito que todas as Minhas Obras lhes sejam submissa porque criei tudo maravilhosamente para Meus filhos.

Mas, para que finalidade se aplicam todas estas ciências? Somente para enriquecer com tesouros materiais ou beneficiar o seu orgulho e seu abuso. No entanto, os ricos esquecem seus pobres irmãos que se aprofundam cada vez mais em misérias e necessidades, clamando a Mim por socorro e misericórdia no seu sofrimento.

Como então não deveria eu Me apiedar de Meus pobres filhos e salvá-los de seu fardo pesado de escravidão espiritual e física?! E como poderia Eu aplicar Graça e Misericórdia àqueles que as desconhecem?!

A Quarta Palavra: “Maria, vê teu filho! E tu, filho, vê tua Mãe!” – eu falei tanto por causa de Minha Mãe, pois sabia que Meus apóstolos não haveriam de abandonar Minha mãe física. Queria muito mais demonstrar o amor que tinha pelos Meus filhos no coração. Queria recomendá-los todos ao Amor Misericordioso de Deus, que é interpretado pelo amor maternal. E a palavra “filho” abrangia todos que seguiam estritamente Minha Doutrina de Amor.

Porem, será que ainda se encontra hoje entre os homens o estrito seguimento de Minha Doutrina tão simples e útil para o bem da alma?! Poucos dos Meus filhos seguem mais ou menos a Minha Vontade. Os outros estão de tal modo envoltos no egoísmo, ou por muitas preocupações mundanas, que não podem se preocupar com o Meu Verbo! Por este motivo, Minha Doutrina quase se transformou em um ensinamento aparentemente ou para o uso habitual; e com isto, o pecado conseguiu o domínio sobre os homens.

Portanto, urge reconduzir Meus filhos, com todo o rigor, ao justo caminho. Isto, porém, não pode mais ser feito com recursos suaves, mas apenas com o rigor do julgamento. Pois o ditado diz: Quem não quer ouvir, há de sentir! – E assim, a fim de não deixar que os povos sucumbam totalmente na morte eterna, devido à sua cegueira sem fim, preciso deixar que suceda um castigo mais perigoso.

Eu adverti e ainda advirto cada criatura isolada, assim como povos inteiros, através de doenças, fracassos em suas especulações mundanas, de guerras, carestia e outras coisas mais. E permiti – e ainda permito – que os homens se prejudiquem mutuamente pela teimosia, causando o pior prejuízo. No entanto, tudo isso é às vezes em vão. Os homens procuram as causas dos seus prejuízos sempre em outra parte do que consigo mesmos e atribuem em sua pecaminosidade toda a culpa a Mim, o seu Deus Paciente.

Ó geração ofuscada! Quanto tempo devo assistir a esse desvario?! Julgas por acaso que podes me apresentar teimosia, a teu Senhor e Deus?! Aí de ti! Na época da miséria hás de Me entender inutilmente tuas mãos por socorro! Quando tiver passado o tempo da Graça, hei de fechar os Meus Ouvidos aos teus gritos, tornando-Me surdo aos teus pedidos, pois sabeis que não basta clamar: Senhor! Senhor! – Mas o que vale é andar com justiça nos caminhos designados por Mim, se quiserdes ser participantes de Minha Graça!

Agora chegamos à explicação da Quinta Palavra que pronunciei na cruz. Estas Palavras de consolo: “Ainda hoje estarás Comigo no paraíso!” – Eu dirigi a Dismas, que estava ao Meu lado na cruz. Mas elas não se destinavam somente a ele, porém todos os homens que aceitam meu Verbo e vivem de acordo com Ele. Já mencionei no início por que prometi a Dismas apenas o paraíso e não o Céu. Em breve virá a época na qual poucos conseguirão alcançar o paraíso, pois eu permitirei aos homens que possam realizar tudo que esteja na sua vontade; antes que surja a grande época do Meu Julgamento, darei até aos maus espíritos a liberdade de se voltarem ao retorno para a Luz Original, quando também aos Meus bons anjos é dada a incumbência de proteger os Meus filhos diante das artimanhas de Satanás. Então se realizará a Palavra: Virá uma época na qual até os devotos abdicarão, caso fosse possível!

Naturalmente haveis de perguntar: que época será esta? E eu vos digo: É o tempo do orgulho, da auto-confiança, dos vícios e da prostituição, que hão de atingir todos os povos, atraindo-os cada vez mais neste lamaçal vicioso, do qual sem o Meu socorro jamais deve ser esperada uma volta.

Com a Sexta Palavra pronunciada na cruz: “Pai, entrego Meu Espírito em Tuas Mãos!” – queria justamente dar a todas as criaturas e belo exemplo de que a alma tem que retornar à sua fonte original, sendo obrigada a organizar sua vida e atitude de tal modo que no final sua conduta terrena permita passar sua alma com alegria e júbilo ao Pai Celeste.

Agora pronunciarei a Ultima Palavra: “Está tudo consumado!” – Realmente estava consumada a grande Obra da Salvação. Mas, de que adiantou a milhares e milhões de almas que também foram salvas por Minha morte e Minha ação mediadora do pecado original, e que todavia não Me seguiam em espírito e na ação? O Céu lhes fora aberto; porém por sua atitude pecaminosa e sem amor, e sua conduta sem penitência, voltaram à eterna condenação.

Ó filhos do mundo! Como Primeira e Última Palavra, Eu vos digo novamente com todo o rigor do Meu Amor: Fazei penitencia! Voltai para o nosso Senhor e Deus, pelas palavras e pela ação! Deixai a ganância e pensai em vossos pobres irmãos que debalde vos pedem misericórdia! Recordai-vos das viúvas e órfãos, e fazei justiça aos imaturos! Pois está escrito: A medida por vós aplicada vos será retribuída! Tomai como advertência as gerações passadas: Enquanto eram fiéis a Deus, eram grandes e felizes; quando começaram a confiar somente em si mesmas, Deus deixou os povos sucumbirem e reinos inteiros foram apagados da Terra!

– VII –

EPÍLOGO

Eis que as Sete Palavras foram novamente pronunciadas, inclusive seu sentido, a fim de que os homens que as ouvem possam tomá-las como medida.

No teu coração Me perguntas: “Senhor, quantas pessoas não terão nenhum conhecimento dessas Palavras! Deverão todas sucumbir sem advertência e conhecimento Delas?

Ouve o que te digo como resposta: Criatura alguma, qualquer que seja sua crença, pode afirmar que nunca recebeu uma advertência por meio de palavras, ensinamentos ou por várias provações na vida. Cada uma recebe uma chamada por Mim, de que não foi criada para este mundo exclusivamente, mas para um outro, para uma vida eterna após esta vida curta; e que apenas a bem-aventurança eterna da alma pode ser de verdadeira utilidade!

Ouvi, portanto, e tomai a sério no final aÚltima Advertência que ora vou dou: vigiai e orai , para não cairdes em tentação, pois não sabeis nem o dia, nem a hora da Vinda do Senhor! E aí de vós se vos encontrar desprevenidos!

O dia não durará mais muito tempo! Virá a noite e a época do Julgamento está Diane da porta! Hei de poupar quem nesta época se dirige a Mim com arrependimento, amor e humildade, excluindo-o do numero daqueles que serão afastados de Minha Face!

Portanto, depende do livre arbítrio de cada um virar-se para Mim, ou então se atirar cegamente à eterna perdição.

Apressai-vos! O tempo urge! Já começa a figueira a brotar, como prova de que o inverno (ou a época do sono espiritual) passou, e a primavera (ou a época do despertar do pecado e da loucura sensual) chegou, chamando os homens e os povos ao julgamento, a fim de prestarem contas sobre suas atitudes.

Eu – o Senhor, o Eterno Infinito – faço-vos saber, Meus filhos, que determinei em Meus Desígnios eternos que irei visitar o mundo, isto é, os homens renitentes, maldosos e que Me renegam – com toda sorte de pragas, a fim de serem despertos de seu sono pecaminoso. Se quiserem voltar, muito bem! Pretendo permanecer no erro e na teimosia de seu coração contra Mim, não hei de esperar por mais tempo e hei de queimá-los como se queima palha seca, no afã de Minha Justiça! Pois as crianças do Meu Amor clamam por Mim, por socorro e misericórdia em sua miséria. E Eu – Único, Eterno e Fiel de todos os que depositam sua confiança em Mim – não posso deixá-los sofrer por mais tempo sob a maldade dos inimigos da Luze da Eterna Verdade dos Céus.

Conquanto os sinais de Minha Chagada na Terra aumentem, o ponto final ainda não chegou. E enquanto a Terra não for purificada de todo o joio maldoso, Eu não hei de aparecer.

Mas não desanimeis por isto, Meus filhos, e não vos torneis amedrontados! Ainda que não Me tenhais Pessoalmente Visível junto de vós, Eu vos digo contudo: “Em Verdade Eu estou convosco Espiritualmente sempre, e vos fortifico e vos consolo em espírito!”

Aguardai calmamente e cheios de confiança a época até que a luz plena se tiver desenvolvido da escuridão da noite, e podereis ver surgir o Sol de Minha Glória, que há de iluminar todas as almas e aquecê-las eternamente.

Esta Revelação vos seja uma chamada para a fiel persistência em vossa obra.

De vosso Senhor e Pai Jesus. Amém

Notas biográficas de

MAX SELTMANN

Numa carta de 1960, Seltmann conta que em 1928, quando tinha 50anos, Jesus, o filho do Homem, tornou-se o centro de seus pensamentos. No mesmo ano, começou a ver desenrolar-se como num filme, cenas da Vida de Jesus que no início se repetiam até que ele passou a anotá-las num intervalo de serviço noturno como empregado ferroviário. Mal acabara de escrever, seguiram-se novas imagens que ficaram na sua vida interna, até que as anotou também, sempre ouvindo, ao mesmo tempo, a descrição do que via em cores maravilhosas.

Assim, encheram-se muitos cadernos, mas boa parte se perdeu numa busca feita em sua casa durante a era do nazismo, quando uma das suas filhas cega e imbecil, foi morta pelas leis então em vigor. Mas ele teve os sentidos abertos e pode ver as almas dos que passaram para o outro lado e, ficou feliz em poder assim presenciar o desenvolvimento da própria filha no mundo dos espíritos até ela chegar à perfeição o que levou dois anos e meio.

Acusado de ser Testemunha de Jehovah, Stelmann, então com 70 anos, teve que fugir de sua casa e família na Alemanha Oriental, encontrando um refúgio na Alemanha Ocidental, perto de Bietigheim, onde a Editora das Obras de Lober tem sua sede.

As cenas descritas por Seltmann nos revelam muitos detalhes da Vida de Jesus que não foram incluídos nos Evangelhos bíblicos, nem no Grande Evangelho de João recebido por Lorber. Referem-se, em parte, aos últimos anos de preparação de Jesus para o começo do Seu Magistério; em outra parte, ao tempo desde Sua Morte e Ressurreição até Sua Despedida da Terra, onde participamos, com profunda emoção, do convívio do Ressurrecto com Seus seguidores e amigos, marcado pela indescritível vibração de Amor Divino do Próprio Jesus. – Uma boa parte, finalmente, relata sobre a vida e o crescimento das primeiras comunidades cristãs, em particular sobre a vida e atividade do apóstolo João, o “Discípulo amado”, até sua morte.

Dos 25 fascículos que compreendem as “Cenas preciosas da Vida de Jesus” recebidas por Max Seltmann, dois já foram traduzidos para o português, a saber: “Sexta-Feira da Paixão” e “A Caminho de Ematis”. Apresente publicação contém a tradução dos fascículos “O Ressuscitado” e “Judas Iscariotes”.

O RESSURECTO

Manhã de Páscoa em casa de Nicodemus

No albergue de Lázaro todos haviam se levantado cedo a fim de serem úteis aos que queriam ir à cidade. Em silêncio e pensativos, voltaram à casa Nicodemus, o capitão, a Mãe Maria e Maria Madalena, onde encontraram, além de Pedro e João, igualmente Salomé e Maria, mãe de Jacó. A dor do reencontro despertou um choro entre as mulheres. Enquanto os discípulos tentavam encontrar palavras de consolo, Maria Madalena saiu calmamente para chorar sozinha no túmulo de Jesus.

As mulheres haviam arranjado ungüentos e pomadas, todavia tinham dificuldades para sua tarefa devido à grande pedra que lacrava o túmulo. Eis que disse o capitão: “Estou convicto que na mais tendes necessidade de vossos ungüentos. Um acontecimento espiritual com Jesus me dá a certeza: Seu esquife está vazio! Jesus vive! Ele ressuscitou! – Por isto, alegrai-vos e abandonai a tristeza! Jesus venceu a morte!

Todos o fitam admirado, sem nada dizer: em seguida também as três mulheres se dirigiram ao túmulo.

No jardim de Nicodemus são abordadas por Maria Madalena, que exclama emocionada: “A sepultura está vazia! Jesus é vivo! Eu O vi de longe e corri para abraça-Lo, mas Ele me deteve, dizendo: “Não Me toques” – Mas eu devo comunicar-vos a todos que eu o vi! Meu coração vibra tanto porque O vi!”.

Completamente alteradas, as mulheres voltaram com ela à tumba, encontrando a confirmação de suas palavras: a pedra tinha sido afastada, a tumba estava vazia. Mas dois jovens cuidavam dela e informaram que o Mestre havia ressuscitado.

Pedro e João haviam seguido as mulheres e agora também verificaram a presença dos anjos na sepultura. Muito comovidos, todos voltaram à casa de Nicodemus e relataram aos amigos sobre o milagre. Agora todos começaram a dar suas opiniões: “o Mestre vive? Talvez possa chegar aqui a qualquer momento! – Ou vamos procurá-Lo junto dos demais discípulos?”

Somente Maria Madalena estava calada e cheia de tristeza íntima, pois: vê-Lo, falar-Lhe e não poder tocá-Lo – isto era demais doloroso para seu coração para seu coração vibrante por Jesus!

João percebeu sua tristeza e tentava esclarecer-lhe que o Mestre só podia ser tocado num amor espiritualmente celeste! “Por isto, cara Madalena, renuncia ao teu amor, julgando que Jesus fora um homem igual a nós. Terás que aprender que Ele é Deus para toda a Eternidade! Tens que compreender que Sua Encarnação ocorreu para nos libertar da antiga maldição de Adão, para preparar-nos o caminho para a vida íntima com Deus, nosso Criador e Pai. Ele preparou para todos os homens o uso dos recursos certos, dando o exemplo para esta meta elevada. Para chegarmos a esta união puramente espiritual com Ele, iniciou Sua grande Obra de salvação, há muito tempo prometida, como Homem entre nós. Agora essa época de Sua Obra passou, e a segunda, nós ainda podemos assistir. Mas a terceira é prevista para aqueles que seguirão Seu Exemplo como Homem, no Espírito de Seu Amor e Verdade íntima. Por isto não deves mais amar Jesus como Homem com teus sentidos, mas ama-O como Espírito Puríssimo, apenas no coração! Só então Ele há de Se revelar segundo Sua Promessa, também a ti e a nós, em Espírito!”

Essas palavras eram bálsamo para seu coração ferido; mas também os outros a respeito da íntima Natureza de Jesus, e se sentiam mais leves, muito embora seu querido mestre lhes faltasse muito.

Em seguida, os discípulos, Pedro em primeiro lugar, se encaminharam rapidamente para Jerusalém a fim de comunicarem aos outros irmãos que o Mestre é Vivo!

O capitão já se havia despedido, com as seguintes palavras: “Meu dever me chama! Tenho de examinar a tumba e em seguida informar Pilatus!” Ao passar pelo jardim, não havia um vigia romano sequer presente; admirado, ele mesmo entrou na tumba. Novamente ele vê os dois jovens, numa claridade fora do comum, que ele já havia visto uma vez em espírito e que agora o orientaram: “Vai rápido e faz teu dever. O Mestre necessita de ti!”

O capitão corre junto de Pilatus e relata: “A tumba do Crucificado está vazia! Jesus vive! Algumas moças já O viram e Lhe falaram! Qualquer engano é impossível, pois eu mesmo analisei a tumba!”

Pilatus, ao qual já haviam transmitido esta estranha informação, mandou chamar os guardas. Tiveram que juramentar seu relato, conformando a ausência de fraude. Em seguida, acrescentaram: “Durante a noite um forte raio iluminou toda a região, tornando tudo visível; mas não havia uma só pessoa à vista. o raio rompeu a tumba, e a pedra diante da entrada não existia mais. Mas do túmulo se projetaram raios luminosos que nos cegaram e atiraram ao solo.

Em seguida a noite escura voltou. De repente, o solo se tornou tão quente que fugimos e informamos os fatos no quartel”.

Pilatus se sentia sem ação: por isto, enviou uma carta ao sumo-sacedorte, perguntando: “O que dizeis a este acontecimento? A morte violenta de um inocente não veio de minha vontade e sim da vossa! Agora assumireis também a responsabilidade por ela!”

Esta informação causou pânico entre os templários. Subitamente acreditavam que havia chegado seu último dia. Jesus está vivo? O que deve ser feito? A maioria fugiu do Templo. Em seus corações se manifestava a consciência! Mas Pilatus não recebeu resposta.

No Albergue de Lázaro

Também no albergue de Lázaro em Jerusalém, conhecido de todos, os discípulos transmitiram a boa informação de que a sepultura está vazia e que algumas mulheres já havia visto Jesus e Lhe tinham falado. Quando à noite todos os discípulos e muito amigos já estavam reunidos. João repetiu que Jesus não mais era Homem, mas Espírito puríssimo, e que poderia aparecer a todos em sua Antiga Figura.

Dizia João: “por incrível que pareça, não deixa de ser verdade: Ele estará lá onde é adorado e amado em Espírito e Verdade. E se nós nos unirmos no coração, Ele estará conosco e entre nós! Esta Presença puramente espiritual é conseqüência de Seu Sofrimento e Sua Morte voluntária e inocente. Todos os impedimentos humanos da morte foram por Ele rompidos. Tudo o que era terreno e humano Nele, se divinizou. Por isto, tenhamos paciência. Ele já sabe da hora em que poderá Se tornar Visível também a nós. Quanto a nós, esperemos com paciência a hora, nos alegrando por ter Ele vencido a morte para nós, para que nosso destino – a Vida Eterna com Ele – se torne mais luminosa e visível.”

Essa novas revelações sobre as intenções divinas durante a morte voluntária de seu Querido Mestre eram ouvidas com atenção. À meia-noite chegaram os discípulos de Emaus e relataram os acontecimentos junto a Jesus ressuscitado.

Em companhia de Nicodemus

De manhã cedo os discípulos, Lázaro e os amigos voltaram para a casa de Nicodemus e relataram aos que lá ficaram a respeito do Aparecimento do Ressuscitado. Todos ouviam com atenção as maravilhosas palavras. Súbito, o mestre Se encontrava em seu meio. Seu Olhar profundo penetrava nos corações, e as mulheres não continham as lágrimas.

Jesus, porém, lhes disse: “Paz! Que a Santa Paz esteja convosco! Que vosso sofrimento se transforme em alegria! Que toda vossa tristeza passe, pois estou outra vez convosco! Todavia não posso permanecer para sempre convosco tão visível como agora! É preciso que vos torneis totalmente livres e intimamente firmes como Minhas testemunhas, portadores de Meu Espírito, para agirdes livremente conforme vos ensinei tantas vezes! Meu Espírito em vós vos dirá sempre o que podeis fazer e como agir em Meu Nome. Continuai unidos a Ele e servi-vos reciprocamente. Então sabereis que sou Eu que ora vos serve, como o fiz quando Homem.

Não pergunteis: Onde estiveste? – meu Espírito informará o vosso! Ele vos guiará a Verdade e Sabedoria. E todos que cumprem Minha Vontade o saberão! Não silencieis mais perante os homens, pois também vós sereis realizadores. Não temais, pois Eu venci tudo por vós! Meu Amor agraciais os outros irmãos! Que a paz esteja convosco!”

Se olhar pousava abençoando os presentes e tão rápido como ele chegou. Ele também desapareceu. Os discípulos se olhavam em silêncio. Sua Mãe chorava de alegria! Novamente João tomou a palavra e disse: “Queridos irmãos: Acabastes todos de ver Pessoalmente Jesus. O Mestre vive! Ele está entre nós e Presente em Seu Amor. Agora depende de nós de causar-Lhe alegria. A felicidade de Tê-Lo visto é imensa. E aquilo que nos disse, nós o sentimos. Seu Infinito Amor para nós sempre o mesmo de antanho. Existe apenas um entre nós que foi testemunha de Sua maior Misericórdia (o capitão). Estou certo que ninguém pode avaliar essa formidável ação. Quão elevado é o Seu Amor comparado ao nosso! Éramos egoístas, esperando sempre um sinal de Seu Amor e Poder, e não nos preocupamos com os outros. Lembro-me de Judas; por que o deixamos sozinho em sua aflição? Mas o Senhor o sabia e despertou um outro irmão que o aceitou amorosamente. Nós, que sempre sentávamos à mesa e recebíamos Amor por Amor e Graça por Graça, nos sentíamos abandonados na alma e entristecidos. Mas, agora que vimos o Mestre, nos sentimos novamente alegres. Agradecemo-Lhe por esta felicidade! Ó Senhor Jesus, fica conosco e que não se faça mais noite em nós! Despeja a riqueza de Teu Espírito sobre nós, em corpo e alma, para nos tornarmos um testemunho para o Teu Infinito Amor! Amém!”

Silêncio e Paz sagrada envolviam todos os corações. Eis que Lázaro se levantou, agradeceu novamente ao Senhor pela infinita Graça de Sua Vinda, pediu aos discípulos e demais presentes para acompanhá-los a Bethânia a fim de que todos chegassem a saber que Jesus está Vivo, e a Paz e a Alegria também penetrassem em seus corações.

Após uma Ceia de Amor, quando a alegria geral havia atingido seu auge, Lázaro recomendou mais uma vez a partida. A despedida foi emocionante, pois muitos só pretendiam seguir posteriormente. Cada um sentia como o sofrimento e a alegria comuns uniam mais estreitamente todos os corações.

Na cidade de Deus

A caminho de Betânia, os homens passam por Jerusalém, onde os ânimos estão visivelmente agitados: os templários haviam feito uma busca na tumba, a ocupação militar reforçara as sentinelas e novas tropas se apresentam e são observadas pelos habitantes de olhos assustados. Por toda parte se formaram agrupamentos em discussão acalorada, razão pela qual os chefes romanos haviam ordenado reforço. E tudo isto – por causa de Jesus!

Quando o Comandante passa com Lázaro pelo palácio de Pontius Pilatus, exige alguns soldados para proteção a caminho de Betânia. Em torno do Templo também reina grande inquietação: do Santíssimo se irradia uma calor tão forte que impede o Sumo Pontífice de se aproximar do Altar, e o reposteiro continua partido. Se em outra épocas o átrio era lugar onde muitos faziam bons negócios – hoje l[a tudo está quieto, pois os homens só têm interesse pelo milagre da Ressurreição. O pavor da sexta-feira toma vulto e os mais cordatos exclamam: “Crucificastes um inocente! Quem nos ajudará para que o castigo de Deus não nos atinja?!”

O Comandante se aproxima desse grupo, em companhia de Lázaro, dá ordem de silencio e diz: “Cidadãos de Jerusalém, acalmai-vos e recolhei-vos a vossos lares! Jesus, o Crucificado, vice! Não O temais, pois se quando Homem era vosso amigo, muito mais o é hoje, como Ressurrecto! Seus Ensinamentos de Amor e de Humildade perduram. Crede Neles, amai-vos uns aos outros e esquecei a tristeza dos últimos dias, pois Ele padeceu por culpa alheia e redimiu nossos erros – conforme consta em Isaias, tendo portanto resgatado a Palavra de Deus! Cabe-nos provar que Ele não padeceu em vão! Suas Palavras: pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem! – provam Seu Amor Imenso para com os homens. Já não mais necessitais da casta sacerdotal, porque Jesus assumiu o ofício de Sumo Pontífice. Ele vive! Deseja porém habitar em nosso coração, como se fora Seu Templo consagrado por Deus. Ide pois para casa e quebrai calmos! Nós, romanos, protegeremos vossa crença!”

Fazendo uma continência, o Comandante retrocede. Lázaro porém alegra-se com este novo irmão na fé e diz: “Como foste inspirado pelo Espírito Divino! Realmente, o Evangelho contém uma Força Divina que traz a ventura àqueles que crêem!”

Em Betânia

Após longa cavalgada, os dois chegam a Betânia, onde são recebidos com todo carinho. A novidade já havia ali chegado e agora é confirmada a todos, inclusive a empregados e servos: Jesus vive! Penetrou pelas trevas da morte e tirou-lhes todo o pavor e tristeza! Agora é que Martha compreende Suas Palavras: “Eu sou a Ressurreição e a Vida!” Maria porém, comumente calma, está completamente alterada e faz tantas perguntas que ninguém se vê capaz de lhe responder. O Comandante então se aproxima e diz: “Acalma-e e se alegre! Jesus te saúda como a todos aqui!” Imediatamente ela se aquieta e agradece ao romano pela palavra oportuna, pois era este o pão pelo qual seu amor ansiava. Assim, estende as mãos e agradece mais uma vez ao Comandante pedindo-lhe considerar esta casa como sua.

Após pequeno repouso no qual os viandantes se refrescam, os pormenores são mais uma vez relatados: a noite vem, passa e ninguém se queixa de cansaço. O inesperado não permite maior sensação de felicidade do que: “O Mestre vive e talvez também nos venha procurar!” Maria, irmã de Lázaro, até dá ordens para deixar tudo preparado para a recepção. Assim se passam alguns dias de meditação e expectativa. Amigos chegam e o maior prazer para o Comandante é a vinda de Maria, Mãe de Jesus, e Madalena que pretendem demorar-se por mais um tempo em Betânia.

Certa manha, um mensageiro de Kis traz a notícia da visita de Kisjonah, que ali chega ao meio-dia. A alegria se eleva ao máximo quando ele e Maria vislumbram, juntos no mundo espiritual! Espíritos celestes transmitem-lhes a imensa felicidade de todos, que há muito desencarnados perambulam nas trevas de seus conceitos quanto à missão e ao destino de suas exigências, e podem agora se agarrar à Mão Abençoada de Jesus, a fim de serem conduzidos à libertação integral de todos os erros. Um anjo luminoso explica-lhes: “Desde o início da Criação total jamais foi observado que o Bem se impõe e o Amor vence! Bem que estremecemos de dor quando o Senhor, no invólucro do Filho do Homem Jesus, ofertou-se em holocausto e com isto concedeu um novo espírito à Sua Criação. Que imensa alegria, porém, sentimos ao ver a felicidade patente de todos que se consumiam nos túmulos de seus conceitos mundanos! Já não existem portas seladas, não mais necessárias sentinelas, pois cada qual é seu próprio vigia! Nós, porém, deparamos respeitosos as manifestações desse novo espírito em todos os corações que amam Jesus e desejam colaborar em espírito em Sua grande Obra de Salvação. Muitos se apresentam para tal cooperação por gratidão. Pois o Céu bem-aventurado tornou-se posse comum daqueles que nesta Terra reconhecem Jesus como nosso Senhor, pelo que o poder do mal se desvanece de modo potente!”

Após pequena pausa, o anjo prossegue: “Deveríeis ter assistido como Lúcifer,? o irmão rebelde, e seus anjos se reuniram em Gólgota para provar a seus vassalos: “um poderoso sempre será poderoso! (isto é: ele não se curva humilde diante da Vontade Divina!). “Por isso”, prosseguia ele, “o poder em breve cairá em minhas mãos!” Eis que, porém, sofreu sua maior derrota! Pois o Grande não só Se tornou Pequeno, mas tornou-Se o mais ínfimo! Assim foi dada para sempre a possibilidade do mais ínfimo do Espírito de Jesus, poder ser elevado ao Altíssimo. Se até então o Olhar de Deus Se regozijava com a pureza de uma alma e comprazia-Se com todas as que, ordenada e consciente, se esforçavam em cumprir a Lei, - Seu Semblante agora Se inclinou especialmente àqueles que muito pecaram. Amorosamente Ele lhes estenderá Sua mão Paternal, para que também consigam se aposentar da Salvação e fazer penetrar sua alma na do Salvador!

Assim, ouvi: tudo que vemos também é visto por Lúcifer! Seu maior aborrecimento consiste em não mais poder ele obstar essa Vida Espiritual de Getsemane e Gólgota. Regozijai-vos! Alegrrai-vos, criaturas deste planeta, pois o Céu desceu para junto de vós! Os anjos, felizes, descem até aqui e desejam cooperar na construção do novo Céu que erigiu seu firmamento neste orbe e se revela a todos pelo Espírito Vivificador de Jesus dentro da criatura! Amém!”

Lágrimas de alegria enchem os olhos dos presentes, a quem estes acontecimentos espirituais são relatados; entretanto, falta-lhes o mais sublime ao coração: o Próprio Jesus, Amado! E já se desvanece a esperança de revê-Lo.

Onde está Jesus?

Mais tarde ainda chegam amigos de Tiro e Sidon para buscar a confirmação do fato. “Pois, trazê-quanto à aparição de Jesus; por isso dize-nos, amigo fiel, já o viste?”

Lazaro aponta para Maria e Madalena, e diz: “Foram as primeiras a vê-Lo: também O vimos, mais tarde. E se tivésseis a fé profunda em Sua Missão e meditado em Suas Palavras, também já teríeis passado pelo milagre de Sua Ressurreição! Todavia, não é isto o mais importante; imprescindível é que creiamos estar Ele Vivo e que também poderá viver dentro de nós pela nossa fé, que vos levará ao convívio íntimo com Ele e mostrando a necessidade de observarmos a Sua Vontade e procurarmos cumpri-La.

Asseguro-vos! Agora será revelado ao mundo o Homem Jesus encarnou a fim de pagar, pelo sacrifício, a antiga culpa de todos! Cumpre-nos trazê-Lo dentro de nós para pagarmos nosso débito para com o Espírito Divino. Assim Sua Vida se torna um exemplo e Sua morte e Ressurreição são a âncora na qual se pode apegar quem quiser! Onde existe uma vontade séria, a força do Alto nos assiste. Através de Seus Afastamento Físico recebemos fluidos e vida espirituais de Seu Poder e Vida.

Enquanto Se achava em nosso meio, Dele recebemos Graça por Graça; se agora, porém, aceitarmos e aplicarmos Sua Vontade Santa, também poderemos transmiti-la a outrem! E assim perdurará em eternidades que a maior bem aventurança consiste na feliz prática de dar o Seu Amor em nossa vida!

Compenetrados, todos fitam Lázaro, cujas palavras deixam impressão profunda nos recém-vindos. O desejo oculto, porém, de também poderem ver Jesus era maior que a fé e o intercâmbio íntimo com Ele!

Lendo esses pensamentos, o Comandante externa suas ponderações: “Perdoai-me, caros amigos! Estais à procura de Jesus aqui, em Betânia?! Ignorais o que vos suplicou: Permanecei em Meu Espírito que também ficarei convosco?! Acreditais por acaso que Jesus o Ressurrecto, vos procurasse como fez em vida? Não! Sua missão planejada de eternidade está concluída! Agora as criaturas recebem de Seu Amor pela Sua Vinda na carne, e Sua morte na cruz foi o selo, a confirmação do ato final! Céu e a Verdade manifestada, achamos o caminho para Ele e a força de percorrê-lo, que muitas vezes se apresenta árduo. A centelha divina dentro de cada criatura indica a direção e estimula a vontade de agir como Ele exemplificou.

Oh, se O tivesse conhecido antes! Eu, que mandei aplicar-Lhe o mais ignóbil, precisamente eu pude assistir ao maior milagre de Seu Amor. Pois Ele – o Amor Eterno – perdoou-me, e uma alegria celeste anima o meu coração desde que sei que Jesus vive! Por isso, não procureis o Senhor externamente! Tratai de vos tornar o que Ele foi – e Ele estará convosco e dentro de vós. Então também passareis pelas benção que me foram proporcionadas! Agora, porém, calarei; pois meu coração me ordena silencio!

Admirados, todos fitam o romano e se calam. Sentindo que a Graça agira profundamente nos corações de todos, Lázaro diz de si para si: “Acalma-te, coração! Quanto mais me aquieto, tanto mais acessível serei para Esse Espírito Misericordioso!”

Em seguida, prepara-se uma ceia em honra dos amigos, onde se reserva um lugar para o Esperado. Lázaro e Kisjonah relatam vários fatos da Vida de Jesus, o que alegra muitos; até que o anfitrião convida os hóspedes a descansarem para, cedinho, observarem a aurora do monte próximo.

A Aurora Gloriosa

Rapidamente se passam as poucas horas da noite. Lázaro já havia feito todo preparativo no monte, e quando passa a vista sobre as cobertas e tapetes arrumado vê um homem se encaminhar em sua direção. Lázaro vai-lhe ao encontro para cumprimentá-lo e indagar-lhe do seu destino. Eis que para sua respiração e ele cai como morto por terra: reconhece no estranho o Mestre!

Este pousa sua Mão sobre sua cabeça e o ajuda a levantar-se dizendo: “Meu irmão, senti-Me atraído poderosamente para junto de ti, pois teu amor é bálsamo para Meu Coração! Portanto, fortifica-te também no Meu Amor, para que possas cumprir teus deveres com o próximo, tornando-te e permanecendo um receptáculo de Minha Vida de Amor! Agora vai buscar teus amigos; não Me denuncieis, pois devem Me reconhecer por si próprios!”

Lázaro beija as Mãos do Mestre, enquanto lágrimas de alegria incontida correm pelas suas faces; em seguida volta rápido à casa e convida todos a virem para o monte; também as irmãs ordena entregarem o trabalho às servas e acompanhá-los.

Perplexas, Maria e Martha fitam o irmão e ao observarem ter ele chorado, a primeira lhe pergunta: “Mano, por que estás triste a ponto de chorares?” Responde ele sorrindo: “não foi tristeza, mas sim alegria a causadora. Vinde comigo! Cheias de pressentimento santificado, elas acompanham o irmão!

Os outros não sabem como interpretar essa pressa, e, além disso, estavam tão absortos num assunto, que não percebem um homem de manto branco acompanhá-los ao monte. Neste ínterim, também chegam Kisjonha, Nicodemus e os antigos de Tyro, entretidos num tem sério, do qual Lázaro ainda percebe as seguintes palavras: “Não é importante poderdes afirmar: - “Vi Jesus! Ele ressuscitou em verdade!” – mas sim, seria da máxima importância que futuramente revelemos Seu Espírito de Amor em nossa vida, e testemunhemos assim Sua Ressurreição! Desta forma Ele não terá morrido em vão e Sua Ressurreição ter-se-á tornado verdade dentro de nós e a prova insofismável para todos os seguidores: Também posso viver em verdade pelo Seu Espírito dentro de mim!”

Lázaro se alegra com o zelo dos amigos e sorri, calado, para o Mestre. Então os amigos param, lançam um olhar em redor – e reconhecem o Mestre! O mesmo se dá com os outros e todos choram de alegria. Respeitosos, ouvem Suas palavras: “Paz, Paz abençoada seja convosco! Meu Sentimento para convosco Me traz ainda uma vez para o vosso meio a fim de vos provar Meu Amor e Humildade. Vede Minhas Mãos! Vede Meus Pés! Perfurados pelas mãos de Meus filhos cegos! Contudo, vos abençoarei!” Assim dizendo, Jesus vai de um em um e passa Sua Mão sobre suas cabeças. Começa por Maria, Sua Mãe, e diz: “Todos que conhecem sabem que Me amas. No futuro, teu amor para Comigo será qual sol que surge no Céu, e por ti muitos dos Meus filhos compreenderão o que o Amor é capaz de suportar e realizar! Permaneceremos unidos!”

A Madalena diz: “Minha filha! Enquanto o desejo de Me ver dor maior que a vontade de te apossares de Minha Vida de Amor, não serás satisfeita! Amor! Ama o Amor e jamais te deixarei! Não deves, porem, querer cingir-Me com teus braços, mas sim com teu coração!” E assim Jesus dirige a cada um palavras de promissão de amor. Quando junto de Kisjonah, diz: “irmão, falta apenas Me substituíres com os teus e todos de teu convívio.”

Abençoado Lázaro, Maria e Martha, Ele diz: “Também vós, Meus Amados, deveis revelar Meu Amor aos que vos procuram! Sabeis que Betânia foi consagrada para o Céu; todos, até o mais simples aqui, devem saber que sois Meus e que toda vossa posse a todos pertence no momento em que Meus seguidores caiam em miséria. Fazei parte da comunhão com Meu Espírito, não só vós, presentes, mas todos os que se acham unidos pelo Verbo e pelo Espírito de Meu Amor; pois se bem que não permaneça Visível aos vossos olhos, ninguém deverá sentir Minha Ausência! Vosso coração a todos revelará: Estou convosco todos os dias e horas! E agora vos coloco em Meu lugar: tudo que disserdes ou fizerdes neste espírito deve ser como Eu o tivesse dito ou feito”, pois no futuro dever-se-á confirmar que nada fareis sem Mim. Portanto, daí ao mundo cego e faminto, desejoso da Luz do Amor, o Meu Verbo e um Reflexo de Minha Vida Eterna. Assim como a morte foi banida por Mim, permitindo que Minha Vida penetre todo o infinito, - também se fará convosco! Por isto, permanecerei Comigo, que ficarei convosco para sempre!

E agora, libertai-vos! Libertai-vos de todas as fraquezas, de toda ignorância, dos falsos conceitos quanto à Minha Existência como vosso Deus, Que Se tornou vosso Pai Amoroso pelo Homem Jesus! Tornai-vos testemunhas de Meu Ser, - e conseguireis romper elos, correntes e grilhões do inferno! Tudo que ora se encontra tolhido espera libertação por vós, e o que ainda está oprimido é entregue a vossos cuidados! E assim vos deixo, ficando no entanto convosco! Dias virão em que vos sentires abandonados; todavia, estou junto de vós! Sofrimento e provação não de vos querer enfraquecer. – Mesmo assim, serei vossa Força íntima! Por isto, considera: Meu Verbo, Meu Ensinamento que deixo exigem independência e uma criatura livre e satisfeita! Sempre dentro de Mim, para toda a Eternidade! Minha Benção e Paz sejam convosco! Amém!”

Após estas Palavras, o Senhor desaparece. No monte reina silencio profundo; todos estão comovidos, alguns choram. Depois de terem perscrutado no coração o eco daquelas Palavras, Lázaro diz:”Caros amigos! Desejo vos agradecer mais uma vez por tendes vindo. Estou certo de que só assim recebi a Graça de rever nosso Amado Senhor e Mestre. Do mesmo modo reconheço com gratidão este Amor de nosso Deus e Pai Fiel, que sabe a razão de tudo. Agora, no entanto, aconselho-vos o seguinte: Não mais viveremos do passado e das recordações, mas sim para o presente e futuro. Sabemos agora que devemos apenas nos lembrar do Senhor em tudo que empreendermos. Por sua Ressurreição recebemos a prova irrefutável de Ele estar vivo e assim também vive de Seu Amor para conosco. Nesta hora matinal presenciamos o início de uma Alvorada Eterna, e somos destinados a viver e testemunhar para sempre, pois recebemos Dele a liberdade total.”

Tendo, súbito, a visão espiritual, Lázaro prossegue: “Ó Terra, o que foi dado assistir! Mal te refizeste do susto quando teu Criador faleceu fisicamente, sentes novo estremecimento em teu organismo! Ciente de que teu Criador não permaneceu na morte teu sofrimento passou rápido. Agora foste honrado pelos Seus Pés Santificados, - recebeste uma nova semente! Ó Terra, tão regiamente agraciada! Pede ao Criador que ilumine criaturas e convoque anjos para protegerem esta nova semente! Pois somente pelas dores mais atrozes este fruto espiritual poderá surgir! Vejo povos surgirem e desaparecerem, - mas tal semente de Deus, nosso Senhor, substituirá! Mais distante vislumbro uma época onde tudo ruirá, o amor esfriará e a maldição das más ações fecundará um outro espírito. Este precipitará o final! Ó Terra, novamente sangrarás de milhares de feridas e os próprios elementos ameaçarão destruir-te. Eis que então o espírito da Meiguice e do Amor, unidos à mais pura Humildade, apresentar-se-á esparsamente, e desfará tua maldição! Uma nova onda de amor inundará teu corpo magoado e receberás após longo tempo o Amor Divino, como orvalho e bálsamo!

Todos os grandes espíritos se dirigem para junto de ti! Cada qual deles ser socorrista nesta Terra, pois passarás pelo máximo milagre: Lúcifer, teu prisioneiro, abrirá pessoalmente as portas de sua prisão e se curvará diante do espírito ressurgido do Amor Divino! E tu, Terra resplandecerás no brilho matrimonial; pois teu Criador, Deus e Mantenedor caminhará de Mãos dadas com Lúcifer sobre teu corpo enfeitado com flores e frutos. O sangue que Jesus verteu e que santificou teu solo tornar-se-á uma fonte de Poder e Glória Eternos. E, Tu, Gólgotas, serás uma fortaleza na vida espiritual, o pouso da Paz Eterna que inimigo algum poderá desafiar! Pois será vencido para todo o sempre! E tu serás o abrigo onde os perdidos encontrarão a salvação eterna!

E agora, ó Terra, criação santificada, recebe nossa gratidão por termos tido ciência disto desde já! Amém!”

Virando-se para os irmãos perplexos: “Sim, meus caros, vi isto por minhas visões! Não vamos porém esquecer do Senhor, e cumprir nossos deveres como criaturas para seu semelhante e em consideração à Terra. Assim, Sua Benção não nos faltará! Entretanto o acontecimento desta manhã quase nos tira o sentido para a matéria; por isso vos convido a entrar e tomar alguma coisa, e talvez empregarmos o dia para qualquer utilidade!”

A despedida do monte memorável se torna um pesar para todos. Maria e Martha, porém, lembram-se de suas obrigações quanto aos hóspedes e se apressam a voltar á casa. Lázaro é o último a entrar. Durante a refeição todos estão alegres recordando os últimos fatos.

PILATUS

Em meio a refeição, se abre a porta para dar passagem a um soldado em vestes romanas, que faz entrega de uma carta do Comandante. Ao recebê-lo, o último reconhece seu amigo celeste e diz, sorrindo: “Desde quando te achas a serviço de Roma? O anjo responde de modo peculiar: “Estou a serviço do Amor Eterno! Lê esta carta e verás quão necessários te são meus préstimos!”

O romano abre o selo, lê e empalidece: Trata-se de uma chamada de retorno para Jerusalém! Caso não obedeça terá de contar com sua prisão! O Sumo Pontífice o havia culpado perante Pilatus de apoio no roubo de Jesus, da tumba, pois faltam todas as provas de Sua Ressurreição! Além disto, consta na missiva ter Jesus aparecido apenas aos amigos; por que não o fizera no Templo?

O comandante não mais se detém. Urge se despedir de todos os amigos, tão caros! Mas efusivo que de costume é o aperto de mão em Maria madalena, que externa votos de felicidade e paz!

Nicodemus também o acompanha e, junto com o anjo, essa cavalgada se torna agradabilíssima. Perto de meio-dia o Comandante se apresenta a Pilatus, admirado dessa visita, de sorte que o primeiro diz: “Se não tivesse sido da Vontade do Nazareno, eu teria apenas agora a mensagem em mãos. Assim informado por este mensageiro, vim rápido para desfazer a acusação contra mim! Antes de mais nada, está na hora de desmascarar Caifás! Meu irmão, ou as afirmações do Templo são verídicas, e mentira a Ressurreição de Nazareno, - ou vice-versa! Sei positivamente: Jesus, o crucificado, vive – conforme já te havia declarado!

Falamos-Lhe hoje em Betânia, e Ele nos assegurou que também nós poderíamos desfrutar desta nova vida, através do Seu Espírito! Por isto, manda este mensageiro – é um anjo e servo divino – para lá e pede um relato por escrito a respeito dos acontecimentos de hoje! Enquanto isto, contarte-ei o que assisti e poderás comparar ambos, obtendo assim uma prova concludente da verdade! Pois não se trata aqui de minha honra, e sim da Verdade quanto ao Ressuscitado Jesus!”

Pilatus aceita tal sugestão e manda aprontar uma missiva dirigida a Lázaro em que pede que lhe sejam relatados todos os fatos ocorridos desde a Páscoa! Necessita de provas, porquanto o Comandante é acusado de ter afastado o corpo de Jesus com auxílio de amigos e apresentar um substituto do povo!

De saída, Pilatus na dava crédito a esse soldado um anjo; julga que o Comandante o tivesse encontrado já no caminho de volta. Por isto, convoca alguns militares em cuja presença o romano faz o relato, durante o qual Pilatus às vezes o fita perplexo, sem contudo interrompê-lo. No fim ele estende a mão para o outro e diz: “Se ambos os relatos tiverem alguma semelhança, far-te-ei justiça! Esperemos, pois!

Não se passam nem duas horas – tempo necessário para Lázaro responder – e o mensageiro está de volta, lhe entregando o pergaminho. Pilatus apenas olha a assinatura que lhe provava a identidade. Em seguida faz a leitura toda em voz alta e constata o mesmo teor. Agitado, ele caminha para cima, para baixo, estende a mão ao Comandante romano e diz: “Perdoa, se por um momento não te dei crédito como romano e aceitei as acusações habilmente engendradas pelo Templo. Enviar-te-ei numa missão secreta para Roma. O Imperador deve ser orientado sobre os acontecimentos: Condenamos um inocente através de um julgamento feito pelas aparências! O que aconteceu não se pode desmanchar! Prepara-te, pois para a viagem em que uma corte te acompanhará! Todavia, deve ser segredo para o Templo! Podes levar este teu amigo e amanhã cedo receberás os documentos necessários!” Com isto, Pilatus se despede.

O Comandante é intimamente tocado por esta reviravolta que o obriga a deixar Jerusalém! A figura de Madalena surge diante de sua alma, e ele pensa: “Como me custa deixar-te! Todavia, ordem é ordem!” De pronto vem-lhe o pensamento de passar por Betânia e fazer um pequeno repouso. Eis que o anjo o toca e diz: “Caro amigo! Agrega-te de tua missão que te permite testemunhar em favor de Jesus! Não existe caminho demasiado longo, nem trabalho penoso e sacrifício por demais pesado! O que fazes por Jesus, farás por ti e por todas as criatura. Pilatus teme perder seu posto por ter condenado um inocente e espera amenizar a severidade do Imperador por teu intermédio; pois foste testemunha de Sua Ressurreição. Não irei contigo; irei apenas quando for Vontade do Pai. Dentro em breve Jesus será visivelmente elevado – como uma nuvem – desta Terra! Será a prova do término de Sua Missão como Homem e dará início a uma nova época! Deveis então por em prática Seu Exemplo e acreditar o que ensinou! Assim virá para junto de todos que cumpriram tais condições e os bafejará com Seu Espírito de Amor e Verdade! Vai em paz! O Senhor esteja contigo!” - e o anjo desaparece.

Entrementes, Pilatus volta para convidar o romano acompanhá-lo durante a refeição. E ainda indaga: “Onde está teu amigo extraordinário?” - e se admira ao ouvir: “Voltou de onde veio, pois não é criatura, mas um anjo, um servo de Deus!” Pilatus fita o Comandante com ares de suspeita e lhe pede segui-lo aos aposentos privados. Em lá chegando, a mulher de Pilatus os recebe e este lhe diz, rindo: “Eis nosso hóspede que, como tu, é devoto do Nazareno e até testemunha de Sua Ressurreição! Nunca pensei que Jesus de Nazareth ora me desse mais preocupação do que quando vivo! E quem sabe o que está por acontecer!”

O outro protesta: “Não é bem isto, pois trará apenas preocupações para aqueles que duvidam de Sua grande Missão e O julgaram sem exame prévio, como fez o Templo! Procura Seus amigos, homens honestos, judeus e romanos respeitáveis! Lá saberás da Verdade de Sua Doutrina! Que amizade sincera reina entre eles e que zelo em fazer o bem! Jamais vi coisa idêntica! O mais maravilhoso nesses Ensinamentos de Jesus é: somos todos irmão e El – nosso Criador, Deus e Senhor – deseja ser Pai de todos que pretendem aceitar Sua Vida Divina! Esta Vida se manifestará como amor desinteressado e ação abençoada, no coração! Somente assim será possível segui-Lo, a fim de alcançar a meta maravilhosa da Semelhança com Jesus, mais consciente no Amor, na Verdade, para fazer surgir nesta Terra uma nova raça provinda do novo espírito! Pois, ódio e mentira só acabarão quando forem imediatamente reconhecidos através do Espírito Divino dentro do homem e nós não mais nos deixarmos por ele enganar ou dominar. Por isso vou a Roma! Antes, porém, pretendo me despedir dos novos amigos e Betânia. Talvez desejais me acompanhar para conhecer naquele ambiente tal espírito novo de amor fraternal e respeito recíproco?”

Pilatus declina: Cláudia, sua esposa, porém, pede-lhe tão insistentemente que ele termina por dar seu consentimento. Em seguida tomam a refeição. Enquanto isto, é feito o relato para o Imperador, selado por Pilatus, que faz entrega ao Comandante. Cláudia então pede ao marido para dar ordens de partida até a noite. E assim tudo é aprontado para a viagem: dois tenentes recebem a incumbência de organizar o equipamento para dois meses. O romano deve apresentar-se dentro de duas horas, pronto para a partida. Este ainda escreve umas linhas a Nicodemus, informando-o de sua viagem a Roma, em assunto referente a Jesus.

A hora marcada, soldados e cavalos estão prontos no pátio e o pessoal está cheio de curiosidade em virtude dessa viagem imprevista. Pilatus, acompanhado do Comandante e da própria esposa, se aproxima destes homens hercúleos e diz: “Este Comandante é por mim enviado em missão especial para Roma e é uma honra para vós poder acompanhá-lo! Eis porque espero que o defendereis com a própria vida! Nosso futuro depende do bom êxito desta viagem e conto com vosso feliz retorno. Fiat! Ao receber o romano o comando do pequeno destacamento, ele diz: “sigamos em Nome do Todo Poderoso! Seu auxílio nos levará ao destino!” Pilatus e a esposa tomam assento num carro à parte e a comitiva se põe a caminho.

O dia está prestes a findar. Em Betânia a alegria é sincera com a chegada da visita trazida pelo Comandante. Com amabilidade, Lázaro cumprimenta o casal e o conduz à sua residência, dizendo: “Considera-a tua, nobre senhor, e que possas sentir o espírito que a domina!” Em seguida, apresenta-os aos outros.

Extremamente comovido fica o romano quando defronta a Mãe de Jesus, cujo olhar sereno e o suave aperto de mão lhe dizem: “Aqui não só existe o perdão humano, trata-se da compreensão celeste!” – o que lhe faz sentir a imensa culpa que julgou lavar de suas mãos e o leva a balbuciar: “Se naquela ocasião soubesse o que hoje sei, Jesus estaria vivo!”

Maria lhe responde com meiguice: “Ele vive, pois venceu a morte e perdeu pelo profundo Amor! Por isto nada tenho de relevar-te Dentro da compreensão do Senhor, digo a ti e à tua esposa; Sede bem vindos em Betânia! Que o espírito de paz e de amor também vos penetrem, a fim de que guardais esta hora abençoada! Se bem que o nosso sofrimento e dor tivessem sido insuportáveis, - a alegria de Sua Ressurreição é mil vezes maior! Pois aqui age a Graça Divina de modo potente!”

Também o Comandante cumprimenta os amigos e os informa de sua nova missão. A seguir procura Maria Madalena. Retendo sua mão com carimbo e perdido no seu doce olhar, ele diz: “Somente por tua causa voltei aqui; amanhã terei passado as fronteiras da Judéia.”

Após certificar-se que todos se acham bem acomodados, Lázaro promete conversar à noite, particularmente, com o romano.

Durante a ceia reina franca alegria e quase se esquece a presença do dignitário de Roma, João, meigo e sereno, relata vários fatos da Vida do Senhor. Quando, porém, Lázaro comenta sua própria ressurreição por Jesus, o orgulhoso romano desata a chorar. Depois diz: “Oh, minha culpa minha máxima culpa assume dimensões que me sufocam! Quem poderia me livrar de tal pecado?!”

Lázaro pousa as mãos no seu ombro e diz: “Irmão, não existe culpa que não possa ser remida pela boa ação! Se realmente desejas isto, aplica toda tua influência no sentido de evitar que os amigos de Jesus venham a sofrer a perseguição no Templo, que não desistirá de combater a Doutrina de Jesus. E nesta caridade sentirás ter Jesus te perdoado! Bem que estamos convictos de Sua Verdade, Força e Glória Divina; - deveria, porém, tal conhecimento ser apenas nossa posse? Oh não! A Humanidade toda terá de saber: Nele Se manifesta a Força e a Glória de Deus!”

Lázaro se cala. Pilatus não lhe dá resposta e fica meditando. Seu íntimo trabalha poderosamente e se recorda mais uma vez das cenas passadas, e a pergunta insistente se faz ouvir: “O que é verdade nisto tudo?” Eis que ele tem a impressão de ver um Sol dentro de si. Calado, ele sai.

Cláudia observa seu marido e diz a Maria: “Deixai-o; necessita de solidão, pois as impressões que passamos foram fortes demais. Por que não nos conhecemos anteriormente? Muita luta e sofrimento nos teriam sido poupados!”

Maria a consola: “Deixa o passado! Quando a noite passa e o dia surge, revelando-nos com sua luz todas as belezas da vida, não mais nos lembramos da noite, e sim, alegramo-nos e agradecemos ao Bondoso Criador, de corações animados, ter Ele nos mostrado uma partícula de Sua Criação. Faze com que isto também se dê contigo: os últimos dias se assemelham a uma noite onde fortes trovoadas e terremotos se revezavam. Já fazem parte do passado e diante de nós está um dia que não passará mais! Jesus é vivo! Foi-nos somente tirado por algum tempo a fim de permanecer eternamente conosco, à medida de nossa vontade e dedicação!

Diz Cláudia: “Mãe abençoada! Não entendo bem as tuas palavras; no entanto me preenchem de uma felicidade estranha, jamais vivida. Vosso amor, vosso união demonstram o que sempre procurei. O que em nossa sociedade é exigido pela cortesia e o costume, encontro aqui de modo singelo em vosso aconchego, pelo qual meu coração de há muito ansiava.”

Nesse permeio, o Comandante palestra com Madalena, o que representa uma dádiva especial para ambos. Quando Pilatus sai, Lázaro o acompanha ao jardim, onde tomam assento à sombra de uma árvore frondosa e o último diz: “Meu amigo, sinto o desejo de não deixar-te a sós com tua luta íntima. Também passamos por isto, pois que a Doutrina de Jesus abalou todos os nossos conceitos errôneos! Não te culpes dum crime, e sim, deposita tudo aos Pés Daquele ao Qual julgas ter aplicado a maior injustiça! Segui-te por saber que Jesus deseja que ajudemos e amparemos todos os sofredores! Passarás pela mesma metamorfose que nós: o antigo desmoronará para dar margem à verdade! Já se fazem sentir dentro de ti os raios da esperança da paz vingadora. Asseguro-te ser isto prova do perdão de nosso Eterno Amor Divino, reconhecendo em Jesus o Senhor Onipotente de Céus e Terra! Vendeu a morte e sua Promessa de Paz foi feita também para Seus filhos, irmãos e seguidores, irmão, não vivas mais passado, e sim para o futuro!”

Respondeu Pilatus: “Bom amigo! Realmente, o dia de hoje deu-lhe nova vida, muito embora não possa defini-la após aquilo que se passou, por não ser possível se apagar inteiramente o passado. Com satisfação teria salvo Jesus, porquanto minha esposa me contara tê-Lo visto em sonho, rodeado por inúmeros anjos, que exclamavam constantemente: “Salve o eterno Vencedor de inferno e morte! E ai de vós, em Jerusalém, que O julgastes e crucificastes! Vosso prêmio será a morte eterna!” não me foi possível salvá-Lo, e as acusações dentro de mim – por não ter feito tudo que era necessário – não se acalmam. De um lado sinto-me atraído para o vosso meio e para Jesus; - do outro, vejo minha culpa!”

Responde-lhe Lázaro: “Irmão! O futuro de trará novas tarefas para servir Aquele pelo Qual teu coração anseia; e com isto cairão as muralhas erigidas por tua culpa! Agir dentro do Espírito de Jesus representa o resgate salvador de nossa culpa; a medida que for resgatando meu débito, estarei reconstruindo! Em breve revelar-se-á dentro de ti que tua ação será abençoada! Se tu queres tornar digno desta Graça Divina, vigia os templários; pois seu orgulho não conhece limites, apenas se curvam diante dos romanos. Receberás em teu íntimo a confirmação que foste por Ele dignificado para trabalhar para Sua Grande Obra! Vê, todas as maravilhas celestes nada representam diante daquilo que Deus reserva para os que Ele labutam e afirmam: Ele é meu senhor e Deus, meu Pai e Mantenedor! – Entremos, pois as horas passam rápidas, enquanto o Espírito do Amor Eterno perdura caso nos mantenhamos Nele!”

Ambos se levantam e Pilatus diz: “Sinto que és meu irmão; continua, pois, amparando-me e dando-me forças! Se acaso recair nas antigas dúvidas, sacode-me, relembrando este dia! Todavia, espero que Jesus levará a vitória sobre mim!” Aduz Lázaro; “Regozija-te, a maior felicidade do homem provém Dele! “Ambos entram na casa e Pilatus vê sua esposa, feliz, ao lado de Maria. Aproximando-se, ele diz: “Queridas! O dia de hoje representa o começo de uma nova era em minha vida, pois sei não poder passar sem este amor! Não é concebível do que até hoje fomos privados. Bem que procurei servir ao Imperador no cumprimento da verdade, justiça e dever! Agora compreendo que sem este espírito do amor, respeito e dedicação tudo isto é inócuo! Por isto, agradeço-vos a todos! Primeiro a ti, meu Comandante, por teres tido a coragem de projetar tua vida espiritual em minha presença! E avós, amigos de Betânia, por me tendes mostrado o Espírito de Jesus de Nazareth! Poderia ter dispensado estas palavras, pois aqui tudo é compenetrado do espírito do amor e da compreensão! Espero, porém, poder provar que faço parte de vosso meio e desejo cooperar, conforme o Crucificado pregou! Por hoje, adeus!”

Também Cláudia se despede e diz: “As poucas horas que privei convosco me inundaram o coração! Não me é possível expressar o quanto me destes de compreensão e afeto! Minha gratidão sincera, pois a Ti, Jesus! Quais não serão as maravilhas de que dispões, alegrando-nos, embora não Te houvéssemos acompanhando! Em breve retornaremos para nos unir no serviço e no amor!”

E Lázaro finaliza: “ide, acompanhados pelo espírito da paz e firmai-vos na fé e confiança em Jesus, nosso Senhor!”

MARIA MADALENA

Em seguida, Lázaro se vira para o comandante e diz: “Vem, irmão, vamos ao jardim, porquanto desejas falar-me!” Lá, sentem-se a uma mesa e o romano começa: “Meu caro, teu amor foi para mim uma caridade jamais sentida. Agora sentimento: Sabes que vou a Roma; no entanto meu coração fica em Betânia. Amo Maria Madalena e desejava desposá-la; entretanto ainda não me declarei, e assim – meu futuro é incerto. Ela se acha hospedada em tua casa, e te peço que a mantenhas aqui até minha volta. Se me fosse possível constituir um lar como o teu – sendo um refúgio para os amigos do Mestre – com prazer deixaria minha carreira militar”.

Responde Lázaro, satisfeito: “Cumpre primeiro teu dever nesta causa justa e divina, pois a Graça que auferiste e tudo aquilo que pudeste assistir no campo espiritual obrigam-te ao maior zelo pela Causa de Jesus! Madalena seria ao Mestre como ela. Não sendo pobre o vosso futuro, portanto ser repleto dos raios da Graça do Amor Divino, seria fácil manterdes um abrigo fraternal para os necessitados! Farei uma busca neste sentido, mas não aqui, e sim fora da Judéia, pois o Próprio mestre me revelou: “Aqui não ficará uma pedra sobre a outra!”Assim, já tens meus votos sinceros para vossa felicidade futura! Agora, deixa-nos entrar!”

De volta à sala, o Comandante pede uma entrevista com Madalena; hesitante, ela o acompanha ao jardim. Demonstrando um ligeiro acanhamento, ele diz: “Maria Madalena! Amanhã estarei longe daqui, pois tenho de obedecer ao meu dever. Deixo, porém, meu coração e voltei apenas para poder falar-te. Vê, amo-te mais que a mais que a uma irmã! As circunstancias exigem poucas palavras e assim, pergunto-te: Queres tornar-te minha esposa? Necessito de ti como auxiliar e conselheira para minha nova vida! Por gratidão a Jesus desejo construir um lar para abrigo de Seus amigos. Já falei com lázaro, que me prometeu ajuda; e agora te peço uma resposta sincera. Seja qual for, - sempre serei teu irmão espiritual!”

Pensativa, ela responde: “Caro irmão! Também já refleti de que maneira poderia ser útil ao Querido Mestre! Por ora tencionava auxiliar Lázaro e as irmãs. Amo apenas a Jesus! No entanto, ensinou-me Ele que afeto deveria se capacitar a receber as forças necessárias para poder amar e aliviar o sofrimento alheio! Assim, teu desejo por um abrigo para os amigos de Senhor poderia também ser o meu! Entretanto, devo confessar que fui uma perdida e agradeço apenas ao Mestre ter-me tornado novamente uma criatura digna! Por isto, reflete sobre tua proposta, irmão! Somente eu sabendo que tal fosse também a Vontade de Jesus! Poderei ser tua, porquanto aceitasse Seu Espírito e Misericórdia! Fala, pois, e sê sincero!”

Responde o Comandante, contente: Madalena, que importância tem para mim a vida que levaste? Se foste digna do Senhor de toda Vida, de sorte que anulou o teu passado, passado, dando-te a oportunidade de poderes servi-Lo, - considerar-me-ei o mais feliz dos homens como teu esposo. Prometo-te – e Jesus é Testemunha – levar uma vida que jamais te fará arrepender me tereis aceito, que sou estrangeiro, com teu amor!

Comovida, Madalena se ajoelha e ora; “Ó Jesus Bondoso! Depositamos nosso futuro em Tuas Mãos! Protege-nos! Insufla-nos pensamentos justos e conhecimentos acertados, a fim de que possamos realizar nossa união com Tua Benção, testemunhando assim o Teu Amor, Poder e Glória! Amém!”

Súbito, um clarão os envolve – Jesus está diante deles! Diz, cheio Minha filha, em espírito já vos estendi as Mãos; como, no entanto, pediste novamente pela minha Benção, apresento-Me e digo; Sede unidos em tudo, e deixai-Me permanecer em vosso meio, a fim de fazerdes frente às tempestades futuras! Até então pude ser vosso Vigia, vos cuidando como Pai e Mãe! Quando, porém, tiver subido aos Céus, apenas poderei agir dentro de vós! Para tal fim é preciso muita humildade e completa dedicação de vossa parte! Não vos deixeis abater pela dor; entretanto, deveis vos compadecer da dor alheia! Não há sofrimento que vos impeça na alegria de servir, - enquanto as atribuições de outros vos devem fortificar no sentido de afastares o mal que os envolva! Nenhum pecado poderá vos afastar do próximo, pois Eu fui, sou e serei eternamente Aquele que está acima de todos os pecados! Sempre que o pecado tiver irrompido com sua destruição, apressai-vos e estendei, com amor, vossas mãos para ajuda e redenção! Esta deve ser a pedra fundamental para vossa união! Dize-me filha – a fim de que todos os anjos te ouçam – tens outra meta?” Com os olhos rasos de lágrimas, ela diz: “Meu Jesus, sei que a máxima ventura és Tu dentro de mim! Ó Senhor, dá-me forças para a realização! Tua Vontade faça e seja também minha!” Amoroso, Jesus responde: “Achega-te a Mim, filha, pois agora estás purificada! E tu, filho, vem e senti, ambos, as alegrias que proporciono àqueles que Me dedicam sua vida!”

Um cântico celeste se faz ouvir, pois muitos espíritos testemunham esta cena cheia de misericórdia. Em seguida, diz o Senhor: “Acabastes de receber o Sacramento da vossa união! Poucos são os que podem desfrutar desta Graça visível. Continuai bons e fiéis! Afastai-vos de todas as influencias do mal e resplandecei qual astro em noite trevosa, para que Minha Obra progrida e se revele a todo o início da Salvação! Mais uma vez: Recebei minha Benção de Amor e Força, a fim de que vossas pegadas denunciem por toda parte: Aqui caminham filhos de Deus” Amém!”

O Mestre desaparecera! Ambos quedam calados e comovidos; finalmente o romano diz: “Madalena! Estamos unidos diante de Deus” Permanece aqui, onde encontrarás tempo suficiente para relatar a todos sobre o Sacramento que Deus nos consagrou! Enquanto isto, irei para Roma, pois tenho uma tarefa tão maravilhosa agora!” E assim, voltam felizes à casa.

Lázaro propõe que todos repousassem, pois que o Comandante deveria enfrentar uma longa viagem. Assim, os hóspedes se acomodam da melhor maneira possível, enquanto as mulheres se retiram aos aposentos. Mal surge o Sol, todos se levantam e chega a hora da despedida. Uma vez mais o romano e Madalena se estendem as mãos, e suas lágrimas jorram copiosamente. Quando ele, a cavalo, dá origem de marcha, o animal empina, sendo porém dominado pelo punho do militar. Mais um adeus, - e a tropa se encaminha ao destino desconhecido.

ROMA

De longe o Comandante avista a capital romana e ele não pode deixar de agradecer seus soldados pela fidelidade e atenção, que permitiram à caravana toda não sofrer o menor incidente. Num último esforço, alcançam o centro da cidade e procuram de pronto a guarda do comandante geral. Após ter-se inteirado da missiva para o imperador, ele diz: “Isto vem a calhar, pois o nobre Cirênio também está aqui. Vou anunciar-te e teus soldados serão distribuídos nos quartéis”. Uma hora após se ter respeito, recebe ordem para se apresentar ao chefe supremo e pouco depois é recebido pelo Imperador e Cirênio.

Calados, ambos fitam o Comandante que entrega pergaminho selado de Pilatus, que imediatamente é lido pelo Imperador. Nesse ínterim, Cirênio palestra com o Comandante, sendo interrompido pela agitação do Imperador, que lhe entrega o papiro. Pensativo, este aguarda a opinião de Cirênio, que finalmente diz: “Então, ainda duvidas das artimanhas do Templo? De há muito eu estava orientado sobre suas traficâncias!”

Agora o Comandante é convidado a fazer um relato minucioso quanto a Jesus, que se lhe apresenta tal qual era. O imperador, porém, não se convence ter Ele voltado dos mortos. E o comandante é informado de que o Templo já havia enviado mensageiros para Roma, que ontem apresentaram queixa contra Pilatus e ele próprio. Cirênio, no entanto, de pronto descobrira a mentira da denuncia. Só então o Comandante consegue se orientar sdobre o engenho nefasto do Templo e compreende quão necessária fora sua missiva para o Imperador.

Diante de sua alma surge a Figura de Jesus em Seu Infinito Amor para com a Humanidade. Assim, relata a cena triste no Gólgota e finaliza: “Deste modo sucumbiu este Homem Excepcional que desabrocha em Seu Coração um Amor que até perdoava a maior das injustiças! Nem um olhar dele transmitiu alguma reação contra tal acontecimento! Mesmo Seus discípulos e seguidores lhe provaram: Ele queria que assim fosse! – Seu amor sincero e a caridade para com todos provam o espírito da verdade e da renúncia do Mestre. Eu mesmo vi Jesus após a Ressurreição e confesso com alegria: “Ele vive! E nós podemos seguir o Seu Exemplo!”

Cirênio convida o comandante à sua casa; o Imperador, porém, duvida das suas palavras e ao mesmo tempo não dá crédito à denúncia do Templo; por isto, entrega a Cirênio o prosseguimento das negociações. Assim, o romano passa uns dias calmos na residência de Cirênio, testemunhando do Poder e da Glória de Jesus. Os mensageiros do Templo enfrentam uma situação difícil, porquanto Cirênio lhes impõe um interrogatório rigoroso; entretanto, não os podem mandar prender, transmissores que eram do relato do Sumo pontífice Caifás.

Assim termina a missão do Comandante em Roma. É lhe uma grande satisfação poder aí angariar alguns amigos para a Doutrina de Jesus. Como a atração para Betânia se manifesta mais poderosa, pede a Cirênio exoneração do exército para poder se dedicar inteiramente à obra de Jesus. Seu pedido é concedido com prazer, de sorte que segue, na qualidade de comissário, para Sidon e Ásia, encetando deste modo uma viagem de retorno mais fácil. A viagem por mar prova seguidamente a Glória Divina em Suas Obras, o que seus soldados reconhecem com gratidão!

UMA FESTA EM BETÂNIA

Meses mais tarde, todos chegam sãos e salvos a Jerusalém. Após ter satisfeito as formalidades com o Governador e ser aceito como comissário romano, o comandante se dirige à residência de Nicodemus. Aqui então é inteirado da Ascensão de Jesus e do espargir do Espírito Santo sobre Seus discípulos. Nicodemus relata: “os templários estavam confusos em visto da verbosidade poderosa dos apóstolos. E estiveram ébrios, deu-se uma revolta geral entre os ouvintes, e todos, judeus e estrangeiros, defendiam os discípulos, pedindo pelo batismo! O Templo fervilhava! O Sumo Sacerdote, cheio de ódio e vingança, levou-me a desistir de meu cargo. Agora as maldades já são praticadas abertamente e não levará tempo para que as prisões do Templo estejam repletas, pois com facilidade acharão uma culpa nos discípulos.” A estas palavras, o coração de Nicodemus sagra. Embora Pilatus tenha assistido algo da Glória do Ressurrecto, continua o mesmo, deixando o Templo agir à vontade, - pois trata-se de judeus!

Durante a noite o capitão ficou em companhia de Nicodemus, mas de manha já se encontrava a cavalo indo para Betânia. A caminho encontrou dois viandantes que também queriam visitar Lázaro e aos quais ele podia descrever o caminho. Foi informado por eles que se tratava de fugitivos que, para se esquivarem do Templo, pretendiam proteção em Batânia, pois para lá os templários não se atreveriam a chegar.

Lázaro, cheio de alegria, já aguardava o capitão, pois o Senhor lhe tinha avisado intimamente de sua vinda. Perto de meio-dia ele lá chegava, sendo cumprimentado com alegria por todos e se abraçando por longo tempo com Maria Madalena. Eis que formalizaram sua união perante todos e novamente era Jesus, seu fiel Deus e Pai, o Doador de paz, felicidade e graça. Seu casamento na casa de Lázaro devia se tornar uma festa para os discípulos e amigos de Jesus; pois Lázaro achava do seu dever preparar um verdadeiro banquete nupcial para Maria Madalena e o capitão. Todos os amigos estavam convidados, até o mais simples trabalhador, e à noite se uniram numa reunião íntima em cerimônia espiritual.

Lázaro e suas irmãs estavam muito felizes na consciência de que “o Mestre também participava da festa!” E ele pediu a todos os hóspedes e moradores da casa de fazerem participar da sua alegria, mas conscientes ainda, o Amado Mestre! “Pois a verdadeira alegria”, dizia Lázaro, “é a manifestação de uma justa gratidão. Agora pedimos: Senhor! Abençoa-nos e a esta festa por Tua Presença, pois queremos agradecer pela Graça de permaneceres entre nós no espírito de harmonias celestes! Sua maravilhosa Obra de Salvação tornou-se visível nas Bodas de Caná! Hoje podemos colaborar, como chamamos e escolhidos, na continuação de Sua Obra, participando também num patrimônio. Naquele tempo Seu Amor cuidou que não faltasse vinho; hoje queremos cuidar pelo vinho espiritual, que desperta a verdadeira alegria em nosso coração. Portanto, estou certo de agir no sentido do Senhor, pedindo ao irmão João de nos presentear algo daquilo que o Amor de Jesus deitou em seu coração!”

Após tal convite, João sentiu a mais íntima união com Deus penetrá-la e pediu a Jesus por palavras certas. Em seguida levantou-se, dirigiu-se para o jovem casal, abençoou-o e disse: “Meus queridos, o Senhor e Salvador Jesus, que dilatou Seu Amor tão maravilhosamente, sente-Se alegre de vos ver felizes. Passou-se toda a tristeza de não vê-Lo entre nós como antigamente. Pois sabemos agora: o Senhor vive! Ele está conosco e entre nós. Ele sabe porque precisa Se ocultar diante de nossos olhos perscrutadores; mas Seu Amor nos acompanha sensivelmente e cuida sempre que nada falte a Seus filhos.

Também esta noite é o festejo nupcial abençoado por Jesus são uma prova de Seu Amor protetor, pelo qual Ele deseja demonstrar a importância e santidade do matrimonio a vós, meu irmão e irmã. Já por várias vezes nos foi dado – aos seus discípulos – participar de umas núpcias e sempre Ele nos ensinou aos nubentes sobre a finalidade e natureza do matrimônio. Nem todos que se ligam pelo casamento sabem que, sem a Benção do Alto, a união não será feliz. Na ligação sexual muitos acham poder amar-se, mas em breve ambas as partes percebem que sua união fora um engano! Um casamento baseado no verdadeiro respeito e puro amor testemunha um espírito especial que não pertence à Terra, mas é uma parte do Céu. Todas as maravilhosas celestes pousam como bem guardadas no coração dos filhos terrestres, e devem ser despertas somente pelo espírito de união celeste. Pudemos assisti-lo em nosso Mestre, que procurava fazer felizes com os bens celestiais aqueles que entravam em contato com Ele. Sua Missão mais abençoada se prendia a salvar a todos, tornando-Se um Salvador e Benfeitor.

Assim como uma mãe amorosa procura unir e solucionar tudo aquilo que o espírito mundano perturba com sua insatisfação e confusão, tu, ó irmão, te encontras agora diante de igual missão! E o Senhor, nosso Santo Pai, cheio de Amor, te presenteou com nossa companheira ao teu lado, pois ela conhece todas as Suas Palavras e O ama!

Essa missão consiste de três graus; primeiro: Procurai chegar com o vosso corpo – que é o invólucro de vossa alma – à ordem equilibrada, a fim de que o segundo grau – a pureza e sanidade das vibrações psíquicas – possa ser alcançado. Só então o caminho para o terceiro graus estará aberto, onde se encontra o espírito do verdadeiro amor dentro de vós, podendo se manifestar. Por isto, caro irmão, eu não afirmo: amai-vos verdadeiramente e sede fiéis! Antes digo: Lutai por este Espírito que Se manifestou em Jesus e por Jesus, nosso Mestre, para receberdes a plenitude da Verdadeira, Vida Divina. Então, cara irmã, ajudarás o Amor Eterno, protegendo e conservando o bem que Ele te deu, para servir e fazer felizes a outros. Lutai, lutai pela união interna! Só com ela podereis realizar uma grande obra de amor! Sede sempre conscientes que, permanecendo no justo amor, podereis vencer tudo que se vos apresenta como contraste: pois então tereis ajudantes enviados pelo coração de Deus! Completei aquilo que ainda vos falta e considerei sempre: as uniões verdadeiras são contraídas no Céu! Então todas as vossas ações serão uma prova das harmonias felizes em vós, e também os frutos de vosso amor serão uma parte dos Céus luminosos. Mas considerai que a serpente ainda não morreu, mas vive calma e oculta também dentro de vós. Protegei-vos dela e cuidai do bom espírito em vós para que o veneno da serpente não deturpe vossas sensações.

Que um carregue o peso do outro e considere que forças e ações conjuntas facilitem duplamente no caminho final. Foste um pagão, meu irmão, porém abençoavas sempre a fé alheia. Estando agora iniciado em nossa fé - e recebeste para tanto a Benção do Próprio Senhor – não será difícil determinar tua própria vida, pois sentiste a intuição de fundar um lar para amigos perseguidos de Jesus, concluindo assim a Vontade do Senhor. Tua esposa ama o Senhor como nenhum de nós e mantém no seu coração um altar santificado para Ele. Considera por isto sua vida interior, que sereis unos! Pois sua determinação – “homem e mulher devem se unos!” – se realizará! E Jesus, nosso Santo Mestre, poderá continuar por vossa causa a Obra de sua Salvação. O amor libertador do sofrimento vos estimule para a realização de Seu Plano divino, que também pousa em vós e vos fará sentir o que o Mestre ainda não determinou em Palavras. Prossegui em vosso caminho, acompanhados pelo amor de todos que vos conhecem. Não olhais para trás, mas para o Alto! De lá recebereis o necessário para vencerdes vossas dificuldades ainda existentes. Que vos acompanhe também a minha benção, e o Amor e Graça de Nosso mestre sejam sempre convosco. Amém!”

Os olhos de todos estejam dirigidos para João, e Madalena agradeceu: “Irmão João! Tuas palavras pareciam recrescer para alegria de todos. Mas, se considero bem tudo aquilo que pronunciaste, então nossa missão me parece bastante grande! Se o Senhor e Mestre nos procurasse vez por outra, eu viveria na esperança de Lhe poder relatar minhas preocupações e dificuldades, recebendo Dele algum conselho! Pois eu quero e preciso realizar nossa missão; isto eu devo a Ele!”

Respondeu João: “Ó Irma, não dificultes tua caminhada inutilmente! O Mestre te amou e felicitou com tarefa celeste, como gratidão por teu amor! Julga ser possível que o Senhor deixasse de te amar? Somente quando Ele for afastado visivelmente para nós, então começará para nós a época do amadurecimento, quando deveremos começar a nos cuidar pessoalmente! Então Ele será libertado e Lhe oferecemos nossos corações com gratidão, alegria e fortalecimento. Pois terá chegado a época em que se realizou Seu desejo mais querido: que estaremos ligados a Ele para sempre, pelo Espírito mais livre e filial! Então não haverá mais preocupação, mas força e paz nessa participação. Vive, portanto, para Ele sua Obra, com aquele por Ele escolhido para teu companheiro. Que Seu Amor seja vossa vida e ser, e vossa dedicação a gratidão por todo o Seu Amor! Amém.”

O dia terminava com alegria. A gratidão por Jesus brilhava no coração de todos. Pois sabiam que, embora Invisível para os olhos, o Senhor vivia com alegria entre todos!

Assim terminou este dia, como nos tempos em que Ele caminhava na Terra. Por muito tempo se relatou em Betânia sobre as núpcias do capitão romano, e como um pagão se tornaria um instrumento do grande Amor do Salvador.

Ó leitores, despertai e vibrai no amor para Aquele que em Seu grande Amor ofertou Sua Vida para nós. Que também nos serviu até esta hora e querendo prosseguir nossa realização. Isto nos dá a força de participar em Sua Obra de Salvação, preparando todos os corações para que Seu Santo Pé possa voltar a pisar esta Terra; e Ele, guiado pela mão de Seus filhos, possa entrar em Sua Propriedade! Aleluia!

Amém.

JUDAS ISCARIOTES

UM DESTINO NO ALÉM

1º Cap.

Judas nos Átrios do Templo

Nos átrios do templo havia grande movimento. Todos estavam agitados e muito alegres. Finalmente o tão odiado Nazareno tinha sido aniquilado! E no entanto tudo ocorreu tão simples e facilmente! Caifás, o Sumo Sacerdote, diz: “Assim deve acontecer com cada adepto do tão odioso Nazareno e devemos aniquilar sem restrições todos os seus seguidores! Hão de se encontrar motivos suficientes para tanto! Ah, este palrador! Enquanto tinha amigos era difícil chegar-se junto dele! Mas este momento nos foi favorável, pois Jesus estava só, com seus discípulos fracos!”

Respondeu um outro sacerdote: “Não te alegres tanto, não! Podemos matar Jesus, mas Sua Doutrina – jamais! Pois nunca o Templo esteve em situação tão miserável do que agora! Isto haveremos de assistir em breve!

Pela crucificação no Gólgota, o movimento do Nazareno encontrará sua verdadeira benção. Serei o primeiro a abandonar o Templo após esta injustiça aplicada a Jesus! Sabeis que fui testemunha de sua crucificação. Se Jesus tivesse se queixado, chorado, amaldiçoado, - eu me sentiria melhor. Mas sua calma, sua paciência, suas palavras imponentes me demonstraram minha obstinação e a vossa. Jesus foi inocente! Isto é verdade! E agora hei de esperar o que o tempo fará. Tive pena de Judas quando atirou aqui o dinheiro que lhe demos e, cheio de desespero, exigiu a liberdade de Jesus. Então não sentis que Judas queria algo diferente do que a morte de seu Mestre? Qual teria sido o fim de Judas?”

Respondeu o sumo Sacerdote alterado: “então também tu és um traidor do Templo! Poderás passar tão mal quanto Judas, que se enforcou num salgueiro, pois, sendo um delator era realmente a melhor coisa a fazer!”

A Judas – cuja alma em seu desespero procurava proteção e paz neste Templo – estas palavras davam a impressão de pauladas. “Eu me enforquei?! Mas estou vivo! Se bem que eu tivesse querido finalizar minha vida, porque tudo estava alterado e Jesus também não fez a última tentativa de erguer – com ajuda de Sua Força Maravilhosa – um reino novo a fim de quebrar o poder dos romanos, - agora vejo claramente: Minha atitude foi errada, mas o Templo é o culpado!”.

Dentro dele despertou um ódio mortal, porém ele era incapaz de qualquer reação. “Demônios, mil vezes amaldiçoados demônios!” – gritou ele ao sacerdote; porém, o eco foi apenas uma gargalhada vazia que surgiu da boca de muitas almas perdidas. Os templários nada ouviam. Cheio de ódio, Judas entrou no Santíssimo e gritou tanto quanto podia – mas ninguém o ouvia. Seu desespero crescia cada vez mais. Subitamente foi apanhado pelo braço e ouviu alguém dizer: “Judas, vem! Teu Mestre quer que venhas comigo para junto Dele!”

Judas, porém, gritou: “Deixa-me!” – e se arrancou de sua mão. “Nunca hei de querer vê-lo, pois por causa dele eu caí em desgraça! Se não tivesse aproximado dele, hoje minha situação seria diferente e não haveria de sentir esta vida tão miserável!”

Eis que o outro falou: “Judas, vem comigo, pois és um infeliz! Olha-me! Eu era um condenado. As minhas mãos estavam cheias de sangue. Mas Jesus, o Salvador, perdoou minha culpa. Ele me impôs porém a condição de refazer o que destruí. Não achas que poderias também ser salvo? Vem comigo para que possas participar da Graça de Jesus! Já foste ajudado, pois o Salvador te chama. Aqui no Templo não há de encontrar salvação, pois estas criaturas não te querem e para aqueles cuja pátria se encontra no Templo não podes viver. Não há outra salvação para ti: vem comigo a Jesus!”

Eis que Judas encontrou no interlocutor, Dismas, um bom e antigo conhecido seu. Tinha sido um adepto ativo de Barrabás. Mas este havia instigado em toda parte do povo uma revolta contra os romanos, sendo um participante importante no movimento para a libertação judaica. Quando Judas se encontrava com Barrabás para com ele deliberar sobre a situação, ele se encontrava também com Dismas. Judas era igualmente um nacionalista fervoroso e odiava os romanos por causa do seu povo. Mas não era amigo da violência e temia qualquer derramamento de sangue. Ele queria atrair o Mestre Jesus para seus planos, para com esta força sacudir o peso poderoso. E lembrou-se também de ter encontrado o Mestre e de ter-lhe perguntado: “Não disseste que se deve dar a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus! ?” – E o Mestre tinha respondido: “Dize-Me, Judas: Não consta que tudo é de Deus? Dá- a cada um segundo o teu conhecimento; mas Eu sou de Deus e Meu Reino não é deste mundo!”

Judas fechou os olhos e diante de sua visão todo o ocorrido passou novamente: A prisão de Barrabás e de sues subchefes e Gesmas. Sim, eram lutadores violentos esses dois e não eram tão facilmente vencidos no derramamento de sangue. O tempo urgia e Judas não via outra possibilidade de dominar o Mestre para assumir a conduta política. Por isto ele entregou Jesus ao Templo. – Mas Jesus silenciou.

Dentro de Judas revolucionava a dor pelo Mestre e a dor pelo povo. O pavor da morte o castigava. Mas o povo, ao qual sempre se dava na páscoa um prisioneiro à liberdade – gritava: Barrabás! E depois veio o fim para Judas. Ao lado do Mestre, crucificam Dismas e Gesmas, mas este Dismas estava agora diante de Judas e lhe falava da Graça do Salvador.

“Onde está Jesus?” perguntava Judas com voz rouca. “Onde?” - Ele podia gritar estas palavras à vontade, mas sua voz não lhe obedecia. “no Gólgota, lá nos espera Jesus!” respondeu Dismas.

Judas diz: “Gólgota?! Oh, Deus, justamente o Gólgota?! É isso que me separa dele! Então é esta a única possibilidade?!” “Sim, justamente no Gólgota nos chama o Senhor!” respondeu Dismas. “Não vejo o que te impede de fazer isto! Não dá no mesmo onde se encontra Jesus – se no Gólgota ou em outro lugar? Para mim o lugar não importa, desde que eu reconheça que Jesus é mais do que um homem. Justamente o Gólgota deveria me assustar; no entanto, tornou-se minha salvação. Vem comigo, pois sem ti eu não vou; e enquanto Jesus não me separar de ti, não te deixarei. Vem Jesus nos espera!”

De fato, Judas acompanhou Dismas, deixando o Templo. Andaram pelas mesmas ruas por onde também Jesus havia passado. Enquanto isso, Dismas via surgir muitas perguntas em Judas, que se refletiam em seu rosto. Isto o leva a relatar a Judas toda a ocorrência até a morte de Jesus. E também lhe falou do seu próprio sofrimento.

“Quando se tornou noite ao meu redor e dores atrozes dilaceraram o meu corpo, uma mão deitou-se sobre minha cabeça – e era Jesus! Não pronunciou uma palavra sequer, mas Seus Olhos diziam: Eu te ajudo! – eis que uma vertigem benéfica se apossou de mim. Quando acordei, vi milhares de criaturas em volta de Jesus. Ouvi Seu convite para vir junto Dele, a fim de participar de Seu grande amor de Salvação. Eis que confessei diante de todos a minha culpa. Jesus então disse que eu deveria perdoar meus inimigos a fim de receber Dele Graça e Perdão. Isto, porém tornou-se muito difícil no início; mas, depois de agir conforme Ele aconselhava, me senti muito bem. Por isto te peço também, Judas: Perdoa aqueles que te magoaram, a fim de que Jesus te possa perdoar!” Judas, porém, silenciou.

JUDAS DIANTE DE JESUS

Acabaram de alcançar o Gólgota. Como por uma força magnética, chegaram a Jesus, ao Mestre. Toda a montanha estava repleta de almas famintas. Escutaram as Palavras de Jesus, pelas quais Ele provava mais uma vez Sua Obra do Eterno Amor.

Judas atirou-se aos Pés do Mestre e conseguiu perdão pois tinha agido segundo sua paixão, por demais cega. Agora repentinamente tornou-se-lhe claro com que grande amor sempre tinha sido tratado, e com os olhos marejados de lágrimas procurou o Olhar do Mestre. Como se viesse de muito longe, ele ouvia Jesus, o Mestre falar: “Judas, pobre infeliz! Quando ainda estávamos na Terra, Eu teria podido te ajudar, pois ainda eras inconsciente. Mas aqui, no Reino da Vida, tudo depende da livre vontade. Como agora és consciente, podes encontrar o caminho para junto de mim pela tua própria vontade, mas que ainda tem que te separa de mim. Ainda vive em ti o ódio, a raiva e o amor-próprio! Todavia, Eu te perdoei porque agiste cegamente e esqueceste que o Meu Reino não é deste mundo. Portanto, considera Minhas palavras!”

JUDAS

Em torno dele e dentro dele havia trevas. “Agora estou só! O Senhor levou todos consigo! O que vai ser de mim? De onde vem repentinamente essa escuridão tenebrosa, esta noite? Muito embora não me seja agradável: o Mestre me perdoou! – Judas começou a fazer uma auto-análise – De que me serve o perdão, se eu mesmo não posso me perdoar? Perdoar é tirar para longe todo o ódio? Sim, se fosse possível! Quando cheguei a ver o Mestre e senti o Seu Amor, penetrou um sentimento de arrependimento no meu coração. Mas, desde que estou novamente só, o ódio dentro de mim se torna mais forte contra os homens; sim, contra mim mesmo! Oh, se pudesse me destruir!”

Judas procurava se enganar. Ele metia suas mãos sobre o pescoço, porém não sentia o mesmo, e isto o deixou mais desesperado ainda. “Oh, Jesus, se tivesse ficado, eu estaria equilibrado! “Mas ele não pensava que poderia bem ter ficado junto de Jesus! Assim, levantou-se e começou a caminhar naquela escuridão tenebrosa. Súbito, ele tocou a cruz na qual o Mestre estivera pregado e abraçou-se a ela com lágrimas de dor, falando a si mesmo: “Tiveste que morrer aqui, por minha culpa! Aqui sofreste até o fim, por minha tolice! Eu julgava agir certo, mas – ai de mim – creio que vou morrer! Oh, Senhor Jesus, é isto o Teu Amor de Perdão: que eu venha encontrar a Tua Cruz na qual a minha tolice! Eu julgava agir certo, mas – ai de mim – creio só, conforto e luz? Sozinho nesta escuridão – e a cruz como acusadora! O que será de mim? Não existe ninguém que me ajude!?”

JUDAS E DISMAS

“Tu não estás só! Eu, Dismas, estou ao teu lado! O Amor do Senhor me dei este aviso: Está ao teu lado, te ajudando na tua miséria! Muito embora ainda esteja escuro para ti, para mim já é dia; pois o amor ao Senhor tornou-se-me uma luz. Por isto eu te vejo na tua nudez. Ouve enquanto permaneceres aqui, esperando por socorro, o tempo se tornará muito longo, pois o Senhor parte com os Seus Tu, porém, te afastaste Dele. Não deves esperar que Ele agora venha para junto de ti. Pretendes ficar aqui para sempre e acusar-te? Isto também é o amor-próprio! E ainda exiges que alguém te ajude? Meu pobre Judas: eu te digo que sou mil vezes mãos pobre que tu; mas nada peço! Nada! Desejo apenas ficar contigo e poder te servir! Isto representa para mim a felicidade e me ajuda a carregar o meu peso. Se bem que o salvador me tenha perdoado, a consciência de minha culpa me prende. Fui aceito, porém uma coisa de grande importante pra mim. Desejo me tornar merecedor da grande Graça do Amor Misericordioso do Salvador Jesus. É por isto que te sirvo! Assim, pergunto-te Judas, pobre algemado. O que posso fazer para te libertar igualmente, a fim de que haja luz em torno de ti e comeces a te modificar?”

Responde Judas: “Ouve! Não me será possível tornar-me outro, pois várias vezes pedi ao Senhor para me transformar. Mas Suas Palavras soavam como trovoada: o arrependimento depois da morte de nada vale! – Por isto tenho pouca esperança a respeito desta Graça que tu recebeste, pois esquece que eu mesmo pus fim à minha vida e agora sinto amargamente que não existe fim. Como poderia alguém me ajudar? O Mestre me abandonou e eu só poderia encontrar o caminho para Ele através só meu sentimento dominado. Isto é mais um problema para mim! Quantas vezes o Mestre se expressou em parábolas – e agora o faz novamente. Isto pouca ajuda me traz. Todavia, não quero permanecer nesta escuridão. O que disseste: que ao redor de ti já é dia, mas ao meu redor noite?! Como faz isto? Tal não é possível e inimaginável! É de enlouquecer esta noite escura! Se eu não ouvisse tuas palavras, acreditaria que estou sonhando. Mas, dize-me: não existe outra saída para esta escuridão? Antes de tudo, quero sair daqui, deste monte do Gólgota que me oprime. Como podemos consegui-lo?”

Responde Dismas; “Judas, velho amigo! Minha culpa também me oprime, assim a tua a faz. Mas, ter conhecido alguém que diz: Que te seja perdoado, se puderes perdoar aqueles que te abateram! – isto desperta em meu coração uma esperança. Portanto tive confiança em Jesus, o Salvador. Suas Palavras transmitem amor e nova esperança em um ser melhor. Acredito entender as Palavras que Jesus te dizia. O arrependimento de nada vale quando estivermos mortos. Querer alimentar arrependimento por uma culpa passada seria fácil e poderia me alegrar; mas o que lucraria com isto aquele a quem fiz o mal? É preciso começar consigo mesmo para caminhar um novo trecho, de sorte que não sinto o desanimo que te entristece como apóstolo de Jesus. Ele terá razão: Tu és consciente! Como seria bom para mim se deixasses tuas queixas e intimamente te confrontasse com tua situação, que até mesmo quiseste! Certo, eu, Dismas, matei! Mas com minha morte, que também foi horrível, o assassino continua a ser o que era. Serei para toda eternidade considerado um criminoso. Mas aqui isto se modifica, pois aqueles que eu matei para roubar vivem, assim como eu e tu também. Tu entregaste Jesus à cruz para a morte; no entanto, Ele vive! Eu fui abatido; e também vivo! Tu puseste fim á tua vida; e no entanto vives! Dize-me Judas, isto não te faz pensa?

Se algum dia encontrar aqueles a quem tirei a vida, eu hei de pedir perdão até que me perdoem. E vê, tu recebeste o perdão do Senhor Jesus; no entanto, continuas a amaldiçoar as coisas que tu mesmo provocaste. Por acaso não és maior tolo do que já foste? Jesus te oferece a Mão na tua baixeza. Ou será que aguaras que venha um anjo e te leve em triunfo em teu suposto céu?! Que justiça maravilhosa! Cada um há de encontrar aquilo que ele mesmo semeou! Por isto te peço, em nome do Senhor e Salvador Jesus: Tem coragem e reconhece o amor em tua noite, este Amor que te procura a fim de que possas também tornaste útil em tua vida após esta Graça, muito embora ainda triste!

Responde Judas: “Dismas, tu falas como um santo. Pena que não foste um adepto. Mas uma coisa eu tenho a dizer: Não me senti mais leve com tuas palavras. Por acaso esqueceste tudo que era importante na vida? É preferível afastares esta cruz, para que eu não seja constantemente relembrado dela. Gostaria de te acompanhar, mas a cruz é um acusador importante. Reconheço que não posso desfazer o que aconteceu, mas também não posso me afastar desta solidão e escuridão. Parece-me que tenho que abraçar constantemente esta cruz!”

Fala Dismas: “Então, meu Judas, coloca-a nas tuas costas e vamos ao Templo para onde o Senhor foi levado!”

“Judas diz: “Eu – carregar a cruz? Falas seriamente? Coisa pior nunca existe de mim! Ficaria feliz caso não a sentisse mais, - e agora devo carregá-la para todos os lados?! Qual seria o resultado disso? Essa não pode ser tua exigência, pois – com todo o amor que tenho para o Senhor – ainda não compreendi por que Ele Se deixou crucificar! Ah, se na minha grande cegueira eu não tivesse abandonado o Senhor! Mas, se eu O encontrar novamente, não cometerei mais essa insensatez! Mas, de que maneira poderei agir? Vê, amigo e irmão Dismas, leva-me junto Dele; mas não me fales da cruz! Estende-me tua mão para que ande seguro e nesta escuridão não venha a sentir um pavor ainda maior!”

Dismas diz: “Caro irmão Judas: Com prazer te levarei para junto de Jesus, mas terás que carregar sua Cruz. Pois, na realidade, a cruz é tua. Ele sofreu na tua cruz, porque foi pregado por ti mesmo. Não compreendo por que te negas a carregá-la. Medita que foi por tua causa que Ele sofreu na cruz e nela Ele aceitou, a mim que posso te ajudar e orientar; na cruz Ele perdoou todos! E agora pretendes encarar a cruz como se fosso a maior injustiça contra ti! Peço-te, irmão Judas, não te negues mais. Vem; hei de te ajudar a feitar esta cruz nos teus ombros!”

Fala Judas: “Jamais hei de carregar esta cruz! Tu terias naturalmente grande prazer se eu passasse pela cidade com a prova da minha traição e entrasse no Templo! Todo mundo haveria de dizer: vede Judas, o traidor! Assim ele pagou o Amor do seu Mestre! Não basta que ele mesmo se tenha julgado; agora o mundo também tem de fazê-lo! – Se tu não me levares sem esta cruz para junto do Mestre, terei que tentar sair daqui sem ti, pois deve haver em qualquer lugar uma oportunidade de encontrar Jesus sem tua ajuda; e quem sabe se Ele ainda Se encontra no Templo, pois não costumava perder muito tempo naquele ambiente!”

Neste instante aparece a Dismas um anjo, sem que Judas o perceba, e diz, “Caro amigo, deixa Judas entregue à sua própria vontade. Não o forces jamais para uma ação! Não o abandones, mas oculta-te diante dele para que se encontre só. Aliás, prende-te no coração Aquele que também te ajudou e continuará a fazê-lo, e que me diz para transmitir-te o seguinte: ficarei convosco invisivelmente para vos ajudar, porque o inferno faz esforços para vossa destruição!”

Então Dismas voltou-se mais uma vez para Judas e disse: “Meu irmão, só o Senhor e Mestre pode te salvar! Jamais receberás ajuda se não O procurares, e sem a cruz nunca O alcançarás, pois ficarias devendo a prova de que realmente estás arrependido. Sinto no coração que somente tu mesmo poderá te salvar pelo maior esforço. Recebi ordem para entregar-te a ti mesmo, já que não queres prestar esse pequeno sacrifício. O Senhor passou pelo maior sacrifício; no entanto tua culpa é gigantesca. A vontade de te salvares não deve ser tão forte dentro de ti, pois do contrário carregarias a cruz sem temor até chegares junto do Pai. Peço-te, por tua salvação: Age segundo a Vontade do Senhor, pois não hás de te arrepender!”

Judas diz: “Jamais poderei carregar a cruz, pois haveria de aumentar minha vergonha!”

Eis que Dismas se afastou aos poucos, não deixando de dizer a Judas: “Então caminha primeiro sozinho para tua salvação, segundo tua vontade. Não procures aumentar tua culpa, pois estás tentando o Senhor novamente. Só depois de mudares de pensamento poderei voltar a te ajudar!”

JUDAS SOZINHO

Novamente Judas se encontra só. Se bem que Dismas, sob a proteção do anjo, podia tudo ver e ouvir, ele não existia para Judas. Este sentia que estava só e falava de si para si: “Acaba de me abandonar também este! E por que? Porque não quis fazer sua vontade. Mas, também, que exigência a dele! Devo carregar a cruz até perto de Jesus! Seria um belo espetáculo se o traidor Judas carregasse a cruz do Mestre! Afasta este pensamento, afasta a cruz, para que não seja novamente relembrada! Se tivesse um machado, eu faria a cruz em pedaços! Oh miserável madeiro, que ainda és capaz de fazer passar tanta vergonha! Mas também foi uma tolice do Mestre deixar-se crucificar! Entenda quem puder; eu não consigo fazê-lo!”

Agora Judas tenta abandonar o promontório, colocando o pé para frente com muito cuidado, pois a escuridão não lhe permitia ver o solo. Após alguns passos lentos, ele teve que parar assustado. Novamente tinha batido na cruz, justamente naquela em que Dismas havia sido abatido. E disse: “Oh miséria amaldiçoada! Novamente uma cruz! Então o monte do Gólgota se acha coberto de cruzes? Fora daqui! Está se tornando desagradável tal cruz!”

Ele continua, portanto tateando com os passos em direção de Jerusalém. Mas eis que cai num buraco, ficando deitado como morto. Somente depois de muito tempo conseguiu se levantar. Os ossos lhe doem e ele se sentia miserável e machucado.

“Estranho”, dizia ele de si para si, “tirei minha vida a fim de me afastar de toda miséria e agora estou mais infeliz do que antes! Se ao menos eu pudesse ver algo! Talvez eu não tenha olhos! Dismas pode ver, mas eu não posso. Não é possível imaginar a tristeza que é ter morrido e não estar morto! Mas agora, fora deste buraco! – Graças a Deus, não foi tão profundo!” esforçando-se bastante, finalmente se encontrava novamente em cima. “Em que direção irei agora? Onde será o caminho? Oh escuridão miserável! Se ao menos tivesse uma luz, eu poderia me ajudar! Sim, Judas, foste tolo! Poderias estar hoje lá onde se encontram os outros e o Mestre em seu meio! Na convivência com o Senhor na Terra o tempo era belo, não havia dificuldades e havia tudo de sobra. Se ao menos agora tivesse um pedaço de pão, já estaria feliz! Mas, vamos em frente, para me afastar desse monte!”

Conseguiu dar mais alguns passos; porém, assustado, ele se encontrava diante da cruz, agarrando-a com a mãos.

“O que faço agora? Novamente uma cruz! Mas, qual delas? Havia três. Qual é esta aqui? Tenho que ter certeza; o pavor me aperta o peito. Pois então, Judas, longe com o pavor! Tenho que ter certeza sobre o que será de mim. Não estou com vontade de me deixar atirar no maior pavor por causa da cruz!” suas mãos tateiam para cima e aos poucos ele se levanta, encostando-se na cruz, chegando justamente aos furos dos pregos onde o Senhor tinha sido pregado. Era a cruz do centro. Eis que ele dá uns passos à direita, tateando com as mãos no ar, encontrando-se finalmente sob a cruz de Dismas.

“Bem agora voltarei para a cruz do Mestre!” Após alguns passos, ele a encontrou. “E agora, um pouco à esquerda, com muito cuidado, para que não venha a cair novamente naquele maldito buraco!” e eis que ele encontra a terceira cruz.

JUDAS E GESMAS

Quando Judas tateia esta cruz, subitamente ele atinge um corpo humano. Com um grito, tirou as mãos dele. Mas, como nada se mexia, ele aos poucos tateando o corpo todo tentou reerguer este homem aparentemente sem vida quando ele o havia erguido totalmente, voltou à vida aquele corpo.

“Quem és tu? O que queres de mim?” – cheio de ódio aquela figura lhe gritava. Judas se assustou e largou o corpo. Mas ele agarrou Judas, prendendo-o no braço. “Por acaso és o amigo Dismas? É muito amável de tua parte erguer-me. O Nazareno não parece ter cumprido a sua palavra contigo!”

“Não sou Dismas; sou Judas que aqui te encontrou. Dize-me, quem és tu? Esta noite é tão escura que não posso te reconhecer.”

“Eu? Sou Gesmas! Na crucificação do Nazareno fui abatido Dismas e este Jesus. Aguardo apenas o momento para me vingar naqueles que me fizeram esta maldade!”

Judas diz: “Queres te vingar? Como queres fazer isto? Por acaso podes te afastar daqui?”

Gesmas diz: espera um pouco! Serei capaz de me afastar e isto já ocorreu uma vez, justamente após ter expirado sob dores horríveis; aos poucos percebi que não fora abatido. Pois, deitado no chão e ouvindo vozes ao meu redor, eu sabia que não carregava mais o meu corpo, pois me quebraram as duas pernas com um porrete. Todavia, podia ficar em pé, mas ao meu redor era noite. Eis que cheguei a pegar em uma criatura e com ela fui até o Templo. Chegando lá, ouvi certas coisas sobre a morte do Nazareno. Mas, como nenhum de nós falava, fiquei com tanto ódio que teria sido capaz de massacrar a todos. Porém, ninguém me via. Agarrei-me no sumo-sacerdote, pois na minha raiva conseguia reconhecer alguns. Mas tudo estava numa iluminação de fogo, e como ninguém me queria ver, fiquei louco de raiva e comecei a amaldiçoar e praguejar. Eis que me pegaram por trás, me levantaram e me atiraram no solo. Devo ter ficado deitado durante muito tempo, pois quando acordei estava aqui diante da cruz e ao meu redor a escuridão era pior do que antes. Tentei me afastar daqui, o que não me foi possível. Quando cheguei à outra cruz, na qual o Nazareno havia sido pregado, fiquei outra vez com tanto ódio que trepei na cruz e comecei a sacudi-la. Mas eis que recebi um empurrão – e o resto tu sabes. Devias ter me deixado no chão, pois teria sido melhor para ti. Nas minhas mãos corre sangue. Não hás de ter prazer na minha companhia! Deverias ter procurado Dismas, que é muito melhor do que eu. Onde estaria ele agora?”

Responde Judas: “ele estava aqui até há pouco, mas me abandonou. Imagina: eu deveria carregar a cruz na qual o Mestre morreu e levá-la ao Templo, o que naturalmente rejeitei!”

Gesmas diz: “Mas, por que deverias carregar a cruz? Deveria haver um motivo para tanto! Poderei conhecê-lo?”

Judas diz: “Olha, eu sou Judas, um dos apóstolos de Jesus, e tenho sua morte na minha consciência, pois fui eu que delatei aos templários a sua localização naquela noite, pelo pagamento de tinta dinheiros. Jamais teria aceitado que o Mestre fosse ter esse fim! Pensei antes que ele haveria de demonstrar o seu poder, deixando-se eleger rei dos judeus a fim de nos libertar no jugo romano e reerguer um reino judaico. Assim ao menos eu ouvia ele falar e me parecia que essa era vontade dele. Como ninguém me deteve, fui até lá e descobri seu paradeiro. Vendo porém a desgraça que com isto provoquei, perdi todo o bom senso e corri ao Templo. Lá joguei aos fariseus o dinheiro recebido e exigi a libertação do Senhor. Mas aí conheci o ódio total dirigido contra Jesus e, no meu desespero, me enforquei. Tive entretanto, aqui no reino dos espíritos, a oportunidade de falar mais uma vez com Jesus; aliás foi Dismas que me levou junto dele, em pois também estava no Templo. Mas agora estou só.

Jesus me disse que eu deveria procurá-lo e tenho que encontrar o caminho para lá. Porém, meu amor teria que ser sacrificado antes. Dismas exigiu – a fim de que eu encontrar o Senhor – que eu deveria carregar a cruz até o Santíssimo do Templo. Lá haveria de encontrá-lo. Também tu deves compreender – como eu – que isto de nada me adiantaria. O que será agora?”

Gesmas diz: “então, tu és o Judas Iscariotes, esse bandido? Sim, sim, eu te conheço. Não tiveste coragem de seguir Barrabás, - e com teu Jesus nada conseguiste! Esse Nazareno! Eu sabia disso antes! E agora, o que será? Que pergunta tola! Eu ficarei aqui e aguardarei. Acreditas que eu deva quebrar minha nuca nesta noite tenebrosa? Aguardemos a manhã. Tudo há de se resolver. Bela situação! Tu um adepto do Nazareno, um suicida, - e eu um crucificado! Seremos bons amigos, mas que espécie de amigos! Estou certo, porém, que tão logo eu consiga um templário ou um romano em minhas mãos, não hão de passar bem! Aguardemos!”

Agora fez-se silêncio entre os dois. O anjo, que fiscalizava tudo com Dismas, fez um gesto com a mão direita e em seguida ouviu-se um tenebroso trovão.

Judas, apavorado, agarrou-se a Gesmas e disse: “Que trovão seria este, que me pregou um susto tão grande? No entanto, não vi nenhum raio! Percebeste alguma coisa?

Gesmas diz: “Eu não! Ouvi apenas o trovão! Mas para que me assustar? Sempre ouvi trovoes! Oh, também ouvi trovoada quando me quebraram a perna! Agora, nada tem importância; se ao menos já fosse amanhã!”

Diz Judas: “Gesmas, tu aguardas uma manhã?! Ouve o que Dismas me disse: Para mim é dia e para ti é noite! – por isto, não acredito numa manhã, mesmo que a esperássemos até o último dia! Vamos depressa nos afastar daqui, pois não quero ser constantemente relembrado da cruz. Vamos! Em qualquer parte devemos encontrar alguém. Eu preferia procurar o Mestre!”

Diz Gesmas: “Ah, velho burro! Ainda não foste curado! Porventura desejas trair mais uma vez o teu Senhor? Ou talvez não queiras mais ser relembrado da tua vergonha? Oh Judas, eu te julgava mais inteligente! Só falta começares a chorar como um velho! Como é possível que as cruzes te aborreçam? A mim não! Por que não as partes, se te incomodam? É melhor fazermos uma fogueira com esta madeira; então ficará mais claro e mais quente, pois esfriou bastante; esta é a minha proposta. Vamos procurar um machado, pois os soldados devem ter deixado por aqui uma grande quantidade de ferramentas. Ao menos foi o que vi enquanto ainda era vivo. Procura à direita e eu à esquerda e, caso tivermos encontrado algo, um avisa ao outro. Eis que os dois se arrastaram pelo chão tateando com as mãos e o anjo deitou um machado diante de Judas, que imediatamente o pegou.

Judas diz: “Amigo, já encontrei um machado. Não procures mais e vamos nos aproximar desta cruz maldita.”

Ambos se encontraram e se dirigiram à cruz central. Da melhor maneira possível Judas assentou o machado no tronco. Por várias vezes as mãos tatearam pelos cortes e eis que o tronco em breve estava partido. A cruz já balançava bastante. Mais algumas batidas e o tronco estava decepado. Mas a cruz tombada enterrou os dois sob seu peso e ambos estavam calados debaixo dela. Somente após algum tempo eles acordam do seu susto, a fim de compreender que a grande cruz estava sobre eles!

Após longo tempo, mexeram braços e pernas e, com o maior esforço Judas conseguiu se libertar. Após ter conseguido esticar seus membros, ajudou a Gesmas na sua posição. Este também liberta Judas, que diz: “Realmente, isto podia ter sido pior; por isto me abstenho de pegar mais uma vez o machado a fim de fazer pedaços pequenos. Eis que estás aqui, madeiro infeliz! Quase que morro debaixo do teu peso! Mas é de enlouquecer! Sabes, amigo? Vamos sair daqui e se não fores comigo, irei sozinho. O que podemos fazer aqui? Nunca havemos de chegar a um resultado!”

Diz Gesmas: “Vai Judas! Eu ficou aqui! Ainda que ficasse aqui por eternidades, tenho que apaziguar meu ódio; isto é certo! As piores pessoas certamente hão de voltar aqui!”

Judas diz: “Eu te desejo muitas felicidades e me afasto deste local de pavor! Quem sabe se encontro alhures um socorro?

Gesmas diz: “Então dá meia volta e, caminhando devagar em direção a Jerusalém, começou a falar outra vez para si mesmo: “Eis que estou novamente só, longe desse estúpido! Mas talvez não fosse justo deixá-lo sozinho, embora fosse preciso. Boa exclamação a dele, de tomar vingança! Eu ficaria feliz se pudesse melhorar o meu estado. Não quero mais pensar em vingança. Já me seria muito agradável encontrar Dismas ou talvez outra pessoa qualquer. Realmente, querido Mestre, tiveste razão quando ensinaste: O que o homem semeia ele há de colher! – bem feito para mim! Poderia encontrar-me ainda com os meus irmãos junto do Mestre. Não sofremos nenhuma necessidade naquele tempo. Bem, já aconteceu! Talvez encontre um bom homem por aqui que me ajude!”

Devagar, passo a passo, ele desde o monte. Não se atreve a olhar para o lado, de medo de perder a direção. “Porventura ninguém passa por aqui? Não vem ao caso quem seja; contanto que eu não fique sozinho. Sim, Judas, (falando consigo) aqui te perdeste enquanto os outros que estão com o Mestre estão com a vantagem. Oh, Mestre Jesus, se eu pudesse resgatar minha culpa, se pudesse começar de novo, como haveria de acreditar em Ti e apenas em Ti! Jesus, Bom Mestre, se me perdoaste, então continua a me ajudar, para que não me torne mais miserável do que já sou!”

Enquanto assim monologava, aos poucos o horizonte foi-se tornando mais claro. Ele então parou e descansou. Nisto, seu pé tocou numa pedra na qual ele se sentou. Feliz em poder reconhecer alguma coisa, ele olhou em direção a Jerusalém. Voltou também seu olhar para o Gólgota e pensou nos dois homens, Dismas e Gesmas.

“Quem sabe fiz mal em ter abandonado Gesmas, mesmo que não houvesse socorro por perto dele; eu ao menos não estava só. Bem, agora aconteceu! Mas, de onde vem esta claridade! O que aconteceu em Jerusalém? Parece-me um grande fogo, pois na direção do céu se torna visível um brilho vermelho. Então, Judas agora ficaste feliz, pois onde há fogo existem criaturas. Finalizemos isto aqui!”.

Continuando, tomou a direção do brilho do fogo. Mas este fogo não era claro e a esperança de uma luz maior não se realizou. Após caminhar durante horas, ele chegou a um jardim. A portinha estava aberta e ele entrou. Sentiu-se melhor quando seu pé conseguiu pisar em cima da grama, pois esperava encontrar uma casa e pessoas. No entanto, não lhe veio à idéia que as criaturas – caso as houvesse – não o poderiam ver. Ele sentiu-se como homem, mas só e abandonado.

JUDAS JUNTO DO SEU CORPO

Chegou a um riacho, abaixou-se e meteu as duas mãos na água. Mas um nojo íntimo o deteve de beber, prosseguindo o caminho ao longo do riacho. Havia muitas árvores, mas ali, - o que era aquilo? Lá estava um corpo dependurado numa árvore e ele reconheceu seu próprio corpo. “Judas!” Um grito sem socorro! Deste modo seu nome proferido de um peito sofredor e o pavor de si mesmo tomou conta dele e ele tombou como que morto.

O anjo e Dismas viram Judas inerte. Disse o anjo: “Este é o primeiro ato em sua vida. O prosseguimento depende de seu despertar.” “Sim,” diz Dismas, “não podemos ajudá-lo? Meu peito arde de ansiedade, pois, apensar de tudo, Judas foi mil vezes melhor do que eu. No entanto, meu ser está satisfeito e protegido, pois tua companhia é uma Graça inimaginável!”

Diz o anjo: “Deixa estar, Dismas; o Senhor espera que cumprirás teu dever, fazendo o possível para salvar Judas. Tu dizes teu ser está protegido! – por acaso sabes o que quer dizer proteção? Ouve: é ajudar aos outros, e oferecer-lhes um lar; servi-los. Isto quer dizer ser protegido e significa continuar na Presença do Senhor. Por este motivo Ele te deu esta missão de servir Judas e ajudá-lo com todas as tuas forças. Mas considera uma coisa: Não efetues nenhuma obrigação, não obrigues a ninguém jamais, ouviste? Pois estamos no Reino livre do Espírito e toda coação é um passo atrás para o homem espiritual.

É preferível que deixes alguém descer ao inferno do que cortar-lhe as asas de sua liberdade. Se fizeste isto, o outro ficará onde tu desejas; mas ele será incapaz de se erguer do seu estado. Será como um pássaro cuja as asas foram cortadas. Mas, quem na totalidade de sua liberdade cai no abismo, poderá ser tirado da mesma forma quando lá tiver alcançado a necessidade evolução. Agora, atenção: vou tocar em Judas para que ele acorde e então concluiremos nossa missão em Nome do Senhor!”

Eis que o anjo a testa e o peito de Judas, deitado qual o morto, e com um profundo suspiro Judas acorda do seu desmaio. Imediatamente tocou os pontos que o anjo havia tocado e disse: “Eis que ainda me encontro nesta vida miserável! Por que não estou morto? Pois agora estou muito mais infeliz, porque vi o meu cadáver! É quase inacreditável! Ele pendurado, Judas morto, e o verdadeiro está aqui vivo! Oh, se eu não tivesse traído Jesus! É bem verdade que o bom Mestre sempre dizia que uma tolice desperta outra. Se eu não tivesse cometido um erro, este outro não teria seguido. E agora? Em Jerusalém parece que o fogo aumenta. Tenho a impressão que já está se tornando mais claro, pois vejo os contornos do Templo dentro desta fogueira. Mas o que é isto? O próprio Templo está ardendo e desmoronando! Oh, Jehovah, Tua casa está em ruínas! Tentarei chegar lá! Talvez encontre alguém! Não disse Dismas que o Mestre teria seguido para o Templo? Eis que os malditos fariseus incendiaram o Santuário e o Mestre talvez ainda se encontre no Templo. Eu já corro! Mais depressa, mais depressa! Quem sabe se ainda posso ajudar!” e Judas corre em direção ao fogaréu. Os dois outros o seguem, sem que ele o perceba. Seu caminho era difícil porque o Eterno Amor protetor havia feito este caminho tão difícil a fim de fortificar sua vontade. Mas, como Judas continuava se dirigindo à sua meta, ele foi ajudado, porquanto clareava em torno dele.

Finalmente chegou ao local pavoroso onde antigamente havia o Templo. O fogo havia apagado; somente pequenos lampejos cá e lá. Eis que ele contorna aquele local e procura criaturas. Mas não encontrou ninguém. Já pretendia se afastar, quando ouviu palavras e justamente maldições contra Jesus de Nazaré. Atravessando por cima de pedras, destroços e troncos, através da fumaça mal-cheirosa, ele atingiu o local onde antigamente se encontrava o altar e onde se agachava um homem. Rasgos de roupa estavam cobrindo um corpo massacrado e queimado, e Judas cheio de piedade o ergueu; mas soltou-o com pavor, pois havia encontrado neste homem o sumo-sacerdote.

“Muito bem, então já recebeste tua paga, monstro! Falou Judas devagar e com voz trêmula. “foi muito bem feito! Por que condenaste a mim e ao Mestre para a morte?” Eis que o outro tentava se erguer e respondeu: “o que dizes? Eu teria condenado a ti e ao Mestre? Quem és, que tens coragem de me acusar de tal coisa?”

Diz Judas: “Eu sou Judas, um dos apóstolos de Jesus de Nazaré, e agora pretendes não me conhecer? Tu mesmo me ofereceste na tua mesa uma refeição muito especial e um vinho ótimo, pagando-me por minha infeliz trinta dinheiros, não te lembras? Sabes o que tenho vontade de fazer contigo? Esganar-te com minhas mãos! Acabaste de dizer, enquanto eu ainda estava no Templo orgulhoso carregando este meu corpo de carne, que todo seguidor de Jesus de Nazaré devia ter o meu destino de traidor. Oh Caifás, foste atingido pelo julgamento de Deus!”

“O que?! Eu sou Caifás? Eu sou Eliasib, o sumo-sacerdote e o serei, naco obstante Caifás e tua presença. Então és um discípulo de Nazareno, desse amaldiçoado servo do diabo, que destruiu o Templo que eu governei centenas de anos?! Se teu Nazareno é aquilo que ele diz de si, que venha e erga novamente meu Templo e faça subir minha honra e meu conceito! Só então hei de reconhecê-lo como Senhor e esquecer o que ele me fez, nomeando a ti como meu sacerdote. De outra forma, eu odeio toda esta corja nazarena e a ti ainda mais, traidor miserável! Se tu tivesse traído a mim, eu te faria prender no mais profundo calabouço, em companhia de cobras e lagartos, e diariamente haveria de me regozijar do teu sofrimento. Haveria de ordenar a dois sacerdotes que a cada bocado de pão que levasse à boca deveriam gritar: Traidor! Se bem que o Nazareno destruiu minha casa e levou todos os meus adeptos, continuo tendo minha vontade e com esta eu teimo enquanto posso!”

Judas se assusta com a expressão de ódio e exclama; “Perdoa-me! Eu não te conheci, pois julgava que fosses Caifás. Mas, como nada te fiz de mal, não me dirigi a ti. Aliás não haveria de aguardar de tua parte, que és um abençoado de Deus, tamanhas ameaças e condenações. Agora, condenar Jesus a chamá-lo de servo do diabo... Isto será difícil de desfazer! Realmente, eu ago mal, mas não obstante minha miséria, o Mestre Jesus Se encontra acima de tudo quanto é mau. Guarda isto! Só Jesus, o Nazareno, pode te ajudar. Eu, Judas, um abandonado, digo a quem te deves dirigir: só Jesus ajuda! E já foste mais ou menos ajudado quando Ele te tirou o Templo. Tudo que ainda desejas terás que pedir a Ele e deves te arrepender profundamente de tua culpa. Eu gostaria de poder estar junto Dele!”

“Para com esta velha carpideira!” gritou Eliasib. “Primeiro entregas o teu Senhor à cruz e agora pretendes me ensinar que só ele me pode ajudar! Se não tratas de te afastar de minha presença eu te ensinarei algo sobre o teu senhor! Não pronuncies mais o nome dele, pois aqui sou eu o senhor e também continuarei sendo. Muito embora o Templo não existia, eu existo, o sumo-sacerdote pela Graça de Deus!”

Judas queria responder, mas Eliasib pegou um pedaço de pau queimando e atirou-o em Judas, que deu um salto para o lado. Isto fez com que o ódio do sumo-sacerdote aumentasse e correi atrás de Judas com o pau. Eis que este saltou por cima dos escombros, deixando o sumo-sacerdote praguejando sozinho.

“Oh Deus! Oh Deus!” disse Judas para si, “isto poderia ter tido um final perigoso! Agora estou feliz por ter partido. Mas também perdi mais uma esperança. Para onde teria se dirigido o Mestre? Eis o que me acontece: quis ajudar e as pancadas foram o prêmio! Será melhor não ficar aqui. Mas, para onde vou? Aqui ao menos tornou-se mais claro e toda a região me parece conhecida. Mas sozinho! Me aborrece profundamente ter sido considerado traidor, mas o Mestre me perdoou. Que farei para tirar essa mancha de mim? Vou-me e visitarei minha mulher e meus filhos, que os havia esquecido totalmente. O que irão dizer? Seria possível saberem que já morri para o mundo? Vamos, Judas, vamos? Procurarei minha casa terrena, pois agora na há o templo e as horas que me afastam, pois não sou mais um homem da Terra e não dependo das leis terrenas”

Judas procura um bastão que ele encontrou em breve, pois o anjo o havia feitado ali. Ele dirigiu-se para o Norte, olhando e procurando se não havia de encontrar alguém. Mas toda a região estava como que morta. Somente o anjo e Dismas o acompanharam despercebidamente.

RELAÇÕES DO ANJO A RESPEITO DE JUDAS

Entrementes, diz o anjo a Dismas; “Enquanto Judas não alimentava o menor amor ao próximo, pensando somente em si mesmo, apreciava os bons bocados que custavam nada e no sei bolso mantinha somente aquilo que o impedisse de sofrer alguma miséria, ele se encontrava sozinho e abandonado. Muito embora tenha perdido toda a Graça, portanto levou sua vida terrena de provação a um fim, Deus lhe foi misericordioso e Benevolente.

Judas é o instrumento sobre o qual se havia escrito há centenas de anos atrás. Se Judas, em sua aflição e miséria, tivesse encontrado o caminho para o Senhor, nunca precisaria ter sofrido, pois não teria motivo de se queixar com Deus a respeito de Lúcifer. Com Judas acontece o seguinte: ele sempre tem vontade, mas não passa disso! Se ele não tivesse abandonado Gesmas, suportando sua ironia e permanecendo com paciência, ele agora estaria numa situação melhor. O mesmo se deu aqui com o sumo-sacerdote. Se tivesse suportado toda a ironia e as agressões, poderíamos tê-lo ajudado. Ele, porém, foge de tudo que produz uma reação contra sua fraqueza e amor-próprio.

Mas o Senhor é Paciente; então nós também o seremos, pois Judas é uma alma que pode ser salva. Agradecemos ao Senhor por Ele nos permitir estarmos ao lado desta pobre alma, como proteção!”

Entrementes, Judas marchava intrépido em direção ao Poente e nem se admirava de não haver vida por onde ele caminhava, e as estepes muito abandonadas o acompanhavam. Tornando-o cansado, deitou-se para descansar. Mas seus pensamentos estavam perto de sua mulher e seus filhos, e as preocupações, com eles pesavam no seu coração. Monologava ele: “Sim, quase não me preocupei com eles e só pensei em mim. Agora me arrependo por ter-lhes causado este vexame!”

Judas, porém, não encontrava paz e continuava andando. Finalmente encontrou uma localidade chamada karivthomit, onde se encontrava sua habitação. Curioso, ele correu para lá e aborrecido começou a bater e a dar pancadas com seu bastão. Mas ninguém ouvia e ninguém dava atenção aos seus gritos. Entrou em casa e ouviu como um fariseu trouxe com prazer a notícia de que ele havia se enforcado.

Apavorados, seus familiares ouviram a notícia, queixando-se e praguejando contra seu pai. Somente Judith, a filha mais jovem, enfrentou o fariseu com calma e lhe disse: “O que meu pai fez ele terá que justificar com Jehovah. A nós não compete julgá-lo, nem condená-lo. E vós, que sois representantes de Jehovah, devíeis estar envergonhados até o âmago do coração; pois nossa mãe e nós precisamos de conforto e ajuda nesta hora de provação e não de uma acusação e de zombaria. O fato que nosso pai traiu o Mestre Jesus por causa do vil dinheiro, ele terá que justificar perante o Senhor de Nazareno, pois ambos estão atualmente no Reino da morte. Conheço Nazareno muito melhor do que vós e digo a todos que queiram ouvi-lo:

Meu pai foi perdoado antes que tivesse feito o que fez em virtude de motivações falsas. É triste para nós que a Lei nos proíba de enterrar nosso pai; e o pior para mim é saber que o cadáver serve de alimento às feras. Volta, pois ao Templo e deixa-nos em paz!”

De olhos e ouvidos abertos, Judas escutou sua filha, que o envergonhava profundamente em seu coração. Colocou seu bastão no canto e em seguida deitou sua mão na cabeça de Judith. O fariseu, murmurando algumas palavras incompreensíveis em suas barbas, se afastou e os vizinhos foram enxotados por Judith. Em seguida, tentaram consolar a mãe com palavras amorosas, mas ela não queria saber de nada. A dor e a vergonha eram demasiadamente grandes. Mas Judith não descansava e, por amor filial, ela disse no fim: “Irei procurar o corpo do pai e hei de enterrá-lo a fim de que a impressão de sua morte se apague. Meu pai pode ter sido como foi; mas eu o amava e ainda hoje o amo!”

Isto para Judas representava o maior milagre. Ajoelhou-se e pedir a Jehovah proteção pela ação de sua filha. Lágrimas de arrependimento desciam sobre sua face e ele disse: “Senhor e Deus Zebaoth, sê misericordioso com minha filha e comigo, que sou infeliz!”

Pela primeira vez fortificado pela prece, levantou-se do solo e sentou-se diante da casa para aguardar a chegada de sua filha. Quando ela chegou, trazia na mão um cestinho com alimentos e se dirigia à saída da aldeia. Judas ficou bem perto dela. Judith também não se voltou para os vizinhos e não considerou as chamadas e os olhares. Seu coração sangrava porque sua mãe não queria permitir esta caminhada. Com tanto prazer ela teria aceito a ajuda de um irmão! Então dirigiu-se rapidamente sozinha em direção a Jerusalém! “Se ao menos pudesse encontrar um apóstolo ou um amigo de Jesus, que talvez me ajudasse!” pensou.

Eis que o anjo que juntamente com Dismas acompanhava os dois, lhe insuflou o pensamento de dirigir-se primeiro para Bethânia e de lá para Jerusalém.

Judas teria com prazer aprendido algo de sua filha, mas não lhe foi possível porque se ocupava por demais consigo e seu estado. Por isto, Dismas perguntou ao anjo e este respondeu: “Meu amigo, no reino da Vida e dos Espíritos cada um vive seu próprio mundo, e seus pensamentos formam de certo modo o motivo e a razão do mundo em que vive e se movimenta. Quando o homem está na carne isto é diferente, porque cada um está preso com seus pés aonde é diferente, porque cada um está preso com seus pés aonde é atraído, mas em pensamento pode se encontrar em outro lugar. Para nós, anjos, que conhecemos apenas uma vontade – a Vontade de Deus Onipotente – tanto faz onde estamos, porque nada nos prende, a não ser esta Vontade Divina. Por isto agora estou aqui e poderia no momento seguinte me encontrar a milhas de distancia. Tão rápido como mudam os pensamentos, eu também posso mudar de local. No entanto, poderia estar ativo e te dar provas a situação é diferente. Pensando apenas em si mesmo e aguardando ajuda só de fora, não consegue se separar de sua motivação noturna e de sua base, que sua falta de luz, mesquinhez e o orgulho lhe criaram. Por isto ele conta entre ao mais pobres que se possa imaginar porque, sem destino íntimo, se encontra inteiramente sem base. Ele se deixa empolgar por aquilo que sua alma sente. Tão logo alguém lhe conta algo ou lhe dá um conselho ou um espelho, ele se tornar maldoso. Por este motivo, ainda não pode ver a esfera de sua filha que, pelo amor filial, está pronta a cometer um pecado segundo as leis existentes. Ele sente a força do amor filial puro que o atrai para o lado de Judith. Se em casa de sua mulher ele tivesse recebido tal amor, ele teria ficado, pois espíritos desta natureza não alimentam imaginação sobre sua origem. Sentem-se como que expulsos por si mesmos. Tão logo se apresenta alguém que o envolve com misericórdia e amor, acontece-lhes o mesmo como a um viandante que no deserto chega a um oásis onde alguém ainda lhe dá as boas-vindas.

O amor filial misericordioso de Judith, que a todo preço quer ajudar seu pai para que ele encontre paz, se torna uma ancora de salvação para Judas. Mas uma coisa guarda bem, amigo Dismas: No Reino dos Espíritos só é ajudado aquele que teria ajudar a outros, não obstante todos os obstáculos. Aqui não vem ao caso que se queira fazer o bem, mas apenas o que se consegue realmente. Para nós, anjos, Deus, ainda é preciso purificar e fortificar muita coisa. O Senhor, porém, nunca perdeu a Paciência com alguém. Vamos agir da mesma maneira, sendo pacientes a fim de ajudar Judas”.

Este continuava o caminho ao lado de Judith; mas seu coração estava de novo vazio. Todos os seus desejos pareciam ter sido soprados. Também seu amor a Jesus havia se queimado como palha seca. Mas a moça havia se dedicado entrementes de ir primeiro a Bethânia. Seus pensamentos se dirigiam aos amigos de Jesus e seus sentidos se preocupavam com o Salvador. Com isto a caminhada lhe fora fácil, como se forças celestes a assistissem; seu coração estava cheio de esperanças. Paulatinamente o dia terminava e tornara-se noite; mas para chegar à meta ainda faltavam algumas horas.

Então ela orou: “Oh Querido Mestre Jesus, ajudai-me! Permita que ainda hoje eu chegue junto de amigos, para que minha inquietação se acalma e que possa seguir o meu amor!”

Eis que ela vê uma tropa de romanos seguindo pela estrada. O dirigente estava a cavalo. Alcançando a moça, ele diz: “Para onde vais? O dia se põe e aqui perto não existe nenhuma acomodação”.

“meu destino é Bethânia, respondeu Judith, “pois o dono daquela propriedade é Lázaro, muito simpático a meu pai. “Necessito de ajuda e conforto porque meu pai morreu”.

A estas palavras, o romano expressou algumas frases de conforto e no final disse: “Ouve menina: À noite não se procura socorro num lugar como este. Por acaso não tens amigos em Jerusalém que te pudessem ajudar? Por que não te diriges para junto dos sacerdotes?”

Diz ela: “Senhor, não se trata de uma ajuda financeira, pois eu necessito de alguém que me ajude a enterrar meu pai, que numa hora de fraqueza suicidou-se. Mas isto só pode acontecer secretamente, pois, segundo nossas leis, ele não pode ser entregue à terra. Sou apenas uma menina fraca, mas amo meu pai. Por isto vos peço, senhor: Deixai-me seguir meu caminho e não me detenhas!”

“Quem foi teu pai? E onde ele se suicidou? Perguntou o romano.

Disse Judith: “Meu pai se chamava Judas e pertenceu ao pequeno grupo de discípulos que seguiam o Salvador r Médico Jesus. Por meio de dificuldades várias, meu pai traiu seu Mestre com os templários e Jesus foi obrigado a morrer na cruz do Gólgota. Meu pai, vendo que Jesus não quis se libertar de modo milagroso como ele havia esperado, tomou a decisão infeliz de tirar-se também de uma forma muito chocante, de sorte que fomos tocados pelo pavor. Finalmente dominei todas as considerações e agora vou procurar o corpo de meu pai para poder enterrá-lo. Posso contar-lhe isto, senhor, por não serdes judeus. Acredito que também não serei traída por causa de minha intenção.”

O romano diz: “Não, minha filha. Nunca te impedirei na tua ação amorosa; pelo contrário, eu te ajudarei. Mas, qual é o nome de teu pai?

Judith diz: “Judas, senhor; de profissão ele era oleiro. Quando Jesus passava pelas regiões, meu pai estava presente. Em casa muitas vezes sofremos necessidades, vivendo parcamente; no entanto Jesus sempre nos deu bastante para que pudéssemos viver;”

O romano diz: “Ouve menina! Eu conheci seu pai; ele foi um homem mau, egoísta, briguento e nunca obedeceu uma ordem.”

Judith respondeu: “Senhor, foi meu pai.”

O romano diz: “Sim, minha filha; é muito bonito ter amor filial a teu pai e guardar dele uma boa recordação. Mas teu pai não merecia este amor. Por isto, deixa-o e volta para casa!”

Judith responde: “Não, senhor, ele é meu pai e o será para toda a eternidade. Jesus exige quer se ame pai e mãe; não está escrito: bons pais, - mas sim, pai e mãe. Por isto eu tento, conforme posso, ajudar a meu pai para que encontre paz.”

O romano diz: “Ouve menina! Teu amor me recorda o Mestre Divino. Dize-me: Por acaso és favorável ao Nazareno?

Judith diz: “Sim e não. Sim porque O amo – e não porque até agora continuei fiel ao Templo até que este nos demonstrou a última prova de seu erro. Agora me é impossível manter a fidelidade ao Templo. Eu quero ir a Bethânia para sempre; minha mãe pode me seguir. Meus irmãos têm o sangue dos andarilhos de nosso pai em duas veias; estes hão de encontrar o caminho.”

O romano diz: “Ages certo. Aliás, Lázaro é meu amigo. Levar-te-ei junto dele. Queremos ir para Jerusalém e poderei te ser útil. Certamente estás cansada e faminta!

Judith diz: “Senhor, caminhei o dia todos. Deus me deu até aqui as forças e há de continuar a fazê-lo!”.

O romano diz: “Bem, sobe então no meu cavalo! Não precisas ter medo de cair; eu te ampararei para chegares mais depressa a Bethânia.”

Em seguida, o romano ainda deu algumas ordens a seus soldados, entregando o comando a um deles e ordenando para levar a tropa a Jerusalém.

Ele então cavalgou rapidamente com a menina até Bethânia. Lázaro se admirou muito de ver um soldado romano a cavalo com uma menina nos braços. Eis que lázaro reconheceu seu antigo conhecido e amigo e cumprimentou-o amavelmente recebendo os dois. Ele disse ao romano que já tinha muitos hóspedes, entre eles vários conhecidos, como Poncius Pilatus, todos os discípulos de Jesus e a mãe, Maria. Ao romano parecia cair uma pedra do coração quando ouviu isto, pois sabia a menina bem guardada. Apresentou a Lázaro a moça, que contou fielmente como tudo havia ocorrido. Também Lázaro estava comovido pelo amor filial da moça. Levou-a imediatamente ao dormitório para poder descansar.

O romano, que dispunha de pouco tempo, voltou para perto do grande grupo, fazendo o relato a Pilatus e conversando por muito tempo com o discípulo João. Tarde à noite ele ainda cavalgou para Jerusalém, SM porém ter falado com Judith, que estava dormindo.

De manhã cedo todos estavam de pé. Eis que Judith veio à grande sala onde estavam sentados para o desjejum. Lázaro conduziu-a a Maia, que abraçou a moça e beijou-se as lágrimas do rosto, enquanto lhe dirigia palavras que Judith em sua vida havia ouvido. Crente, ela dirigiu seu olhar para Maria, quando esta disse: “Ouve, Judith, meu Filho, nosso Bom Salvador e Mestre, ainda vice! Convence-te de que também Judas, teu pai, vive, se bem que seu estado ainda não seja uma vida reta. Mas ele receberá ajuda tão logo se agarrar à Mão do Eterno Amor Salvador!”

Judas ouviu e viu tudo. O amor e a boa vontade de sua filha fizeram em seu íntimo a maior revolução. Não havia queixas, nem condenações. Era apenas música celeste para sua alma sofrida até a morte.

João comunicou à moça que Lázaro trataria do enterro em Bethânia e lhe disse: “Não precisas participar dessa cena. Hoje à noite buscaremos o corpo de teu pai e amanhã a esta hora poderás prestar a ele no seu túmulo o ultimo serviço de amor!”

Neste instante, João viu Judas e lhe disse: “Meu irmão Judas, eis uma prova muito dura para ti, que soubeste de tudo tanto como nós, mas nunca pudeste acreditar. Misturar coisa divinas e espirituais com materiais é incrível! Eis o resultado de tua ação! Não te faço reprimenda alguma mas apenas a mim, que em tua hora mais fraca não fiquei perto de ti. Mas terás ajuda. Continua com teu irmão Dismas – ainda invisível para ti – em nosso amor, o que será um novo caminho para ti. Porém transforma teu sentimento em humilde diante do Senhor. Que Jesus esteja contigo – Jesus convosco!”

Admirada, a menina perguntou: “Caro amigo, com quem falaste agora?”

João diz: “com Judas, teu pai, que trouxeste junto de nós e que tirado por teu amor filial da escuridão da noite e agora se mantém junto de ti, como se fosse seu deus. Realmente não o vês e também não podes falar-lhe. Mas assim está certo, porquanto ainda não suportarias tais coisas, pois de acordo com o seu estado também é sua aparência. Alegre-te, porém, porquanto ele se dirige à meta da vida. É inacreditável o teu pai sofreu até agora. Mas aquilo que foi aceito da vida é o mesmo que estar salvo, e ele sente uma pequena benção como grande Graça”.

Em seguida João se afastou de Maria o corpo de Judas. A carroça com um grande caixão e alguns panos já estava pronta e então levaram Judas até Jerusalém. Parece-lhe que um magneto o atraísse para João. Perto dele se sentia leve e em redor dele havia uma luz. Desta vez também conseguiu reconhecer a região e os irmãos que se aconchegavam na carroça. Somente João sabia da sua presença. Por isso, abstinha-se de toda conversa com eles, para não perder suas forças internas. Neste calma e paz a carroça emanava um calor vital sobre Judas. O anjo e Dismas também seguiram e fora bom que ambos dessem a proteção aos irmãos, pois o oponente bem sabia desta missão e tentava perturbá-la. Uma caravana de comerciantes devia ser afastada. Eis que o anjo se manifestou como uma trovoada, o que fez com que os irmãos se apressassem para chegarem secos até o albergue de Lázaro em Jerusalém. O guarda ficou admirado quando João chegou com sua carroça. Sabendo do motivo, também se prontificou a ajudá-los e mandou um empregado ao local onde Judas se havia enforcado. Suas preocupações eram justificadas porque realmente o Templo havia colocado lá um outro guarda para evitar que o corpo fosse apanhado. Os irmãos se assustaram muito quando ouviram esta informação.

João, porém, estava confiante porque acreditava na força do Amor. Falou então: “não vamos provocar aborrecimento, mas após o por do sol nós o levamos para Bethânia. Poderíamos também caminhar para o chefe militar para garantia de nossa proteção. Mas, para que procurar auxílio mundano quando nós é garantido o espiritual? Vede quantos anjos nos assistem porque se trata de realizar o desejo de uma criança! Portanto, não vos preocupeis, pois Jesus, nosso Fiel Deus e Pai, já providenciou tudo.”

Nestes momentos Judas sofre pavores, porquanto pode fazer comparações entre sim e seus irmãos. Arrependeu-se muito de sua atitude, mas seu íntimo continuava vazio, porquanto ainda não havia achado o caminho para uma verdadeira prece de gratidão. João, porém, lhe disse sobre a verdadeira noção de entrega. “Meu irmão, não podemos desmanchar o que foi feito, porém afastar as conseqüências de atitudes mal feitas. Todos os irmãos querem te ajudar para que possas criar algo novo de ti mesmo. No passado se prende daquele que desculpa sua atitude querendo responsabilizar outros. Mas o futuro é uma vida autônoma e livre de amor, para Jesus, nosso Senhor, que tem que nascer em nosso coração. Isto nos dá tarefas para as quais não estamos preparados. Mas na fé em Jesus encontraremos a força necessária e um Salvador Maravilhoso. Se permaneceres na antiga concepção de tua vida, não sairás de tua condição. Afasta-te de todas as concepções e afirmações e afirmativas anteriores, assim como te afastaste de teu corpo anterior, e hás de te sentir melhor e mais livre no coração. Fica calmo e livre!”

Estas palavras beneficiam Judas, porém a dor e a mágoa permanecem com ele, porque ainda não entendia bem a situação. Quando o dia estava terminando os irmãos se puseram a caminho. O céu tornou-se encoberto, surgiu uma trovoada e dentro em breve estourou uma tempestade. Surgiram raios sobre raios e o constante trovão levou os templários de volta ao Templo; com este tempo eles não se atreveram mais a sair. Os irmãos, porém, ficaram de corpo seco e sentiram novamente a Glória do Mestre, que lhe concedia luz e proteção. Ao chegarem junto do corpo, eles o libertaram do laço de seu enforcamento, envolveram-no em panos e em seguida caminharam silenciosamente como vieram para casa. A trovoada cedeu só depois que Jerusalém se encontrava atrás deles. Aos poucos as estrelas se tornavam visíveis e, debaixo de um maravilhoso céu da noite, voltaram para Bethânia. Juás estava encolhido em cima de seu caixão, que há bem poucos dias lhe era um pavor. Agora a futura separação prevista lhe vinha mais á consciência e ele considerou estas horas como uma Graça do Senhor. No meio da noite chagaram a Bethânia. Lázaro havia preparado uma cova e os amigos íntimos aguardavam, com Judith a sua chegada. Imediatamente começaram a sepultá-lo. Em silêncio entregaram o corpo à terra. Depois de terem libertado os Cordões, Lázaro transmitiu a benção, em seguida os irmãos o fizeram e finalmente Judith, sua filha. Não havia lágrimas, mas uma alegria celeste transpassou o coração da moça e assim ela orou:

“Bom Salvador Jesus, Salvador na aflição, Libertador do pavor e da incerteza. Hei de me entregar a Ti até a eternidade. Prefiro quer me deixes à parte, mas ajuda meu pai! Transmite-lhe paz e conforto. Deixa-me reconhecer Tua Vontade Amorosa e Santa. Abençoa. Tu, pois sem Tua benção não posso permanecer aqui! Amém.”

Todos estavam comovidos. Judas, porém, sucumbiu ante o amor de sua filha.

Pela luz das tochas, os empregados encheram a cova com terra. Os amigos e irmãos, junto com Judith, haviam voltado para casa. Judas, porém, permaneceu junto de seu túmulo. Dentro dele tudo estava como que morto e insensivelmente olhava em sua frente. assim ficou até que sua filha, de manhã cedo, chegou à sepultura, ajoelhou-se e orou.

“Oh Grande e Santo Deus, Cristo de todos os seres, senhor de todas as coisas! Vê, aqui no pó da nulidade, eu estou diante de Ti para Te implorar Graça e Misericórdia. Aqui em virtude de Teu grande Amor, deixa-me carregar este sacrifício e transmite-me a força e a vontade para tanto! Amém! Senhor Jesus, Criador e Santificador, clamo por Ti, de um coração filial! Não considera o peso da Culpa de Meu pai e sê-lhe Misericordioso por causa de Teu grande Amor. Amém.” E, assim fortificada, a moça voltou a casa.

Judas ouvia todas as palavras, bem como os gestos de sua filha. Enquanto escutava, parecia-lhe que uma mão penetrava seu peito e puxava de seu coração um lago vermelho de muitos metros de comprimento. Então ele se contraiu cada vez mais. Eis que de repente o céu irradiou totalmente

e parecia que uma chuva de ouro caia sobre ele. Em torno dele e sua cova, numa medida de sete metros, surgiu uma parede de proteção de luz que e continuava Crescendo cada vez mais.

Dismas então perguntou ao anjo sobre a importância deste milagre e recebeu a seguinte resposta: “O grande Amor Divino e Salvador te foi mostrado aqui, pois também foi visto por Judas. Foi provocado por causa da prece do amor puríssimo de uma filha que, a fim de fazer o seu pai feliz,

quis tomar a si toda a sua Culpa. O que assistes aqui é o nascimento de um verdadeiro fruto da Arvore da Vida. Após ter pronunciado aquela prece, atingindo ate o Coração do grande Doador, este amor foi devolvido como prova de sua aceitação e domador de influências nefastas. Eis uma grande raridade, quase que única. Por isto, este marco de amor filial deve iluminar para todos os tempos, tornando-se um altar. Nos, anjos e servos de Deus, dobramos nossa cabeça e os joelhos e O adoramos.

Eis que Judas é salvo. O que ele não conseguiu por si mesmo, torna-se agora fácil pela vida livre, infantil e divina de sua filha. E este amor maravilhoso e libertador estende com novos recursos da Graça as suas duas mãos. Presta atenção a tudo, pois o crescimento de Judas é também o teu (também o nosso).”

Judas se ergue e como de longe percebe a luz rnaravilhosa e dourada. Então fala de si para si: “Como fizeram bem ao meu coração as tuas palavras, minha querida e boa filha, e quão mau eu me considero agora! Oh Judith, preferes carregar o castigo e a vergonha para mim! Meu Pai, possível existir tal criatura? Não há possibilidade de uma saída desse conflito? Se me fosse possível encontrar Jesus, o Mestre, haveria de pedir-Lhe de joelhos durante tanto tempo até ter a certeza que o grande amor de minha filha será recompensado e que ela não precisara carregar minha grande Culpa! Agora entrarei em casa e procurarei Judith, para poder agradecer-lhe, ainda que não o perceba!"

Entrando em casa, a coluna de luz o acompanhou. Eis que encontrou Judith e encostou-se nela, deu-lhe um beijo demorado e orou: “Oh Jesus, Bom Mestre, conserva esta filha em Teu Coração e deixa-me encontrar-Te em minha aflição, para que seja ajudado!”

Em seguida, ele voltou à tumba. Lá encontrou uma corja de elementos pavorosos que cavavam com intensidade a terra. Cheio de curiosidade, ele seguia a ação deles. Pelo que diziam, ele reconheceu que supunham haver ouro e tesouros neste monte de terra. Muito ativos, desejavam chegar logo ao mundo da cova. Quando finalmente lá chegaram, em vez de encontrarem ouro e pedras preciosas, naturalmente encontraram o corpo de Judas e ficaram muito desapontados. Eis que um deles vê Judas e diz: “Olha ai, amigo! Lá está o dono deste corpo, que nos deixa cavar e nos cansar! Quem és finalmente? Nós nos conhecemos certamente! Vem cá e não te afastes, pois tua profissão foi oleiro, traidor e ladrão. Vinde, amigos, que ele paga por sua curiosidade de nos ter apanhado!” Assim rodearam Judas, com expressões muito nefastas. “Então, não queres falar? Traidor miserável! Fala depressa!”

Diz Judas: “Que vos fiz eu para ser tão ameaçado? Se bem que eu seja Judas e tenha traído rmeu Senhor, já fui castigado por isso. Ainda poderia estar junto Dele, meu Mestre, saboreando maravilhosas bem-aventuranças. Assim, porém, estou só e não tenho consciência de quanto tempo existo no Reino dos Espíritos!"

Diz uns capangas: “Ouve, traidor! Deixa de nos contar histórias, pois não nos interessa onde estiveste. Mas, que nos deixaste trabalhar onde não havia lucro para nós, isto tem que ser castigado! Portanto, vamos! Nós vamos embora, pois não queremos ver quão depressa hás de encontrar ouro e prata!”

Judas calou-se, tomou uma pá e preencheu a cova. Uma vez pronta, deixou a pá e disse aos homens: “Ainda quereis ouro? Somos espíritos e não necessitamos mais de ouro e prata. Precisamos sim de uma pátria, um local onde possamos ficar!

Uma gargalhada geral foi a resposta: “Nós espíritos?! Não necessitamos mais de ouro?! Deve ter perdido toda a razão!”

Judas diz: “Não percebestes que nosso mundo agora é outro?”

O outro responde: “Talvez precise ser diferente para um traidor, mas para nós é sempre o mesmo!”

“Meu amigo”, falou Judas, “ouve-me. Eu fui aluno de Jesus de Nazaré. Desde que estou aqui por algumas horas surgiu-me uma luz sobre minha vida passada. Arrependi-me profundamente de minha atitude surgida de um pensamento errôneo. Também era ávido por dinheiro, bens e honras. Quantas vezes ouvi do Senhor que todo o ouro preciosidades da Terra de nada valem e que teremos de abandonar tudo quando deixarmos nosso corpo. Eu passei por isso agora e fui o mais pobre, e ainda o sou. Deveis confessar também vossa pobreza e que tudo é riqueza não passa de uma ilusão: assim como este mundo em que vivemos, que é apenas um mundo de fantasia. Posso dar-vos a prova de que esta vida atual não tem consciência. Vinde comigo a Jerusalém, onde está o Templo em escombros, que há cem anos foi dirigido pelo sumo-sacerdote Eliasib e seus comparsas.

Por ter querido o mestre ajudar os habitantes deste Templo de aparências, Ele fez com que essa construção de fantasia ruísse. Enquanto todos acreditavam nas Palavras do Senhor e se deixavam levar pelo caminho da Vida, o sumo-sacerdote teimoso ainda vive lá nos escombros. Vinde e convencei-vos das minhas palavras, e se eu tiver mentindo podeis fazer tudo comigo, que suportarei com paciência. Mas, se eu tiver dito a verdade, devereis também acreditar que vossa vida aparente não existe!”

Dá-se outra gargalhada, mas o dirigente deles diz: “Ouvi, a questão merece ser estudada. Nós nada perdemos aqui; e caso Judas tiver razão a respeito do belo e orgulhoso Templo em escombros, teremos uma grande presa para nós, pois o Templo oculta grandes riquezas”. Esta oferta agradou o chefe consegue falar: “Alegre-te, meu amiguinho, se tiveres mentindo, porque então serás picado em pedaços!” Eles prosseguem sob gritos e imprecações enquanto Judas está sendo mantido no meio deles.

Com triste, Judas olha para Betânia e envia no coração graças sobre graças, e pedidos sobre pedidos para sua filha Judith. Foi obrigado a ouvir muitos ataques e quando pretendia responder foi obrigado a se calar.

Após caminhada prolongada e cansativa, eles de longe conseguiram ver Jerusalém. Mas as torres do Templo não iluminavam o caminho, pois para onde olhavam só viam nuvens de fumaça. Então confabularam entre si se Judas não teria razão. Em pouco tempo estavam perto dos escombros do Templo, onde estava tudo destruído e queimado. Os amigos não davam mais atenção a Judas, começando a procurar entre os escombros as jóias do Tempo à medida que a fumaça e o calor o permitiam. Entrementes, Judas procurava o sumo-sacerdote e pensou se por acaso ele ainda estaria por ali. Enquanto se entretinha com isto, trepava e descia, surgiam de um buraco do chão o sumo-sacerdote e seus adeptos e caíram sobre Judas, empurrando e batendo, até que ele caiu sem sentidos. Antes disto, porém, ele ainda gritou: “Senhor Jesus, ajude-me!” Os anjos ouviram isto e vendo o que tinha acontecido foram socorrer Judas, e um dos companheiros, chamado José, falou com raiva: “Por que bateste em Judas? O que te fez ele?”

Cheiro de amargura, o sumo-sacerdote, o sumo-sacerdote gritou: “Dentro em pouco estareis na mesma situação que este traidor. Ele traiu o Mestre, depois a mim e agora conduz um grande número de criminosos até aqui a fim de se vingar porque eu ameacei aniquilá-lo!”

“Infeliz mentiroso!” respondeu José. “tira essa roupagem mentirosa, pois havemos de ensinar-te a te vingares por causa de um criminoso. Guarda bem: Judas não pretende te prejudicar. Ele nos conduziu aqui para provar que estamos no Além, e agora vemos que ele tem razão e não nos mentiu. Por isto está sob minha proteção. Tu, porém, acabaste agora com tua glória, com teu reino da mentira. Vamos, irmão, levemos este traidor até o Gólgota, até a cruz onde ele pertence, para não poder prejudicar mais ninguém!”

Neste instante Judas volta a si: José vai junto dele e o ajuda, dizendo: “Ele te bateu? Ele há de pagar por isto! Levanta para que possas melhorar!” Judas então se encontra de pé e vê que despiram o sumo-sacerdote e o amarraram nas pernas. Então perguntou: “Por que fizeste isto? Ele nada fez de mal!” Responde José: “A nós não, mas a ti, e isto nos aborrece. Se ele fosse um assaltante comum, nós poderíamos entendê-lo. Mas ele é um servidor de Deus! Por isto, que pague e seja crucificado no Gólgota! Vamos, pegai-o! Vamos em frente e tu, Judas, farás o sermão dos mortos, enquanto nós vamos crucificá-lo!”

Exclama Judas: “Parem, assim não pode ser! Não pretendemos aumentar nossa culpa! Vamos esquecer que ele teve coisas desagradáveis conosco. Vamos, soltai-o! esta atitude não vos trará certamente nenhum prejuízo. Ele nada vos fez e eu estou feliz de ter finalmente uma oportunidade julgueis a fim de não serdes julgados! – Por isto, ajudai-me a libertar suas algemas e, se por acaso continuar em sua teimosia e ódio, podereis fazer com ele o que pretendeis. Se tiver porém boa vontade de se modificar, deverá ser livre; ele está em nossas mãos e não precisamos temê-lo!” Em seguida, Judas se vira para Elisab e diz: “então, bom amigo, ouviste tudo. Qual será tua atitude? Pretendes continuar a reagir ou farás como nós, mantendo paz e calma? Ouviste o que te espera! Não percas tempo em pensar e pede perdão aos irmãos!” Os homens de fato liberam as algemas do sumo sacerdote, sem reação de um sequer. Ele está livre e Judas se apieda de Elisab desnudo, tira seu manto e procura cobri-lo. Neste instante se aproxima Dismas e, a mando do anjo, coloca um outro manto sobre as costas de Judas. Então este o reconhece. Cheio de alegria, ele o abraça e diz: “Que bom que estás aqui outra vez! Não hei de me separar mais de ti! Passei por coisas horríveis por épocas amargas!”

Responde Dismas: “Deixa estar, irmão Judas! Sei de tudo e sempre estive contigo, sentindo teu sofrimento e amargura. Se eu não tivesse a promessa de que havias de ter ajuda, eu teria sucumbido de dor. Mas agora não vamos nos preocupar tanto conosco. Nossa missão se chama: ajuda. Enquanto ajudamos, também seremos ajudados!”

Judas diz: “Disto bem que me lembro! Continuo ainda o antigo Judas! “Tomando da mão de Dismas, ele o conduz junto dos colegas e diz: “Eis aqui o meu amigo Dismas, que me deu o primeiro socorro neste mundo. Eu o havia perdido, mas, Nazareno foi crucificado. Naquela luta de morte eu pude, com um único pedido, agarrar a mão que me ajudou, quer dizer, a mão de Jesus de Nazaré. Devo a ele exclusivamente o meu ser, podendo passar pelas provas da Graça, pelo amor libertador de Jesus, o Salvador. Apenas gratidão se manifesta em meu coração, gratidão por um amor tão ilimitado, por ter tido o mérito de poder ajudar. Dizei-me irmãos: Por acaso não sentis uma vida cheia de felicidade e alegria? Tudo isto será vosso e de todos aqueles que desistem de considerar apenas a si mesmos. Aqui no Reino dos Espíritos os pesos e medidas são outros do que na vida terrena. Perguntai a este pobre homem, o sacerdote, há quanto tempo ele já se encontra no dito Além e o quanto ele até agora conseguiu melhorar. Se o amor Misericordioso de Jesus não tivesse lhe tirado o Templo aparente, ele haveria de continuar durante mil anos ainda o suposto grande sumo-sacerdote. Ele agradece somente ao Amor de Jesus por poder agora se encontrar com o manto de Judas.”

“Oh Dismas, interrompe José, seu antigo companheiro de lutas e chefe, o que estás nos contando?! Nós não sentíamos nenhuma vontade de viver de outra maneira ou de nos modificarmos. De fato agora acredito em vós. O que pretendes fazer conosco? Pelo que vejo, sois também pobres diabos como nós. Confesso que ouro e prata de nada nos valem aqui! Mas, para onde vamos? Em nossas mãos gruda o sangue! Éramos assaltantes e incendiários, e agora subitamente tudo isto está perdoado e deve ser esquecido? Não é possível! Agora que tudo se nos tornou claro e que o que nos foi ensinado na infância é realmente verdade – por exemplo: que após a morte existe uma vida no Além – então o Juízo Final também vai ser verdadeiro e todos nós estaremos perdidos. Tu também foste da mesma laia que nós. A quem há de recorrer e chamar quando vier este Julgamento? Já falas daquele Nazareno, assim como também Judas. Mas por acaso ele tem o poder e o direito de perdoar os pecados? E poderia dispor sem mais nem menos sobre criaturas que constantemente faziam o contrário daquilo que ele ensinava? Vê o Judas! Nas suas mãos não existe sangue, nem roubo. Ele privou por muito tempo junto do Nazareno. Passeou com ele e os adeptos pelo país e era, pode-se dizer amigo Dele. Mas aqui Judas se encontra na mesma situação que nós. Seu Jesus abandonou-o bem no lodo. Poderíamos tê-lo destruído quando caiu em nossas mãos e também o sumo-sacerdote bateu nele até que perdesse os sentidos, - e não houve Jesus que o ajudasse! Não, Dismas, se queres e podes nos ajudar pela tua convicção, é preciso que nos dê explicação clara e uma prova!”

Dismas queda perplexo e, não encontrando resposta, deu alguns poucos passos atrás para perto de seu anjo da guarda, pedindo que o assistisse. O anjo meneou a cabeça e disse: “Sim, meu amigo quando me pedes posso te ajudar e o faço com prazer. Mas, por que não te diriges em tua aflição diretamente a Jesus, o Senhor, em teu coração? Por acaso sabes se teus amigos me reconhecerão e ouvirão o que eu digo? Pergunta-lhes primeiro se estão de acordo!”

Dismas volta e diz a José: “Olha, aqui existe mais alguém bem perto, que há muito tempo é habilitante do Reino dos Espíritos. Ele nos poderá dar explicação justa a todas as perguntas e também nos mostrar o verdadeiro conhecimento sobre Jesus. Não quereis ouvi-lo?”

Responde José: “Que venha! O principal é que ele nos esclareça e estamos prontos a ouvi-lo!”

Eis que o anjo se aproxima e diz: “Sede bem vindos queridos amigos, que estais pedindo explicação sobre Jesus. Sou um habitante muito antigo deste mundo dos espíritos e conheço bem sua ordem. Sou servidor de meu Senhor e Deus e também me encontro aqui para cumprir a sua Vontade, que consta: Trazer socorro àquele que me pede. Dar a Verdade àquele que o exige! – agora eu vos pergunto: estareis dispostos a acreditar em mim, ou me considerais como algum e que fala do alto de sua autoridade justiceira?”

Responde José: “Não te conhecemos, no entanto nos chamaste de queridos amigos. Por acaso sabe quem somos? É perigoso lidar conosco, pois somos ladrões e assassinos, se bem que tenhamos sido soldados; mas o sangue derramado nos instigava cada vez mais. Por isto não é conveniente lidar conosco, pois, se passarmos mal, não podemos garantir o que acontecerá contigo. Fizemos muitas experiências e também não podemos acreditar no nosso dirigente Dismas, assim sem mais nem menos. Mas como nos trata de queridos amigos, somos obrigados a mandar-te embora pois, como disse, nossa companhia não é muito agradável.”

O anjo sorri para José e diz: “Amigos, não vos preocupeis comigo, pois sou um servo de Deus e nada preciso temer. Estou aqui apenas porque Jesus, meu Senhor, pretende vos salvar. Continuais a falar mal Dele e duvidais, porque Judas ainda se acha longe Dele. Eu porém digo: de fato, assim é, e vós também ainda estais longe Dele; Jesus, porém está perto de vós e sempre é o mais Próximo de vós. Depende portanto apenas de vós de vos dirigentes a Ele, mantendo-O com todo o vosso amor. Mas aqui, no Reino dos Espíritos, a evolução é mais lenta do que na Terra, porque cada um vive em seu próprio mundo e só se encontra com aqueles que eram da mesma índole. Geralmente ninguém se aproxima daquele que lhe acende uma luz; pelo contrário. Tudo tem que nascer de dentro para fora do vosso próprio coração e este é um caminho muito longo. Mas vistes Judas em sua aflição e miséria e pudestes encontrá-lo. Isto foi a vontade de Jesus, pois todos vós tendes a mesma tendência espiritual que Judas e Dismas. O fato de Dismas ter recebido um guia a seu pedido, desenvolvendo-se agora rapidamente para a luz ser imitado por vós se pretendeis fica com ele no mesmo diapasão. Dismas cuidará de Judas, e este aceitará vosso cuidado; mas antes é preciso que se organize a justa união da vontade. Quando vosso amor e união se estenderem as mãos estareis em condição de subir um degrau no caminho da perfeição. Antes de mais nada, pedi perdão a Judas e a Dismas porque o magoastes muito com vossa ironia sobre Jesus de Nazaré. O Mestre já vos perdoou porque agistes com tanta ignorância.”

Respondeu José, que no seu coração já tinha amor pelo anjo: “Ouve, servo de Deus, vens agora com coisas tão diferentes do que pensávamos! Aguardávamos de ti provas de que tivéssemos vivido erradamente e que ainda vivemos contrários à Vontade. Tudo, porém, nada disto dizes e queres e queres que peçamos perdão a Judas e a Dismas. Por enquanto só conhecemos o poder da força e que não nos libertamos tão facilmente desse poder. Por acaso teria sido possível agir sem força para salvar Judas das mãos do sumo-sacerdote? E deveríamos também pedir perdão a este?”

“Queridos amigos”, diz o anjo, “ao sumo-sacerdote não é preciso pedir, porque fostes impulsionados pela vossa atitude de socorro a Judas. Ele, porém, terá que pedir perdão pelo coração, pois até então isto só foi feito pela boca.” Nesse instante o sumo-sacerdote no manto de Judas se adianta e diz: “O que?! Ainda devo pedir perdão?! Primeiro, não são tomadas em consideração minhas vestes, que eram a prova de minha dignidade sacerdotal. Em seguida, são elas arrancadas do meu corpo, e no final sou ofendido até a morte. E a isto chamas de evolução para Deus, pretenso servo de Deus? Se eu pudesse fazer o que quero vereis alguma coisa!”

“Eliasab, cala-te por enquanto”, diz o anjo. “Insistes no teu ponto de vista, na tua dignidade imaginária. Eu te digo: se tivesses seguido Jesus quando te convidou e acreditado em Suas Palavras, estareis agra cheio de alegria e felicidade, e teu Templo ainda estaria de pés para benção dos pobres e perdidos. Digo a vós todos repetidamente quer é preciso nos unirmos numa só vontade antes de prosseguirmos nosso caminho. É preciso haver harmonia entre nós e isto só é possível na base do perdão. Porventura preferís agir como até então? Vede, Judas vos deu a prova de que não viveis mais na Terra; por isto fostes com ele. Tendo agora esta convicção de viverdes como espíritos, logicamente precisais acompanhá-lo a fim de levardes uma vida espiritual conscientemente, pois Jesus disse: quem segue Minha Doutrina viverá!” De fato, estais vivos; mas é uma vida cheia de miséria e pavor. Se agis segundo as Palavras de Jesus, paz e alegria serão a realização entre vós. Por isto vos pergunto: quando vos alimentastes pela última vez neste mundo? Quando encontrastes outras pessoas?”

Neste momento José se vira para os amigos e diz: “De fato, é estranho que ainda não tenha pensado nisso! Não comemos nem bebemos e também não sentimos fome nem sede. Ainda não encontramos ninguém, a não ser vós, com quem estamos agora!”

“Acabastes de constatar muita coisa. Portanto, tendes uma prova que Judas pronunciou a verdade. Prossigamos. Também ouvistes falar de Jesus, o Salvador. Como é possível não terdes vontade de conhecê-Lo? Eu vos digo: No vosso coração pressentistes que era preciso abandonar a atitude maldosa, pois Jesus é Amor e Justiça. Esta última vos assusta e vos impede de encontrá-Lo. Sabes perfeitamente que esta é a verdade. Mas eu vos afirmo que enquanto alimentardes ainda medo Dele e fugirdes Dele, evitando-O por vossa atitude como até então, não vos poderá ser dada ajuda. Digo mais: Jesus vive! Sua Vida é Majestade e Poder de Perfeição. Ele sabe de todas coisas. Ele sabe também que estamos agora falando Dele. Conhece vossa miséria e me enviou para vos juntar. Minha pátria é a Luz e uma vida cheia de atividade.

A Terra é apenas uma escola de provação. O homem lá pode melhorar em caminhos pedregosos ou cheios de espinhos para as alturas de seu coração, criando assim um mundo livre, consiste e eterno, renascendo então para uma nova criatura, para um ser divino.

Vós ainda vos encontrais na esfera de vossa Terra. Enquanto não fordes renascidos, continuareis neste estado de miséria. Nós, como servos de Deus, temos a missão de ajudar aqueles que necessitam de nosso socorro e que pedem no seu íntimo ajuda ao Pai, nosso Deus de Eternidades. Podeis deduzir de minhas palavras que elas se originam de um rigor santificado. Apesar de ter muito poder sobre vós, podendo vos afastar e deixar-vos novamente abandonados, isto não é da Vontade de Deus, de sorte que todos vós, seguindo de livre vontade, podeis evoluir para um ser melhor.”

Eis que José se dirige aos companheiros e diz: “Todos vós ouvistes o que estrangeiro nos relatou. Por certo não chegou perto de nós com más intenções no coração uma grande confiança para com ele. Minha opinião é a seguinte: segui-lo para longe daqui, quanto mais longe melhor! Não estais de acordo?”

Todos os seus lhe dão razão. Uns, porém, conheciam e se perguntam se não haveria um julgamento. O anjo se aproxima e lhes diz: “Caros amigos, percebi vossa preocupação, muito embora sussurrada. Nada do que vos diz respeito me é oculto. No entanto vos entendo e asseguro que se me seguirdes, o castigo terminou por toda a Eternidade. Todavia, tereis que corrigir aquilo que fizestes de mal. Vossa culpa não exige castigo, apenas arrependimento, penitência e disposição para fazer sacrifício: quer dizer, um sentimento novo, amoroso e submisso! Se quiserdes, podereis agora mesmo trocar vossa vida atual por uma vida de alegria!”

Nisto, Jose responde ao anjo: “Ouve, caro amigo: Teu pronunciamento é amoroso e tuas palavras contém um estímulo, de sorte que nada mais tenho a opor – vinde, irmãos, deixemos esta vida antiga aqui e sigamos com alegria. Basta tu nos dizeres o que devemos fazer!” o anjo se vira e todos percebem a pouca distância uma pequena casinha num morro. “Segui-me até lá para nos confrontarmos e podereis finalmente degustar o Amor de Jesus, que vos trará muita alegria”.

O anjo toma à dianteira e os sete o seguem. Judas fica de pé, por isto também Dismas aguarda. Este pergunta: “Irmão, não queres ir também?” “Sim”, responde Judas, “mas eu não fui convidado e, além disto, aqui ainda se Encontra Eliasib. Devo abandonar novamente o infeliz? Nisto Dismas pergunta a Eliasib se não está disposto a vir também e, como este confirma, Judas fica satisfeito e todos os três correm atrás dos outros.

Chegando à casa, um homem respeitável, de olhos bondosos, lhes abre a porta e os convida com muita amabilidade. Ele os conduz ao quarto onde o anjo já se encontra com os sete. Havia uma grande mesa comprida com bancos dentro daquela sala bonita e acolhedora.

“Eis aqui os três seguidores”, diz o anjo. “Acomodai-vos como quiserdes, que trarei pão, sal e vinho.”

O anjo cumprimenta Judas e lhe diz: “Meu amigo, o fato de não tê-lo convidado se baseia no seguinte: Tu conheces a Verdade e tens o livre arbítrio. Agiste bem por teres vindo e principalmente por teres trazido também Eliasib. Por isto deves sentir alegria, sabendo o que quer dizer ter amado.”

Nisto se aproxima o agradável anfitrião. Arrumou a mesa com pão, sal e vinho, animando todos a se servirem. Pela primeira vez eles estão se servindo de alimento do Reino dos Espíritos. Após se terem saciado bastante e se sentindo esta refeição é realmente igual àquela quando eu me encontrava ainda com Jesus na Terra, sentado à Sua mesa. Mesmo que houvesse pouca coisa sobre a mesa, todos nós ficávamos saciados, embora fossemos muitos. Oh, como seria bom se o Mestre ainda Se encontrasse em nosso meio! Onde estará Ele? Não seria possível procurá-lo junto Dele?”

Responde o anjo: “Caro Judas: como homem, podias dizer: queremos ir lá onde Se encontra o Mestre! – Mas agora nos encontramos no Reino dos Espíritos e Jesus Se encontra em verdade em toda parte.terás que fazê-Lo nascer em teu próprio mundo. Isto só é possível por um grande amor para com Ele, que se manifesta na vontade de servir. São essas as condições necessárias para encontrá-Lo e os caminhos que levam a Ele. Ainda tens algo a fazer, pois um perdido te aguarda: Gesmas em Gólgota. Andar na direção do Senhor é o sentimento dentro de ti de que um necessitado exige tua ajuda. Gesmas ficaria satisfeito caso te tivesse como companheiros, pois o ódio por que ele passou foi um castigo terrível. Há muito tempo ele se arrepende de ter feito aquela ironia contigo. Por isto te dou um bom conselho: apressa-te ao Gólgota. Traz Gesmas, para que todos se tornem unidos!”

Os outros queriam intimar Judas a levá-los também. Mas o anjo disse: “Não, meus amigos, Judas tem que ir só, pois tem que cumprir essa missão. A menos que ele peça a alguém para acompanhá-lo.” Então Judas pede a Dismas para acompanhá-lo, pois não queria mais se separar dele. Ambos se dirigem ao Monte do Gólgota e Judas pode reconhecer tudo, pois estava bem claro, e sua conversa com Dismas era cheia de alegria. Falavam sobre tudo que tinham passado juntos e Judas foi obrigado a se admirar da sabedoria de Dismas. Mas isto não o aborrecia; pelo contrário, amava-o ainda mais. Quando chegaram lá, Dismas disse: “Aqui não se trata apenas de Gesmas. Trata-se também de nós e de muitos outros que se encontram no mesmo estado em que estávamos, pois não é só na Terra que os homens vivem no orgulho e na ganância do dinheiro, porque aqui no Reino dos Espíritos isto também acontece. Lembra-te do sumo-sacerdote Eliasib. Os templários querem dominar e não suportam ninguém ao seu lado. Eles não conhecem Deus absolutamente, apenas Sua Palavra Escrita; e também esta, só externamente e sempre a expressam de sorte que só resulta sucesso e vantagem para eles mesmos. Por este motivo Jesus lhe era odiento, pois demonstrou um carinho que leva a Deus sem intermediários. Ele intercepta o caminho do domínio e por isto O pregaram na cruz. Também tu foste um instrumento junto para eles. Mas, após querermos ser instrumentos nas Mãos do Senhor. Por isto não devemos lutar contra os gananciosos e orgulhoso, como me ensinou o anjo, pois temos que classificar o orgulho e a ganância como feridas e doenças que queremos curar pela humildade, dedicação e serviço alegre. Somente o podemos fazer a bem dos outros se torna um bem reconquistado e só o que conseguimos equilibrar em outros será redimido em nós; e medita que um grande anjo poderoso está ao nosso dispor quando nossas forças não forem suficientes!”

Judas confirma tudo de coração aberto. Ambos se calam e seguem seu caminho. Após certo tempo, depararam com o Monte Gólgota e finalmente chegaram perto de Gesmas, que estava de cócoras em cima de um tronco, confabulando consigo mesmo: “É como eu sempre pensei. Não se pode ver nenhuma alma com a qual se poderia acertar contas. O pior é a escuridão: uma noite eterna! Assim, mesmo que alguém chegasse, eu não poderia vê-lo. Que desespero! Este mundo espiritual é uma miséria cruel! Milhões de pessoas já morreram e eu ainda não encontrei nenhuma. Se eu tivesse ido com Judas, ao menos teria alguém ao meu lado. É como já disse: O homem é açoitado qual animal e no Reino dos Espíritos é abandonado e esquecido. Se isto acontece com todos, só posso lastimar o Nazareno. Pobre e tolo bom homem! Também tu foste perseguido até a cruz e agora certamente estás esquecido e deves sofrer durante a noite!”

Enquanto assim falava, pela primeira vez sem raiva e até com piedade, pensando no Nazareno, parecia-lhe como se alguém lhe tirasse a venda diante dos olhos. Fora-lhe possível ver de novo. Ainda que não estivesse muito claro, ele poderia reconhecer que havia dois homens diante dele. Judas se adianta e diz: “Meu amigo Gesmas, Judas voltou para te ajudar. Ele sente a Graça de Deus e ainda te trouxe um amigo. Se quiseres, poderás ir conosco porque não queremos ficar no Monte Gólgota.”

Gesmas exclama de alegria: “Tu, Judas, e tu, Dismas! Contai-me como viestes e para onde quereis ir! Levai-me depressa, antes que vos arrependais. Não teria sido possível vir antes? Aqui os anos se tornam eternidades. Tu foste mais sagaz, Judas. Foste embora e encontraste Dismas, enquanto eu, desde aquele tempo, aguardo em vão o aparecimento de alguém. Mas ninguém apareceu. Talvez o mundo melhorou, porque ninguém mais foi crucificado depois de nós. Mas, Dismas, dize-me; como foi a situação do Nazareno no Paraíso? Por que o abandonaste? Estou completamente confuso, certamente como conseqüência do longo abandono e da alegria atual!” responde Dismas: “Caro irmão, não fales tanto e tem paciência. Nós te ajudaremos com prazer, mas para isto temos que ter a certeza que deixarás teu pensamento de ódio e vingança aqui. Poderás nos seguir só de coração filial para onde vamos. Lá só valem amor, piedade e sentimento de sacrifício, de sorte que tens de manter uma vontade boa e positiva. Queres realmente nos acompanhar? Diz Gesmas: “Sim, claro que quero! Vou para onde quiserdes, onde for mais bonito do que aqui. Mas, para ser sincero, digo que não posso sem mais nem menos abandonar minha raiva, como se fosse um capote que eu deixaria por aqui. Não, assim não é possível! Terás que ter mais paciência comigo. Mas, se puder, irei convosco. Não hás de me deixar outra vez, Judas!”

Judas diz: “Meu Gesmas, só poderás vir nas condições que ouviste de Dismas”.

Prossegue Dismas: “Se pretendes realmente te modificar, poderemos te ajudar. E, se nos acompanhas, terás que servir aqueles que te abateram. E aqueles aos quais fizeste mal terás que implorar para que sejas perdoado. Digo-te sinceramente que tua situação é muito pior do que pensas. Onde estaria eu agora se Jesus me tivesse negado Sua Graça, e onde estarias tu se Ele – a Misericórdia – não Se tivesse apiedado de ti? Lá onde enterrados muito o Templo em escombros se encontram enterrados muito orgulho e ódio. Certamente também tu estarias enterrado nos escombros do teu próprio mundo e se passariam eternidades antes que te encontrassem novamente. Sê, portanto, de boa vontade e segue-se, pois ainda não é tarde demais!”

Gesmas pega a mão de Dismas e diz: “Amigo e irmão, tuas palavras são quais espadas, mas também como bálsamo. Seguirei tuas palavras conforme posso; mas, ajuda-me, irmão! Não tenho outra ajuda senão a vossa. Ele Se encontrava em nosso meio e sofreu! Esta é a minha maior tristeza! Quero pedir-Lhe perdão, caso O encontre!”

O ambiente tornou-se novamente mais claro e Dismas disse: “Meu irmão, o Salvador já te perdoou porque pediste de coração. Se, de acordo com as orientações Dele, nos seguires fielmente, hás de assistir em breve à maravilha de sua bondade e Misericórdia. Agora, vamos! Muitos esperam por nós! Mas Tu, Deus, cheio de Graça, continua a nos ser misericordioso para podermos seguir os Teus caminhos! Amém”.

Em seguida eles descem o Monte pelo caminho de volta que tinham feito. Súbito, porém, Judas pára e diz: “Meus irmãos, aguardem alguns minutos por mim! Esqueci alguma coisa!”

Gemas revida: “Esqueceste alguma coisa? Tu não possuis nada que pudesse ter esquecido! Mas, se for do agrado de Dismas, eu volto contigo para te ajudar a procurar!”

Dismas, porém, o segura e diz: “Fica comigo até Judas voltar. Enquanto ele não precisar de nós, podemos esperar aqui, pois acredito que ele queira estar só.”

Judas então voltou rapidamente e apanhou a cruz deixada no solo, sobre a qual Jesus tinha sido pregado, e com muita dificuldade ele tomou em seus ombros. O peso magoava demais. Com dificuldade e gemendo ele chegou novamente junto dos outros. Gesmas não sabia o que dizer de tanta admiração, enquanto Dismas chorava de alegria e emoção. Louvou e agradeceu a Deus em voz alta pela maravilhosa Graça que Ele permitiu acontecer com Judas. Eles então quiseram ajudá-lo, mas este recusou qualquer socorro.

“Posso descansar quando se tornar muito pesada”, disse ele; “mas tenho a impressão de que a cada passo a cruz se torna mais leve”.

Dismas lhe dará razão e diz: “sim, irmão Judas. O pavor da cruz provoca sofrimentos mais difíceis de suportar do que a própria cruz. Mas, quem a carrega confiando na Força e na Misericórdia de Deus, para servir a outrem e ajudá-lo no verdadeiro espírito da humildade, disporá de forças inimagináveis, e a cruz desprezada se tornará uma prova de glorificação e sublimação. Judas, Judas, agora te apegaste à vida! Imagina as maravilhas e bem-aventuranças desde que carregas a prova de tua culpa diante de todos! Agora virá o momento em que aqueles que te condenaram sentirão o peso da cruz no teu lugar. Mas quem – como tu – carrega abertamente a prova de sua culpa, estará com Deus Mesmo e a plenitude de Seus anjos ajudará a carregá-la.”

Quando finalmente atingiram o pequeno lugarejo, queriam entrar, mas Judas percebeu que a cruz não passava pela porta. Por isto pretendia ficar lá fora, pois não queria se separar da mesma antes de tê-la levado ao seu ponto final. O velho anfitrião trouxe um banco e falou: “Descansa aqui até chegarem os irmãos!” – e desapareceu outra vez dentro de casa, Eis que todos chegaram e cada um levava algo em sua mão, oferecendo deste modo um refresco e um pedaço de pão.

Com gratidão, Judas os aceitou e, quando se havia saciado, dirige-se a Dismas e diz: “Querido irmão, necessito do teu conselho porque desejo levar a cruz onde ela já deveria se encontrar. Mas o Templo está destruído e aqui estou eu, e não desejo ficar no meio do caminho. Ve se me podes dar um conselho, pois esta preocupação abate minha alegria. A não ser que o teu amigo anjo nos possa aconselhar melhor.”

No mesmo instante o anfitrião se aproxima com o anjo saindo de casa. Judas se curva diante do anjo e diz: “Fiel servo do Senhor nosso Deus, não poderias me transmitir a Vontade do Senhor no sentido de onde devo levar a cruz? Desejo completar minha tarefa, mas temo porque o Templo não existe mais.”

O anjo responde: “Judas, és inteiramente livre, pois se eu te disser: O Senhor quer isto ou aquilo, - serás um servo obrigado a fazer o que Ele exige. Mas, como tu mesmo voltaste de livre e espontânea vontade, apanhando a cruz do teu próprio íntimo por tua vontade, dispensando a ajuda de teus irmãos, eu te aconselho como irmão em Deus: Medita em teu coração e faz o que manda. Assim ficarás livre de toda preocupação; porém não exageres nada e não desmereças esta época da Graça por algo corriqueiro. Contempla tua obra a fim de que Deus possa completar a Dele em ti. A paz esteja contigo! Amém.”

Eis que Judas se despediu dos outros, apanhou a cruz nos seus ombros e se encaminhou sozinho. “Deus esteja contigo até que nos encontremos de novo!” exclamaram os outros. Judas, porém, corria o quanto podia com seu peso para Jerusalém. Agora ele reconheceu muitas pessoas que o olhavam admiradas. Com a velocidade de um raio, a notícia correu adiante: “Judas, o traidor, está trazendo a cruz de seu Mestre!” ele bem que o ouviu, mas não se preocupou. A multidão crescia cada vez mais olhando para ele e muitos o acompanhavam; a maioria por curiosidade, e alguns por piedade, procuravam ajudá-lo. Ainda outros o ridicularizaram, sendo acalmados pelos demais compreensivos.

Judas, porém, não tinha medo. Parecia-lhe que a Voz Suave do seu Mestre o fortalecia, e da própria cruz parecia emanar uma força que tapava a boca dos clamadores e transmitia respeito aos seus corações. Se bem que Judas vez por outra tinha que se desfazer da cruz, à medida que ele prosseguia ela se tornava mais leve, e finalmente chegou lá onde antes estava o Templo! Entrementes, seu acompanhamento tinha se tornado. Poderiam ser alguns milhares que o acompanhavam de ambos os sexos. No local onde antes estava o altar havia uma elevação e grandes blocos de pedra lhe facilitavam o erguimento da cruz. No seu coração reinava paz e calma. Ele ainda afastava alguns escombros do Templo de sorte que a cruz bem vista por todos os lados. Em seguida, enxugou o suor da testa, postou-se ao lado da cruz ereta e falou com voz alta para todos os presentes: “Caros amigos e irmãos: Admirastes minha força e persistência, e desejais saber por que o Judas ergue aqui esta cruz. Ouvi, eu a trouxe do Gólgota. É a cruz na qual Jesus de Nazaré – meu e vosso Mestre – morreu por minha própria grande culpa. Aqueles dentre vós que me condenaram como traidor estavam com a razão. Mas sabei, Jesus Mesmo me perdoou. E como prova de minha vergonha, eu trouxe a cruz que o Mestre elevou, como testemunho de Seu Amor e Misericórdia. Eu não a trouxe com minha própria força, pois Ele Mesmo me ajudou invisivelmente. Aqui, onde o altar do antigo Templo se encontrava, esta cruz deve falar do Amor e da misericórdia. Quero o quanto possível fazer do local de pavor um ambiente de paz e de amor. Não digas que isto seja impossível, pois a Vontade do Senhor soa: Completa tua obra! – E sei o conseguirei com vontade justa! Olhai esta cruz: se por acaso estiver cansado e desanimado, um olhar para ela é o suficiente para me fortificar. A cruz me lembra o sofrimento do meu e do vosso Senhor. Ele sofreu por minha causa. Tudo farei resgatar minha culpa!”

A estas palavras, a cruz começou a iluminar e brilhar numa luz suave, e Judas exclamou: “Vede vós mesmos! O Senhor confirma minhas palavras!” Judas se ajoelhou e orou por força e resistência. Quando ou outros viram isto, formam tomados de uma grande emoção e todos caíram por terra. Então Judas exclamou: “Oh Senhor Jesus, Salvador Misericordioso! Estou no fim de minhas forças! Tua Graça e Amor estourar meu coração. Vem e ajuda-nos todos a sairmos de nossa miséria. Vem Tu Mesmo! Fortifica-nos e ajuda-nos – pobres almas – porque necessitamos muito de Ti! Bem que eu mostrei, ó Senhor, Tua cruz! Mas o que posso lhes dar? Somente uma pequena faísca. Eles necessitam de Ti, somente de Ti. Tua vontade Se faça. Amém.”

Nisto Judas vê subitamente elevar-se acima de si uma coluna de luz, como naquela época quando Judith orava por ele. Viu como a coluna de luz se amalgamava com a cruz e esta se tornava cada vez mais brilhante. Olhando para trás, encontrava-se num novo ambiente e lá no alto se encontrava o sol. Judas estava dentro de um grande jardim. Na retaguarda ele descobriu um pequeno Templo. Mas junto da cruz esta uma Figura que lhe estendia ambas as Mãos e falou: “Judas, meu irmão, vem a Meu Coração! Eu quero reinar dentro dele!”

Judas correu para junto do Peito do seu Senhor e por um grande momento reinava paz total, e Jesus continuou: “Tudo que aconteceu à tua volta é teu próprio mundo surgido da tua humildade. Aqueles que te seguiram são almas pobres sem pouso, assim como também eras. Judas, tu estavas perdido por ti mesmo. Mas o grande amor de tua filha Judith te preparou este caminho da Graça. Ela tomou a si a tua cegueira e culpa, para que pudesses ficar feliz. Eu Mesmo tirei-lhe o peso. Agora não te impressiones mais com teu passado; alegra-te com o presente e deixa o futuro por Minha conta!”

Judas estava muito feliz e, quando olhou para cima, deparou com inúmeros grupos de anjos entoando um grande cântico de louvor. “Oh, Jesus, Mestre infinitamente Bondoso!” exclamou ele: “Nunca me abandones, fica comigo, completa Tua Obra para que eu não venha novamente destruí-la!” E Jesus lhe falou: “Eu nunca mais te abandonarei, caso tu não Me abandones! Mas, por causa de tua evolução, não posso ficar visivelmente sempre ao teu lado. Por mais algum tempo te conduzirei em teu novo mundo e te colocarei como dirigente dos trabalhos que te darei. Silencia, porém, diante dos outros! Vamos à tua casa, que pensaste fosse um Templo!”

Nisto, Judas se volta para os outros e diz: “Amigos e agora irmãos: Deus nos é Misericordioso e criou dos escombros da velha construção de mentira uma nova base, como aqui vedes neste lindo jardim. Lá atrás se acha uma casa igual a um Templo. Mas ela está vazia, não construída de modo humano, e sim de uma maneira celeste. Este Bom e Querido Amigo, que é também dono desta maravilha, deu-me a incumbência de convidar-vos todos para ficarmos com Ele. Vossa dúvida, de que neste pequeno Templo não haverá lugar para todos, logo se dissipará, pois pressinto que seremos muitos mais a preenchê-lo, quem quiser pode voltar, caso não lhe agrade. De qualquer maneira, deve cada um vir de livre e espontânea vontade. Vinde agora e fazei o que vos agrade!

Em seguida Jesus foi de mãos das com Judas até a casa e todos os seguiram. Quando lá chegaram, uma nova surpresa aguardava Judas, porque o Pai havia buscado mais alguém. Tanto que a alegria foi muito grande quando Dismas abriu a porta dando as boas-vindas a Judas em sua nova casa.

Jesus tomou ambos pela mão e assim entraram no seu novo lar. Nesse momento tudo se dilatava automaticamente. Encontravam-se num grande salão maravilhosamente espelhado, como nunca tinham visto antes. Era gigantesco. Duas fileiras de grandes mesas com cadeiras e nas paredes bancos confortáveis de sorte tudo os convida a se acomodarem. Após certo tempo estavam sentados; no entanto ainda sobrava lugar para muitos.

Entrementes, Jesus palestrava com Judas. “Observa teu novo mundo que Eu abri para ti. Inteiramente tua posse, ele se tornará pleno somente quando tiveres trazido tudo de volta dentro da paz eterna. Age à vontade com teus irmãos, que apresentarão a te ajudar irmanamente. Agora, porém, vamos colocar alimentos e bebidas na mesa, a fim de saciar os necessitados. Em seguida iremos lá fora para que sejas orientado sobre tudo.”

O Senhor tomou lugar no meio dos outros, junto com Judas, e por parte de Dismas e muitos outros as mesas foram postas com alimentos, frutos, pão, vinho, os quais se encontravam nas despesas lá fora. Judas viu também em sua mesa José com os outros irmãos e Eliasib, e os cumprimentou com alegria. Então Judas pediu ao Mestre: “Ó Senhor, não sejas aqui sempre o Hóspede! Sejas para nós um Pai! Abençoa o alimento e convida-nos para o manjar!”

Eis que Jesus Se levanta e diz: “Meus queridos amigos, que Me seguistes por amor livre e pela atração do coração de Judas até aqui: Eu vos recebo com muita alegria nesta casa. É uma casa onde habita o amor, uma casa em que todos podem encontrar lenitivo da dor e da tristeza, e que ninguém precisa abandonar se não quiser. Mas é também uma casa segundo a Ordem de Deus, e se um ou outro não permanecer nesta Ordem, ele há de se encontrar novamente no âmbito antigo. Fortificai-vos e que este alimento vos agrade!”

De todos os lados ouviam-se exclamações de admiração e gratidão e quanto o Próprio Senhor Se havia sentado, todos começaram a se alimentar. Em seguida, eis que um deles se levantou e se dirigiu onde se encontrava Jesus com Judas, para expressar gratidão de seu coração com as seguintes palavras: “Quanto tempo faz que não sinto tamanha benção? E quando recebi um pão tão fabuloso e um vinho tão saboroso? E ainda sou convidado a um palácio com ambiente afetivo! Como podemos agradecer? Como podemos retribuir tanta Graça? Somo almas pobres. Na possuímos além desta vida, de sorte que por enquanto nada me sobra para dizer. Em nome de todos, nossa gratidão verbal!” o orador se curvou, pretendendo se afastar; mas Jesus fez um sinal a Judas e este levantou-se, entendeu a mão ao orador e lhe disse:

“Como teu coração te leva a agradecer, saiba que nos alegramos com isto. Mas aqui não se trata da gratidão oral, porque vemos apenas o coração. Para nós, vossa alegria é maior preito de gratidão. Deixai que vosso coração vibre com amor e humildade para o próximo e em seguida retribuí-lhe, alguém nos ensinou durante a vida de tal maneira e este alguém Se chamava Jesus de Nazaré, Filho do Altíssimo, cujo Amor transformou-nos em homens, e Este Jesus está entre nós. É Ele Mesmo que ainda nos deu as boas vindas nesta mesa. Que seja Seu Lar por toda a eternidade. Agora que vivemos em Sua Casa, não vamos esquecer de nosso pobres irmãos que ainda não conhecem este caminho. Nossa gratidão seja esta: caminhar durante a noite à procura de pobres e perdidos, oferecendo-lhes o nosso amor e coração, que não nos pertence mais a sim Aquele que com imenso Amor por nós faleceu na cruz do Gólgota. Por isto eu trouxe a cruz até aqui, elevando-se diante desta casa como indicador e ao mesmo tempo animador do Infinito Amor Divino. Agora sabeis do que trata. Quem quiser ficar, que fique pelo trabalho em conjunto e alegria. Mas, quem quiser se afastar, que o faça em paz, e a Ti, Jesus, nós pedimos força, persistência e benção. Amém!”

“nós ficamos, amigo e irmão!” exclamaram todos nas outras mesas, “e nos acomodamos com prazer. Aqui existe bem-estar e paz. Se podemos servir, já é bom demais!” um outro se levantou do seu lugar, aproximou-se de Jesus e disse: “Ouve, bom amigo e senhor desta posse, e também tu, Judas, e meus irmãos: Se medito sobre o meu passado, meu coração se torna infeliz e amedrontado, pois fui um servo do Tempo e tentei a Ti, Jesus! Aquela missão teve um fim doloroso, pois uma tempestade no mar causou a morte física de todos. Até então me arrependi da minha participação naquele empreendimento, mas não por Tua causa e sim exclusivamente pela minha desgraça sofrida; e muitos aqui na mesa estavam presentes naquela ocasião. Agora que Te conheço, Senhor, peço-Te que aceites meu amigos. Se puderes nos perdoar e conversar Contigo, estamos a executar qualquer serviço. Se isto não for possível, aceita ao menos nossa gratidão pela amizade usufruída agora!”

Eis que Jesus Se levanta e responde: “Que venha a Mim quem está cansado e atribulado! Comigo haveis de encontrar perdão pelo vosso sofrimento. E se o peso dos pecados aumentou gigantescamente, ouvi Minha chamada: Vinde a Mim! Aqueles dentre vós que não se atrevem a fazê-lo por terem a consciência pesada e sobrecarregada, Eu digo: Vinde! E aqueles que ainda acreditam que Eu pagarei com a mesma moeda, Eu digo agora: Vinde e presenciai o Poder do Meu Amor!

Ainda que alguém se assemelhe contigo, seu pecado é neste momento apagado caso se dirigir de coração humilde junto de Mim, querendo ficar no Meu Amor. Segui todos vós felizes e libertos do pecado e da culpa. Por isto estendo Minha Mão Paternal. Mas tu que me conheceste, pedindo-Me para esquecer tua culpa, bebe Comigo desta taça! E transmite a todos os teus irmãos os sabor do Meu Amor e da minha Devoção.”

De coração contrito, com o olhar firmemente dirigido ao Mestre, ele aceitou a taça, ele aceitou a taça oferecida e tomou um gole. Em seguida exclamou: “Oh, meus amigos, nunca na minha vida experimentei algo parecido! Querido Mestre, recebe minha gratidão e permite que passe adiantes a taça para que outros também possam saboreá-la!”

Jesus o permite e a taça foi de homem para homem sem se esvaziar. Mas ninguém se admirava. Todos estavam pasmos com a maravilha deste vinho. Ele fluía qual bálsamo em seus corações, estabelecendo-se um silencio absoluto no salão. Cada um recebeu a benção da paz. No final, o orador ainda tomou mais um gole e Jesus o convidou a Sua mesa de Judas. Jesus então, dirigindo-se aos outros, disse que Ele iria com Judas ao jardim. o Senhor cumprimentou a todos e ambos se afastaram. Pararam junto à cruz e Jesus disse: “Meu Judas, finalmente te convenceste do Amor e da Bondade do teu Deus e Pai. De modo paternal Eu te atrai até aqui e uma grande fase de tua vida terminou. Carregaste a cruz até aqui para fazê-lo por Mim. Vê, ela deve iluminar até bem longe, e todo aquele que passar durante a noite será orientado e será hóspede em tua casa. Não ficarei por mais tempo visivelmente contigo a fim de não te perturbar e a teus irmãos na sua futura evolução. Sabes perfeitamente o que é necessário para obter os maiores benefícios da vida, para se tornar uno Comigo. Também sabes o que ainda existe no caminho do teu passado se desejas ficar livre. Por isto, te deixo agora e aos outros, para voltar quando Eu tiver nascido em vosso coração, o que vos tornará iguais a Mim. Terás que ficar mais firme, assim como os outros, pois só o que surgir da luta abençoada da vida será tua posse, sendo conquista própria nascida dentro de ti. És habitante do Meu Reino Eterno, mas também morador de teu próprio mundo. Oh, Judas, continua caminhando no Meu Amro! Prossegue a Obra e constrói lares para teus irmãos ainda habitantes da Terra. Então me verás com conselho e conforto. Se necessitares de um consolo e não souberes como consegui-lo, então Meu querido filho, vem aqui junto da cruz, encosta-te nela e permita que o teu íntimo se uma com o espírito do Meu Coração, que por Minha Vontade e por vossa causa Se sacrificou. Aqui na cruz hás de encontrar paz e conforto, e serás fortificado voltando ao teu mundo. Que o amor seja tua meta mais sublime, e prontifica-te com humildade a dar aos menos dotados aquilo com que teu Santo Pai tão ricamente te aquinhoou.

Agora vamos ao trabalho! Até então as dispensas estavam preenchidas pelo Meu Amor. De agora em diante vosso amor há de preenchê-las. Quando Eu estiver longe, será dono desta casa e pouso. Sê um bom senhor! Dismas será teu irmão para ajudar. Para o futuro, o anjo que vos conduziu até aqui continuará vos ajudando com conselho e ação. Manda construir casa para os muitos trabalhadores em teu país e mantém a Minha Ordem. Aceita agora Minha Benção e Misericórdia seja tua vida e tua força. Cresce e amadurece para tua bem-aventurança e como benção de toda a criação. Amém, amém, amém!”

O Senhor desapareceu. Judas estava só. Mas em torno da cruz brilhavam diamantes luminosos num fulgor incrível. Profundamente emocionado, Judas se encostou na cruz e chorou de alegria, dizendo: “Ó Jesus! O que preparaste àqueles que Te amam! Só agora sei Quem Tu és verdadeiramente! Hei de Te amar com uma pureza que nenhuma sombra há de apagar! Jesus Cristo, nosso Querido Pai, Amor Eterno, Criador do Infinito, glorificado por esta cruz: Permito que seja Teu por tida a Eternidade! Amém!”

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